Faça parte. Contribua. Aprenda.

Contribua e aprenda com grandes intelectuais.
Doe R$ 200 ou mais e ganhe um curso. — Professor do mês: Marcio Pochmann.

Instituto Lula

Menu

Contra censura da Globo, colunista publica receita de bolo

03/07/2018 15:05

Imagem: Jornal Extra/Reprodução

O colunista do jornal Extra, Felipe Pena, utilizou o espaço reservado à sua coluna no último domingo para publicar uma receita de bolo de pamonha. A atitude vem após a publicação, pelo Grupo Globo, dos novos princípios editoriais da empresa. O documento assinado por João Roberto Marinho proíbe que jornalistas façam comentários políticos em suas redes sociais.

Durante a ditadura militar (1964-1985), a censura era uma prática comum e muitos conteúdos eram vetados pelos censores antes mesmo de saírem das redações. Os jornais ocupavam o espaço vago das matérias censuradas com receitas, poemas e outros textos. Felipe Pena se valeu dessa forma de protesto para se posicionar contrariamente às novas determinações do Grupo Globo.

Com o pretexto de não colocar em risco a imparcialidade e a isenção - “principal pilar do jornalismo” - a empresa censura os profissionais, ainda que as postagens estejam restritas apenas aos seus amigos em grupos fechados. Além de estarem proibidos de “defender ideologias” ou tomar partido em “questões controversas e polêmicas que estão sendo cobertas jornalisticamente pelo Grupo Globo”, os jornalistas não podem sequer “curtir” publicações ou eventos com temáticas políticas ou ideológicas. O documento alerta que ao perder a reputação de isenção, o jornalista fica inabilitado de desempenhar o seu trabalho.

Caso Chico Pinheiro

Em abril deste ano as declarações de Chico Pinheiro ganharam destaque: em um áudio de WhatsApp, o jornalista se mostrava indignado com a prisão de Lula e lembra a frase do ex-presidente pouco antes de ser preso: “Eu não sou mais um ser humano, eu sou uma ideia e ideia não se prende”. O jornalista ainda dizia: “Realizaram o fetiche. O fetiche deles era Lula na cadeia. Não foi feito do jeito que eles queriam, mas o Lula foi”.

O vazamento rendeu uma advertência de Ali Kamel, diretor de jornalismo da Globo, que por e-mail alertou os jornalistas: “não se pode expressar essas preferências publicamente nas redes sociais, mesmo aquelas voltadas para grupos de supostos amigos. Pois, uma vez que se tornem públicas pela ação de um desses amigos, é impossível que os espectadores acreditem que tais preferências não contaminam o próprio trabalho jornalístico, que deve ser correto e isento”. E completa: “A Globo é apartidária, independente, isenta e correta. Cada vez que isso acontece, o dano não é apenas de quem se comportou de forma inapropriada nas redes sociais. O dano atinge a Globo”.

Confira a íntegra do documento divulgado pelo Grupo Globo no último domingo.