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Artigo: Petrobras, a mais brasileira das empresas

13/09/2017 11:09

Plataforma de exploração de petróleo em águas profundas: tecnologia desenvolvida pela Petrobras. Geraldo Falcão/Agência Petrobras

Por José Carlos dos Santos, petroleiro, técnico de operações de refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos (SP)
Artigo publicado originalmente na tribuna de debates do PT 

Essa empresa tão conhecida por causa dos escândalos midiáticos é, ao mesmo tempo, tão desconhecida daquele que efetivamente é seu dono, o povo brasileiro. Sempre digo em conversas com amigos que a Petrobrasé a mais brasileira das empresas. Porque está presente em todo o território brasileiro, de norte a sul e de leste a oeste, na terra, no mar, nos rios.

E em todas as suas unidades, que são inúmeras, existem pessoas de todos os estados brasileiros, de todas as regiões, todas as cores, todos os credos, que se encontram em cada uma de suas unidades. E mais: seus produtos visam principalmente o mercado interno, o mercado brasileiro, o cidadão do nosso país que se beneficia todo o dia de sua produção, que não é só combustíveis ou asfalto.

Há também insumos para a agricultura, todos os tipos de plásticos (embalagens, partes internas e externas de equipamentos, eletrodomésticos, autos, etc.), indústrias de alimentos, de maquiagem, de medicina, e até o gás carbônico utilizado nos refrigerantes consumidos pelos brasileiros. Tudo isso vem da Petrobras.

E também não podemos esquecer a participação, por meio de patrocínio ou associações, na educação, esportes,cultura e lazer. Eu poderia continuar a encher laudas sobre a Petrobras no dia a dia do brasileiro, mas sigamos. Ou melhor voltemos. Um pouco de História: No começo do século passado, as companhias de petróleo diziam que no Brasil não havia petróleo – coisa ilógica, já que havia nos vizinhos Argentina e Venezuela, por exemplo.

Mas, na verdade, eles queriam delimitar prospecção e produção, para manter preços e mercados sob sua batuta. Aliás, desde o século XIX as mãos sujas das companhias estrangeiras já aprontavam no Brasil. Se quiser saber mais, pesquise os assassinatos de Fred Nicholson e Alan Fitzpatrick.

Depois da descoberta do primeiro poço comercializável do Brasil na Bahia, em 1939, havia um ambiente, na década de 30 em que brasileiros patriotas, como Monteiro Lobato, defendiam a criação de uma empresa genuinamente nacional para cuidar do petróleo de nosso país.

Os estrangeiros diziam que os brasileiros não tinham condição de explorar e refinar o óleo extraído, que estava além de nossas capacidades. E, claro, como hoje, haviam entreguistas que concordavam, com o bolso devidamente cheio pelas companhias estrangeiras, que devíamos entregar tudo aos maravilhosos e bondosos estrangeiros que cuidariam do petróleo para nós.

A luta se intensificou com passeatas e atos políticos que culminaram em 1953 na criação da mais brasileira das empresas, em ato assinado por Getúlio Vargas. Então começou a Petrobras, primeiro comprando e instalando equipamentos estrangeiros que eram operados por estrangeiros, mas logo os brasileiros assumiram o protagonismo.

Desde então foram estabelecidos não só campos de exploração, como refinarias, parques de tancagem, dutos de distribuição. Hoje, reúne uma fantástica diversidade, que os funcionários dizem, com orgulho, ser do poço ao posto, porque integra toda a cadeia do petróleo. Por isso é invejada por todas as companhias estrangeiras, que nunca desistiram de botar as mãos sujas em tudo.

A Petrobras, como nunca pode contar com a benevolência das estrangeiras, criou muita tecnologia, traduzida em milhares de patentes. Isso mesmo, milhares. Melhorou todo o equipamento adquirido fora, melhorou processos, desenvolveu tecnologia própria.

Para se ter uma ideia, quando a Petrobras resolveu buscar petróleo no mar, desenvolveu novamente expertise própria e quase todo o ano ganha prêmio por suas inovações off shore (mar adentro). Até a Petrobrás se aventurar no mar, eram consideradas “exploração em águas profundas” lâminas d’água de 300 m. Hoje não há mais limites, graças a nossa Petrobras.

Quando da descoberta do Pré-sal, os críticos diziam que não existia. Depois, ah… existe, mas não seria possível explorar tal riqueza. Mas a Petrobras novamente surpreendeu o mundo e desenvolveu tecnologia e equipamentos que tornaram a exploração no Pré-sal uma das mais baratas do mundo.

Ou seja, os funcionários da Petrobras, que tornaram possível tudo isso, toda essa grandeza da mais brasileira das empresas, hoje são atacados como se todos fossem gerentes corruptos, como se todos fossem marajás, e não trabalhadores qualificados.

Muitos desavisados, que se deixam levar por escândalos midiáticos, pedem sua privatização sem saber de fato o que estarão entregando aos estrangeiros, mediante uma promessa que não se realizará de produtos mais baratos e com menor corrupção, sendo que as companhias estrangeiras são conhecidas mundialmente por serem grandes corruptoras.

Pois o interesse delas é o petróleo bruto, não o refinar aqui. Querem nos vender produtos acabados. Basta ver que, apesar dos 20 anos de desnacionalização do setor petróleo, nenhuma companhia estrangeira construiu uma refinaria no Brasil, e somos carentes de produtos refinados.

Antes de endossar qualquer privatização da Petrobras, peço a você, que teve paciência de ler tudo isso, pensar e pesquisar sobre o patrimônio do qual você abrirá mão e dos perigos da privatização para a vida brasileira. Ela terá impacto direto na renda e no emprego. Ambos vão derreter ainda mais depressa.

Por José Carlos dos Santos, petroleiro, Técnico de Operações de Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos (SP), para a Tribuna de Debates do PT.

Para saber mais sobre as políticas progressistas na área do Pré-Sal, visite o Brasil da Mudança.