Faça parte. Contribua

Vamos juntos manter o Instituto Lula em atividade neste primeiro semestre de 2018

Participe

Instituto Lula

Menu

Caravana de Lula revisita Getúlio e Jango e denuncia agressão de milícias

21/03/2018 08:27

Lula, ao lado do deputado Paulo Pimenta, no bairro Santa Marta: 'Não querem que o povo ganhe cidadania'. Foto: Ricardo Stuckert

Da Rede Brasil Atual 

A Caravana Lula pelo Brasil segue jornada na manhã desta quarta-feira (21) em direção a São Borja. No município que guarda a memória dos ex-presidentes Getúlio Vargas e João Goulart, na fronteira com a Argentina, a 600 quilômetros de Porto Alegre, residem os símbolos do trabalhismo. O suicídio de Vargas, em 1954, e o ataque cardíaco de Jango, em 1976, resultam de uma intolerância histórica do poder econômico à busca dos trabalhadores, pela via democrática e republicana, por dignidade.

Em meio a tocaias promovidas por grupos políticos descendentes dos que golpearam Vargas e Jango, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prossegue pelo terceiro dia sua caravana em terras gaúchas. “É a caravana da coragem”, como define o presidente da CUT-RS, Claudir Nescolo. Que leva na bagagem a disposição de continuar aquele sonho de dignidade. Mas a viagem não é tranquila.

As hostilidades sofridas nos dois primeiros dias levaram seus organizadores a chamar a atenção das autoridades gaúchas. A presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, alertou em entrevista coletiva nesta terça-feira (20), para a atuação violenta de milícias profissionais que agem na região de maneira ameaçadora contra a caravana durante sua passagem pelo Rio Grande do Sul. Cobrou do governo do estado reforço aos integrantes da caravana. E até o recém-criado Ministério da Segurança Pública foi questionado. A responsabilidade pela segurança de ex-presidentes é do governo federal.

“Nos preocupa muito que tenhamos chegado a esse clima de intolerância na sociedade, em que grupos de extrema direita usem de milícia armada. Espero que isso não seja um prenúncio de como vai se dar o processo eleitoral”, assinala Gleisi. Assista:

Na mesma entrevista, o coordenador geral da caravana, o vice-presidente do PT, Marcio Macedo, reiterou que viagem continua. “Vamos continuar a caravana em respeito ao povo do Rio Grande do Sul, ao povo do Sul, ao povo do Brasil, mas queremos que as autoridades competentes ajam para desarmar essas milícias”, afirmou.

O presidente do PT no estado, deputado federal Pepe Vargas, afirmou ter reunido material que comprova a ação organizada dos que estão tentando intimidar a caravana de Lula no estado: “Não é normal que um grupo beligerante com práticas fascistas queira impedir que outro grupo se manifeste. Se eles querem se manifestar, que o façam em outros locais onde nós não estamos”.

Povo vencedor

A entrevista foi concedida nesta terça, depois de os integrantes da caravana tentarem não dar holofotes às hostilidades. Mas a tensão provocada por poucos tende a crescer nas próximas paradas se algo não for feito para frear o ímpeto dos agressores. “O que estamos dizendo é que a divergência política e as divergências de ordem de disputa eleitoral estão na normalidade democrática. O que não está na normalidade democrática é o uso de violência e o uso de grupos armados para impedir alguém de se manifestar. Nossa Constituição assegura o direito de ir e vir e assegura manifestações democráticas. É isso que queremos que o Estado brasileiro garanta”, declarou Gleisi.

O ambiente do bastidor não contaminou a comunidade do bairro Santa Marta, onde a caravana encerrou os trabalhos, um bairro que guarde em suas ruas histórias de resistência e conquistas. Um terrão lotado de gente acompanhou o ato político. Cerca de 6 mil pessoas ouviram durante três horas os discursos acalorados. Silêncio total.

Santa Marta surgiu de uma fazenda com o mesmo nome, desapropriada em 1979. Grande parte dos 1.126 hectares da antiga propriedade foi utilizada pelo governo do estado. Mas um terço da área permaneceu sem uso por mais de uma década. Em 1991, uma ocupação começou a consertar essa falha. Quinze anos depois, em 2006, o bairro ganhou status de bairro, e recebeu investimentos provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – que respondeu por boa parte do aquecimento econômico que marcou a era Lula/Dilma – que mudaram a vida da comunidade hoje ppovoada por 34 mil habitantes.

O apoio de Olívio Dutra ao desenvolvimento da ocupação – foi governador (1999-2003) e ministro das Cidades (2003-2005) –, é lembrado com aplausos. “Nós queremos ser sujeitos e não objeto da política. Nós não nascemos para ser cabresteados por ninguém, muito menos por essa elite brasileira que, em muitas das mais tradicionais famílias, fizeram fortuna com 350 anos de escravidão. E agora, com o golpe, querem retomar essa situação em que o povo trabalhador tem de pedir bexiga para eles, tem de ganhar só pra comer, não pode morar em casa digna, não pode ter a Previdência que lhe garante futuro digno na velhice. Eles sempre desprezaram a organização popular”, disse Olívio.

RICARDO STUCKERTlula e olivio
Olívio Dutra, com o ex-ministro Miguel Rossetto, Lula e o deputado Henrique Fontana: 'Não nascemos para ser cabresteados por ninguém'

O ex-governador foi seguido por Lula na contundência: “Eles não querem que a gente volte porque em apenas 12 anos nós criamos quatro vezes mais escolas técnicas. Porque a empregada doméstica passou a ter diretos. E fizemos o maior programa habitacional que esse país já viu, o Minha Casa Minha vida. Não querem que o povo ganhe cidadania”, disse o ex-presidente. E seguiu elencando razões para “eles” não quererem sua volta, sob aplausos animados e gritos de reconhecimento.

Lula protestou contra os ataques à caravana e observou que “eles” estão transformando ataques virtuais em violência real. “Não vamos nos enganar com esse grã-finos que de dia ficam fazendo passeata e depois vão gastar o dinheiro deles em Miami. Mas caráter não se vende no shopping, não se vende na feira. Se juntar todos os meus acusadores e espremer, o que sobrar não tem 10% da honestidade que eu tenho”, disse Lula, saudando os “vencedores” do Santa Marta e desejando que os brasileiros todos sejam “um povo que resistiu como vocês resistiram e lute como vocês foram capazes de lutar”.

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta, que é de Santa Maria, assinalou: "O povo de Santa Maria, especialmente do Novo Santa Marta, teve o prazer de testemunhar hoje um ato histórico".

Com reportagem de Cláudia Motta, especial para a RBA e TVT