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Está extinta a escravidão?

14/02/2018 15:13

A passagem das últimas alas e alegorias levou a plateia ao delírio, que aplaudiu e respondeu à agremiação com um “Fora, Temer”. / Mídia Ninja

Do Brasil de Fato 

Michel Temer "vampiro", paneleiros com camisetas do Brasil e patos da Fiesp sendo controlados pela mídia, críticas às reformas trabalhista e da Previdência. Esses foram os temas trabalhados pela escola de samba Paraíso do Tuiuti na noite desta segunda-feira (11) na passarela da Sapucaí, no Rio de Janeiro (RJ).

Com o enredo “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”, sobre os 130 anos da Lei Áurea, a agremiação denunciou o golpe parlamentar de 2016 contra a ex-presidenta Dilma Rousseff e fez duras crítica ao atual governo de Michel Temer (MDB). Em uma das alas, como a reforma trabalhista e da Previdência representariam essa nova escravidão no Brasil.

“Eu acho que a gente está fazendo uma coisa que todo mundo quer. Todo mundo quer botar pra fora, as pessoas querem gritar o “Fora Temer”, as pessoas querem se manifestar e é forma de manifestar da minha parte”, disse em entrevista professor de história Léo Morais, que interpretou o Michel Temer Vampiro na última alegoria da escola, intitulada “Navio neo tumbeiro”.

Outra ala de destaque no desfile da Tuiuti foi a dos “manifestantes fantoches”, que ironizou os chamados paneleiros que saíram às ruas com camisetas do Brasil pedindo o impeachment de Dilma. A escola de samba utilizou mãos gigantes representando a mídia, que controlava esses paneleiros envolvidos por patos amarelos, em referência à campanha da Fiesp contra o aumento de impostos que inflamou a população contra o governo petista.

A passagem das últimas alas e alegorias levou a plateia ao delírio, que aplaudiu e respondeu à agremiação com um “Fora, Temer”, rapidamente abafado pela transmissão da Globo.

Edição: Luiz Felipe Albuquerque

Leia a seguir a letra do samba-enredo da Paraíso da Tuiuti


Meu Deus, Meu Deus! Está extinta a escravidão? 

Irmão de olho claro ou da Guiné 
Qual será o seu valor? Pobre artigo de mercado 
Senhor, eu não tenho a sua fé e nem tenho a sua cor 
Tenho sangue avermelhado 
O mesmo que escorre da ferida 
Mostra que a vida se lamenta por nós dois 
Mas falta em seu peito um coração 
Ao me dar a escravidão e um prato de feijão com arroz 

Eu fui mandiga, cambinda, haussá 
Fui um Rei Egbá preso na corrente 
Sofri nos braços de um capataz 
Morri nos canaviais onde se plantava gente 

Ê Calunga, ê! Ê Calunga! 
Preto velho me contou, preto velho me contou 
Onde mora a senhora liberdade 
Não tem ferro nem feitor 

Amparo do Rosário ao negro benedito 
Um grito feito pele do tambor 
Deu no noticiário, com lágrimas escrito 
Um rito, uma luta, um homem de cor... 

E assim quando a lei foi assinada 
Uma lua atordoada assistiu fogos no céu 
Áurea feito o ouro da bandeira 
Fui rezar na cachoeira contra bondade cruel 

Meu Deus! Meu Deus! 
Seu eu chorar não leve a mal 
Pela luz do candeeiro 
Liberte o cativeiro social 

Não sou escravo de nenhum senhor 
Meu Paraíso é meu bastião 
Meu Tuiuti o quilombo da favela 
É sentinela da libertação