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Mundo das artes se mobiliza em lançamento de Lula Livro

14/08/2018 13:36

Foto: Reprodução Facebook

Por Henrique Nunes da Agência PT de Notícias

Há 25 anos o Teatro Oficina resiste, sobrevive e se reinventa no número 520 da Rua Jaceguay. O local sob risco permanente de ser exterminado pela especulação imobiliária foi palco de mais um capítulo emblemático da história política e cultural brasileira na noite desta segunda-feira (13), com o lançamento da Lula Livre – Lula Livro, obra sem precedentes tanto pela grandeza de seus autores quanto por corroborar os anseios de milhões de brasileiros e brasileiras ao clamar pela liberdade do ex-presidente.

O ato de lançamento teve a presença de boa parte dos 90 autores, representantes da política, fãs, admiradores, militantes de movimentos sociais e, claro, o público.  Por sinal, logo na entrada do teatro ficou claro que a iniciativa reafirmaria a máxima imortalizada por Milton Nascimento em “Os Bailes da Vida”: o artista deve ir aonde o povo está.

Ou, como lembrou o fundador do Oficina Zé Celso Martinez Corrêa,  ir de encontro ao que o povo quer: “Nunca houve tanta desigualdade no Brasil desde o ‘golpeachment’ de 2016. Mesmo assim ainda acredito na alegria como instrumento de luta. Temos seguir cantando e dançando pela liberdade e pela democracia”, declarou.

Zé, em seguida, lembrou que a razão da luta é porque “ Lula é um político extraordinário e faz parte da grande arte da política. Tivemos um momento luxuoso quando ele era presidente. Lula representa a luta de todos pela vida”.

As palavras do “dono da casa” reiteram o que diz o manifesto que abre o livro, lido um pouco antes pelo escritor Marcelino Freire. “Mais do que uma obra literária o livro é um documento político. O título do livro é uma clara tomada de posição”.

Posição que Eduardo Suplicy tomou há mais de 40 anos, quando conversou com Lula pela primeira vez. “Nestas quatro décadas em que o conheço ele sempre valorizou a questão ética. Tenho a confiança que se tiver oportunidade comprovará a sua inocência. Eu estou convicto que a Justiça ainda fará uma correção com Lula”, declarou o vereador e candidato ao Senado.

A defesa do ex-presidente apareceu ainda ao longo de toda a noite nas falas dos autores e autoras que colaboraram com a coletânea, com destaque especial para Lucas Afonso, que apresentou seus versos que denunciam o golpe os constantes atrasos provocados por ele usando o rap como instrumento. Por falar em música, o clipe de Nenhum Direito a Menos, escrita por Paulinho Moska e Carlos Rennó – que também texto publicado na obra. 

Novas ações

A antologia Lula Livre – Lula Livro foi apresentada ao público pela primeira vez no dia 28 julho durante o Festival Literário em Paraty, no Rio de Janeiro. Organizada pelos escritores Ademir Assunção e Marcelino Freire, a coletânea surgiu a partir de uma convocatória geral para conseguir juntar o máximo possível de autores das mais variadas vertentes literárias e de todas as regiões do país.

Um dos primeiros a enviar seus textos foi ninguém menos do que Augusto de Campos, um dos criadores da Poesia Concreta e considerado por muitos como o maior poeta vivo do país. Nas seis semanas seguintes ainda chegaram obras de nomes como Xico Sá, Frei Betto, Alice Ruiz, Raduan Nassar, Chico Buarque, Aldir Blanc, Chacal, Caco Galhardo, Marcia Dense, Noemi Jaffe, Gero Camilo, Raimundo Carrero, Eric Nepomuceno, Chico César, Laerte, entre outros, muitos deles presentes no ato desta segunda.

Além da possibilidade de outros lançamentos, o livro-manifesto contará também com um site que incluirá todas as publicações inseridas na antologia, além de ter o PDF da obra divulgado. Estão sendo planejadas, junto com os movimentos sociais, uma série de ações para divulgar e repercutir o livro em todo o Brasil e no exterior.

Segundo os organizadores Ademir Assunção e Marcelino Freire a publicação manifesta o inconformismo dos autores, “que consideram a prisão de Lula uma aberração jurídica-política-midiática, com o objetivo maior de tirá-lo das eleições presidenciais deste ano, no tapetão, na cara-dura”.