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Queda na pobreza já é mais lenta na América Latina

19/10/2016 16:00

Foto: Flickr/Creative Commons/ José María Mateos

Após se destacar pela significativa melhoria na qualidade de vida de sua população, a América Latina tem apresentado níveis mais lentos de redução da pobreza desde 2012, segundo dados do Banco Mundial divulgados nesta segunda-feira (17/10).

O estudo revela que a quantidade de pessoas vivendo na pobreza extrema - com menos de US$ 2,50 por dia – diminuiu de 25,5% para 10,8% entre 2000 e 2014, mas nos dois últimos anos a desaceleração econômica verificada na região fez com que o ritmo da redução ficasse “muito mais lento” e a perspectiva é de que volte a ocorrer um aumento nos níveis de pobreza nos próximos anos.

Os indicadores, de acordo com o organismo, são fortemente influenciados pela situação do Brasil que, na última década, foi responsável por mais da metade da redução da pobreza em toda a América Latina e Caribe, apesar de contribuir somente com um terço da população da região.

De acordo com o diretor do Banco Mundial para o Brasil, Martin Raiser, em entrevista à rádio CBN, o êxito brasileiro se deve à oferta de trabalho para setores com menos qualificação profissional, com o consequente aumento da renda das classes sociais mais baixas e incremento da classe média, e a programas sociais como o Bolsa Família, criado durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2003.

Programas sociais e combate à pobreza

O Bolsa Família, programa de transferência direta de renda direcionado às famílias em situação de pobreza e de extrema pobreza, busca garantir o direito à alimentação, à educação e à saúde e atende, em todo o país, mais de 13,9 milhões de famílias. Essas características fazem com que ele seja considerado um dos principais programas de combate à pobreza no mundo.

O impacto de projetos semelhantes na América Latina é igualmente positivo. De acordo com o Banco Mundial, tais programas são responsáveis pela melhoria na qualidade de vida da população e permitiram que a região atingisse os Objetivos do Milênio da ONU (Organização das Nações Unidas) de diminuir pela metade, entre 1990 e 2015, a proporção de pessoas que sofrem com a fome.

Estudo realizado pela pesquisadora Maria Ozanira da Silva e Silva, da Universidade Federal do Maranhão, apontou que, em 2012, 18 programas de transferência de renda condicionada – que oferecem transferência monetária sob a condição de cumprirem certos requisitos (condicionalidades como frequência dos filhos à escola, por exemplo) – estavam vigentes em 17 países latino-americanos.

De acordo com o relatório de 2015 da FAO sobre "o estado mundial da agricultura e a alimentação – A proteção social e a agricultura: romper o ciclo da pobreza rural”, que aborda a utilização dos programas de proteção social nos países em desenvolvimento no combate à fome e à pobreza, nos locais com maior incidência de pobreza ainda residem os níveis mais baixos de cobertura social. Paradoxalmente, as regiões com menor pobreza recebem uma proteção social mais ampla, abrangendo 60% da população.