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Há 64 anos: Getúlio se suicida e faz golpistas recuarem

24/08/2018 14:30

Foto: CPDOC FGV

Na manhã do dia 24 de agosto de 1954, o presidente Getúlio Vargas, de pijamas, saiu do seu quarto no palácio do Catete, foi até o gabinete de trabalho e voltou com um envelope. Pouco tempo depois, ouviu-se um tiro. Getúlio foi encontrado caído na cama, com um revólver perto da mão direita. Na altura do coração, um buraco da bala e uma mancha de sangue. Sobre o criado-mudo estava a carta que explicava o gesto — não um lamento, mas um manifesto político.

Naquele momento seu maior adversário, Carlos Lacerda, comemorava com champanhe o golpe que parecia vitorioso. No dia 5 de agosto Lacerda havia sido vítima de um atentado diante de sua casa, na rua Toneleros, em Copacabana. As críticas disparadas diariamente por Lacerda contra o governo Vargas em seu jornal, Tribuna da Imprensa, fizeram recair sobre Getúlio as principais suspeitas do atentado. 

Pouco antes do suicídio, Vargas estava encurralado. O movimento pela sua renúncia havia ganhado apoio do comando das Forças Armadas. Getúlio cumpriu, então, o que havia prometido ao país dias antes: eleito pelo povo, só sairia morto do palácio do Catete. 

A notícia chocou o país. A população, revoltada, saiu às ruas para expressar sua indignação e homenagear o presidente. A comoção nacional transformou inteiramente a situação política. Os golpistas tiveram de recuar às pressas. As tropas voltaram aos quartéis, e os líderes da oposição, inclusive Lacerda, preferiram se esconder da fúria popular.

“Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. (...) Serenamente dou o meu primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar para a história.”

Esses e outros eventos marcantes da histórica luta por democracia e justiça social no Brasil estão no Memorial da Democracia, o museu virtual do Instituto Lula.