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“Direitos foram proclamados, mas não são vividos”, diz padre após visita

11/12/2018 09:29

Foto: Joka Madruga / PT Nacional

Do Brasil de Fato

Nesta segunda (10), dia em que se celebra o aniversário de 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o padre Domenico Costella chamou a atenção para os direitos fundamentais que seguem violados no país. O religioso visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR) e, após a visita, concedeu entrevista coletiva à imprensa. 

Para Costella, a prisão de Lula é uma injustiça, baseada em um “processo que não tem uma prova contundente”. O padre entende que um Estado que preza pela democracia e respeita os direitos humanos deveria oferecer, no mínimo, um processo justo para todos os cidadãos. 

“Hoje faz 70 anos que os Direitos Humanos foram proclamados. Mas, na verdade, não são vividos em muitos países, inclusive no nosso. Direito à vida, ao trabalho, direito à honra, a um processo legal. Nem sempre tudo isso é vivido”, disse. 

Nascido em Parma, na Itália, e ordenado sacerdote na Capela da Teologia Xaveriana de Parma, Costella mudou-se para o Brasil em 1974. Ex-professor de Filosofia Política do curso de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), ele lembrou a ascensão do fascismo na Itália ao falar sobre o atual momento político do Brasil, marcado pela prisão de Lula e pela eleição de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República. 

O religioso também comparou a conjuntura brasileira à eleição recente de governos alinhados ao campo da direita em países da Europa, como a França, e do próprio continente latino-americano, como a Argentina. Para o missionário, as "grandes crises econômicas e sociais" fortalecem a extrema direita.

“Temos que lutar sempre para manter a democracia. A democracia não será o ideal, mas é sempre o melhor sistema, com respeito aos direitos humanos, à participação do povo. Quando começa a ir para a direita é um perigo, porque a mentalidade da direita não é muito democrática”, acrescentou. 

Segundo o padre Costella, o crescimento do pensamento neoliberal também é percebido dentro das igrejas, e o apoio que muitos cristãos deram ao presidente eleito mostra a necessidade de reavaliação interna. Para o padre, 2019 será um ano de “análise desses votos, porque existe um limite democrático para quem acredita em Cristo”.

Presentes para Lula

Após a entrevista coletiva, o padre Domenico Costella visitou a Vigília Lula Livre e transmitiu à militância as percepções que teve da conversa com o ex-presidente Lula. 

O padre afirmou ter encontrado “um homem sofrido pela violência de que está sendo vítima, mas sereno”. Como presente a Lula, ele deixou um presépio italiano e um crucifixo – que, segundo Costella, o ex-presidente “colocou no pescoço imediatamente”. 

Espiritualidade, literatura, viagens e política foram alguns dos temas da conversa com o petista. Bem humorado, o religioso disse que pretende voltar a visitar Lula antes do Natal, para "presenteá-lo com um panettone italiano”.

Edição: Daniel Giovanaz (BdF)