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MST produz 3,8 milhões de mudas para recuperar Rio Doce

24/10/2017 17:41

Lula repudiou incentivos públicos à produção de eucalipto como forma de reflorestamento, que acontecem desde a década de 1970. / Mídia Ninja

Rute Pina, do Brasil de Fato 
Com informações da reportagem em Periquito

As estufas e espaços de germinação do Assentamento Liberdade, no município de Periquito (MG), abrigam quase 150 mil mudas de vegetação nativa da Bacia do Rio Doce. Os brotos aguardam a época de chuvas para serem plantados no território degradado por décadas de desmatamento e contaminado após o rompimento da barragem de Mariana (MG) em 2015. 

O viveiro de mudas de Periquito é um dos quatro mantidos pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e que participam do projeto Plantando o Futuro, fruto de parceria com o governo do estado de Minas Gerais. Ao todo, o projeto prevê a produção de 3,8 milhões de mudas para recuperar 40 mil nascentes na região. Nesta terça-feira (24), o acampamento foi visitado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que segue em viagem por Minas Gerais na segunda fase de sua caravana pelo país

Jaedson Barbosa trabalha no projeto desde novembro do ano passado, quando foi demitido de uma indústria. Ele conheceu a atividade por meio de um curso de agroecologia: "Para mim, isso aqui é uma terapia", disse. 

O sem-terra do Acampamento Esperança afirma que o projeto é primordial para a atividade produtiva do movimento. "Essas áreas destinadas à reforma agrária estão vindo todas bem surradas, e a gente tem que recuperá-las. Nós mesmos temos que fazer isso, porque o agronegócio não refloresta", pontuou.


Raquel Vieira da Costa é engenheira ambiental e coordenadora do projeto. Foto: Mídia Ninja

A engenheira ambiental Raquel Vieira da Costa coordena o projeto. Ela explica que as áreas de assentamento para a reforma agrária, em geral, têm impasses ambientais herdados da ocupação anterior. 

Ela também destaca a colaboração do projeto para a região da bacia do Rio Doce, contaminada há dois anos após o rompimento da barragem da mineradora Samarco, em Mariana (MG): “No Rio Doce, ele assume uma importância muito grande pela tragédia, pelo crime de Mariana. O movimento sem terra também se coloca à disposição de contribuir com isso, de recuperar a bacia do Rio Doce.” 

Ao visitar o local, Lula repudiou incentivos públicos à produção de eucalipto como forma de reflorestamento, que acontecem desde a década de 1970. No local, há mais de 50 espécies diferentes de mudas da vegetação nativa da região produzidas pelo MST. 

“O tempo foi passando e a gente aprendeu que reflorestamento é a gente plantar as árvores nativas. Plantar eucalipto não é florestamento. Nós precisamos colocar isso para o povo, para o povo saber a diferença entre o que é reflorestar e florestar. Isso que é florestamento porque está plantando as árvores nativas da região.”

Além da Bacia do Rio Doce, o projeto Plantando o Futuro abrange mais 16 territórios no estado em parceria com outras entidades e organizações da sociedade civil. O governo pretende plantar 30 milhões de árvores até dezembro de 2018 em todo o estado de Minas Gerais e recuperar 40 mil nascentes e 6 mil hectares de matas ciliares. 

Após a visita ao Assentamento Liberdade, Lula seguiu para o município de Governador Valadares, onde participou de um ato de denúncia sobre a impunidades do crime de Mariana.


Mais de 150 mil mudas são produzidas no Assentamento Liberdade. Foto: Mídia Ninja

Edição: Luiz Felipe Albuquerque