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Se quisesse fazer caravana eleitoral, faria 10 atos assim

24/03/2018 12:39

Lula em São Leopoldo. Foto: Ricardo Stuckert

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Da Agência PT de Notícias 

Uma calorosa multidão recepcionou o ex-presidente  Lula em sua última atividade no Rio Grande do Sul durante esta quarta etapa de  Lula pelo Brasil na noite de sexta-feira (23), em São Leopoldo. O ato aconteceu após uma atividade em Passo Fundo ter sido cancelada por conta da interdição da estrada por parte de um grupo de direita organizado que ameaçou a segurança da caravana e das população que iria ao ato.

Assim, Lula seguiu direto para São Leopoldo, onde falou sobre os ataques fascistas que tem sido feitos contra ele, acompanhado da presidenta eleita Dilma Rousseff, do ex-ministro Miguel Rossetto, do ex-governador do estado Olívio Dutra, do prefeito local Ary Vanazzi (PT) e da deputada do PCdoB, Manuela D’Ávila.

Emocionado após escutar os relatos de jovens que estudaram em universidades criadas em seu governo, Lula afirmou que “iria confortavelmente para casa sabendo que Dilma e Lula foram os presidentes que mais colocaram jovens nas universidades nesse país, mais fizeram escolas técnicas e universidades federais”.

“Quando escolhi o Rio Grande do Sul para fazer a caravana, sabia que esse estado estava tomado por um conservadorismo muito grande. As pessoas pensam que não leio, mas sou bem informado. Eu tinha bastante conhecimento da situação do Rio Grande do Sul, e venho acompanhando os comentários”, explicou ele, em relação a hostilidade que sofreu em Passo Fundo.

“Eu resolvi fazer uma caravana não eleitoral, porque se eu quisesse fazer uma caravana eleitoral escolhia as 10 maiores cidades e fazia atos como esse. Escolhi a região menos habitada demograficamente. Algumas daquelas cidades tem mais cavalo e boi do que gente. Óbvio que em algumas cidades tem cavalo que é tratado a aveia e maçã enquanto o filho de trabalhador não come nem uma maçã”.

Ricardo Stuckert

to em São Leopoldo encerra a passagem da Caravana Lula pelo Brasil pelo estado do Rio Grande do Sul

“Eu não queria ato público, queria prestar homenagem a Getúlio Vargas e João Goulart. Queria visitar São Borja e homenagear Getúlio Vargas, que depois um golpista com seus fascistas rasgam as conquistas que a classe trabalhadora tem há 60 anos”.

“Dia 21 de março foi quando em 1932 o Getúlio criou com um decreto a Carteira Profissional, porque até então o trabalhador era tratado como escravo, não tinha férias, não tinha jornada de trabalho. Ele fizeram a gente voltar ao que era antes de 1932”.

“A sociedade brasileira e nós, fomos anestesiados, o Brasil esteve anestesiado muito tempo. Inventaram uma história macabra, uma mentira bem contada, para dizer que o PT era uma organização criminosa’.

“Eles começaram a questionar o jeito que a gente governou o Brasil, o jeito que a gente fez composição. Não adianta discutir porque a mentira do Power Point é o jeito que encontraram para acusar o PT. O apartamento não é meu. No depoimento disse para o Moro que ele esta comprometido com a Rede Globo e ele não tem como me absolver, porque esse pacto entre o Ministério Público, a Polícia federal e a mídia não tem fim, porque quem mente uma vez tem que mentir a vida inteira”.

“Era o sonho de consumo da elite brasileira e do Moro, entregar a cabeça do Lula. Poderiam ter me matado como já mataram tanta gente nesse mundo, poderiam quem sabe me derrotar eleitoralmente, mas preferiram uma coisa que foi a razão pela qual nasceu o nazismo”.

“Começam a desmoralizar o adversário de ladrão, e quando não tiver mais coragem de sair na rua, está derrotado e aí fica fácil condená-lo. A diferença é que eles mexeram com um cidadão quem tem caráter e que tem honra nesse país”.

“Eu sou vitima de uma mentira do jornal O Globo, que se transformou no inquérito mentiroso da Lava Jato, que se transformou na acusação mentirosa do Ministério Público, que se transformou em uma decisão mentirosa, porque o Moro sabe que não tem um tostão na minha vida que não tenha sido conquistado às custas do meu suor”.

“Se eu tivesse o rabo preso eu não estaria gritando contra eles.Não vou ser preso porque não cometi nenhum crime e tenho certeza que nesse pais haverá justiça”.

Ricardo Stuckert

Lula e Manoela D’Ávila em São Leopoldo

“Eu sou processado até pela compra dos aviões de caça suecos. A Dilma era presidenta, ela comprou, nem me pediu um favor e eles acham que sou culpado. Sou acusado em um processo de uma Medida Provisória feita pelo Fernando Henrique em 1997. Eu sou acusado porque empresas brasileiras trabalham em Angola e Moçambique e ajudei o Brasil a financiar um porto em Mariel, em Cuba”.

