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Caem os segredos em torno da saída de Lula para velório do neto

07/03/2019 14:41

Foto: Jornalistas Livres

Por Cecilia Bacha e Emílio Rodriguez
Em Jornalistas Livres 

O segredo de Justiça que guardava a sete chaves os trâmites para a saída do ex-presidente Lula para velar seu neto Arthur caiu nesta quarta-feira (6). O documento que registra a decisão da juíza substituta Carolina Lebbos, da 12ª Vara Federal de Curitiba, ao deferir o pedido da defesa de Lula, deixa claro os bastidores do drama e revela o que os Jornalistas Livres já haviam adiantado durante o cobertura do velório: Lula não é um preso comum.

Pressionada entre um parecer assinado por cinco procuradores, entre eles Deltan Dallagnol, coordenador da Lava-jato em Curitiba, que se apressou em reproduzir a decisão do ministro do STF, Dias Toffoli na ocasião da morte do seu irmão Vavá no final de janeiro; o potencial decomoção pública que a morte trágica do menino; e uma carta branca da Polícia Federal que garantia a segurança de Lula e a “ordem” social no local do velório, a Juíza cedeu aos apelos de Lula, seu advogado e o Partido dos Trabalhadores, representado por sua presidenta, a deputada federal Gleisi Hoffmann.

A CHANTAGEM FOI CLARA: PARA QUE O SENHOR DE 73 ANOS, EXERCESSE O DIREITO DE ESTAR PRESENTE AO VELÓRIO DE SEU NETINHO DE 7 ANOS ERA PRECISO GARANTIR QUE LULA E O PT NÃO FARIAM NENHUM APELO POR MANIFESTAÇÕES POPULARESDE CARINHO E APOIO AO PRESIDENTE. A PRÓPRIA JUÍZA SUBSTITUTA NARRA NO DOCUMENTO UMA CONVERSA NESTE SENTIDO.

Diante das garantias dadas por Lula, um avô que “desabava em prantos“ há poucas horas – como registrou a própria mídia empresarial –  de seu advogado e do seu partido, obviamente preocupados com a saúde física e psicológica que a impactante noticia  poderia causar em alguém usurpado de sua liberdade, a juíza cedeu. Contrariou inclusive o parecer de Dallagnol que não previa a chegada do ex-presidente mais popular do Brasil ao Cemitério Jardim das Colinas, em São Bernardo do Campo.

O DOCUMENTO É ESTARRECEDOR E REFORÇA A TESE DE QUE LULA ESTÁ ARBITRARIAMENTE SEQUESTRADO PELO PODER JUDICIÁRIO DO PAÍS POR UMA CONDENAÇÃO SEM CRIME E SEM PROVAS APENAS PARA IMPEDI-LO DE EXERCER SUA LIDERANÇA POLITICA CONTRA O CONDOMÍNIO QUE TOMOU O PODER DESDE O IMPEACHEMENT DA PRESIDENTA DILMA EM 2016.

Se por um lado poderíamos supor  que a Policia Federal tenha sido condolente com o ex-presidente que mais investiu na instituição, garantindo-lhe a devida proteção do Estado e o pleno exercício de seu direito em velar o neto,  quem esteve presente nas exéquias viu o espetáculo pavoroso de violência e humilhação que Lula e seus familiares foram submetidos.

Homens fortemente armados chegaram a violar até a sala em que o corpo do menino estava presente, mesmo muito antes da chegada do avô. Um show deprimente.

O momento só não foi mais triste porque Lula ainda guarda o carinho de milhões de brasileiros. Alguns destes burlaram a falta de informação sobre a movimentação que faria para deixar claro que Lula não esta só.

Para estes Lula desobedeceu o delegado que o acompanhava, a juíza e o MP, e, mesmo cercado de armamento pesado e na mira de homens fardados, subiu no carro e acenou. Disse tudo o que podia dizer.

Aparentemente o  processo aberto hoje não traz nada de novo, além de reforçar a ideia de que Lula é um preso político do Estado brasileiro. Mas revela nas entrelinhas a responsabilidade de iniciativas próprias dos movimentos sociais e dos coletivos e de todos os comprometidos com a democracia, na luta pela liberdade de Lula. Esperar de Lula e unicamente do PT este chamado pode não ser só improdutivo, mas perigoso para a vida do ex-presidente.