“Já deve ter uns 20 ou 30 processos. Eu já apresentei a prova da minha inocência e estou desafiando o Moro, o Ministério Público e o TRF4 a apresentar uma vírgula de criminalidade que eu fiz nesse país”.

“A única coisa que posso oferecer a vocês é a tranquilidade da minha inocência. Eu deito todo dia no travesseiro e durmo com a consciência tranquila. Não sei se o Moro e os quatro juízes dormem com a consciência tranquila como eu durmo. Eu quero dizer a vocês que essa acusação, essa acareação com a minha vida, inclusive a antecipação da morte da Marisa, eles sabem que eu não vou me calar”.

“Não quero voltar a concorrer a presidência da república para me vingar de ninguém. Quero fazer o que esse povo precisa que seja feito. Não posso aceitar a ideia dessa raiva, desse ódio estabelecido na sociedade brasileira a partir das passeatas de 2013 que no meu entendimento teve o dedo dos Estados Unidos da América do Norte”.

“Quero voltar a ser candidato para provar que é possível fazer mais educação mais saúde, e se preparem porque vou federalizar o Ensino Médio nesse país para melhorar a qualidade. Educação não é gasto, é investimento e portanto teremos que arrumar dinheiro e federalizar”.

“Sabem que já desmentimos eles quando diziam que aumentar o salário mínimo era inflacionário, aumentamos e não teve inflação. Eles diziam que não podia aumentar o mercado interno porque gerava inflação, mas nós aumentamos e não gerou. Nós sabemos que para fazer a economia crescer temos que incluir o povo”.

Ricardo Stuckert

Ato em São Leopoldo encerra a passagem da Caravana Lula pelo Brasil pelo estado do Rio Grande do Sul

“Quando cheguei na presidência o exercito brasileiro não tinha dinheiro. Nós recuperamos as Forças Armadas, criamos salário mínimo para soldado, criamos o soldado cidadão, compramos coturno, recuperamos os navios da Marinha”.

“Eles sabem que nós sabemos como consertar esse país. Agora estou mais esperto, mais calejado. E quero voltar para que o mundo aprenda a respeitar esse país. Não podemos permitir que eles desmontem o Brasil, o BNDES, destruindo a Caixa Econômica, a indústria naval que em Rio Grande chegou a ter 24 mil trabalhadores. Agora compram na Ásia, a gente gerando emprego na Coréia, na China”.

“Eu que já to velhinho, podia estar em casa descansado, quero dizer para eles que tenho 72 anos de idade, energiade 30 e tesão de 20”.

“Não fiquem nervosos porque aconteceu a manifestação em Passo Fundo. Aconteceu também em Bagé. No dia 27 de junho de 2005, quando anunciei a criação da Unipampa tinha 40 mil pessoa para bater palma para mim. Agora tinha meia dúzia de tratores que cercaram a Universidade para a gente não ir. E o que é mais grave, o Ministério Público, exortando das suas funções, mandou uma carta ao reitor dizendo que me receber era fazer política. Nós chegamos lá e não tinha quem recebesse a gente, mas estava cheio de aluno”.

“Tentaram evitar que eu visitasse uma universidade que eu criei. Se eu não posso visitar uma universidade que eu criei, só queria aprender como era um laboratório, mas nós entramos, depois nossa caravana seguiu tranquila”.

“Em São Borja fizemos um ato extraordinário, em Livramento estivemos com Pepe Mujica e só não conseguimos hoje porque trancaram a estrada”.

“A gente não pode fazer o jogo rasteiro que eles estão fazendo. Não podemos utilizar as mesmas armas. Não vamos dar a outra face, mas não vamos ser ignorantes, não vamos cercar ninguém. Vamos ensinar para eles, que são cabos eleitorais de um candidato e muita gente aposentada da polícia, e ficaram nervosos porque eu disse que muitos estavam com as máquinas que nem pagaram aos governo”.

“Eu disse que tem duas alegrias para alguns fazendeiros: uma é quando conseguem os créditos do Banco do Brasil e a outra é quando não pagam. Se acham que me assustam, queria dizer que se eu sou candidato, eles vão me ver muitas vezes no Rio Grande do Sul, que eu quero ganhar as eleições nesse estado e ajudar a eleger o Rossetto governador do estado”.

“Se eles acham que são bons, disputem as eleições. Elejam quem eles querem. A gente não pode abaixar a cabeça. temos que ir para a rua, o legado do PT é muito grande. Ainda não sabemos tudo que fizemos nesse país. Não tem nada nesse país que não melhoramos”.

“Quem não deve não teme e não deve abaixar a cabeça. Quem não gostar de mim, que feche a porta porque se deixar a porta aberta vai ver um coroa conservado”.

Ricardo Stuckert

Ato em São Leopoldo encerra a passagem da Caravana Lula pelo Brasil pelo estado do Rio Grande do Sul

O ex- ministro Miguel Rossetto afirmou que ato marcou uma noite histórica em São Leopoldo. “Eu comecei a militar e me educar politicamente nessa cidade”, relembrou ele, que começou a trabalhar aos 18 anos em uma fábrica de ferramentas.. “Há duas quadras daqui começamos a organizar o PT de São Leopoldo em 1980”.

“Construimos um projeto político comprometido com o povo, projeto que tem o Ary Vanazzio hoje como grande prefeito da cidade pelo nosso partido”.

“Estamos preparados para governar com participação popular. Que ninguém tenha duvida que o povo gaúcho vai nos chamar para governar o Rio Grande do Sul, cuidar do povo gaúcho e cuidar do Brasil junto com Lula”.

O prefeito Ary Vanazzio afirmou que na cidade de São Leopoldo, assim como no estado, há um grande preconceito e um ódio contra a classe trabalhadora.

Lembrando que Lula esteve 15 vezes na cidade em sua historia política, o prefeito afirmou que “a burguesia gaúcha e esses caras que hoje falam mal de nós do PT, não devem viver e entender a cidade e nem o país. Como pode um cara que nesse país pagava R$ 2,80 na gasolina e reclamava e agora paga R$ 4,8 e não abre a boca. Como pode um cidadão que pagava 35 reais no gás e agora paga R$ 80 e não reclama? Quem sofre são as mulheres pobres da periferia que não tem dinheiro pro gás e começaram a fazer comida no fogareiro de querosene”.

“Esse pais tem que voltar para os trilhos, chega de banqueiro ganhar dinheiro, chega de latifundiário ter desconto em dívida. Que país é esse onde um cidadão não pode andar e divulgar suas ideias? Tenho certeza de que, mesmo que metam medo, estamos reconquistando a confiança do povo trabalhador”.

“Não importa o que diz a RBS e a Globo. O que importa é o que nós vimos na vida real, o que era o Brasil com Lula e com a Dilma e o que estamos vivendo hoje. Aqui tem projeto, esperança e luta política”.

Ricardo Stuckert

Ato em São Leopoldo encerra a passagem da Caravana Lula pelo Brasil pelo estado do Rio Grande do Sul

Olívio Dutra afirmou que “temos que garantir que aja eleições esse ano. Os que deram o golpe em agosto de 2016, que representam a tradição golpista das elites brasileiras, que vem desde Getúlio, esse golpe que deram o nome de impeachment, querem prosseguir com o golpe e querem uma democracia mitigada”.

“Temos aprendido que a democracia não pode ser uma palavra vazia, apenas uma letra da lei. A democracia tem que ser vivida por nós no cotidiano. Significa que somos tão políticos quando qualquer autoridade. Nós temos que nos assumir como sujeitos políticos no cotidiano, conversar com as pessoas, fortalecer a organização sindical. Temos que ser sujeitos e não objeto da política para ela ser transformadora, para o estado funcionar bem e melhor para a maioria do povo. Lula e Dilma fizeram isso acontecer nos seus governos”.

“Nós queremos que tu seja candidato a presidência da república”, disse Olívio para Lula. “Ninguém tem autoridade senão o povo, pelo voto, de eleger o presidente da republica. Nenhum poder pode puxar o tapete evitando que o povo decida pelo voto o próximo presidente da republica”.

A presidenta legítima Dilma Rousseff se disse alegre em ver a população e as mulheres. “Mulheres fortes, de fibra, mulheres que foram capazes de resistir e de lutar em condições as mais difíceis. Estou vendo aqui nossos gaúchos guerreiros e vejo que esse estado mantém a fibra, a coragem, a decência, a dignidade e a capacidade de ter posição, mas ter posição aqui não significa que nós tenhamos de agredir o adversário”.

“Aqui nesse estado, apesar da nossa tradição de guerreiros, mas de guerreiros neste século, mais pacíficos que no passado, que foram capazes de lutar por seus direitos, pela independência do nosso povo e construir o Brasil Moderno, porque daqui saiu Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola”.

“Dois presidente depostos por golpes violentos, um levado a morte e o outro levado ao exílio, que só voltou ao nosso solo, morto. Tive a honra como presidente da república, prestar a ele as homenagens de chefe de estado, de presidente da republica”.

“Acredito que nós hoje vivemos um golpe parlamentar, um golpe midiático, que estruturou parte da elite financeira interessada em tirar renda do povo, mas não no desenvolvimento do pais. Uma elite egoísta, que não defende, não sensibiliza com a sorte do nosso povo”.

“Foi um golpe parlamentar midiático, de parte dos segmentos financeiros. Um golpe que teve conteúdo misógino, machista, um conteúdo que aproveitou do fato que sou mulher para criar ambiente propicio ao golpe. Estão transformando os trabalhadores em precários, com salários reduzidos”.

“A reforma da previdência não é para ajustar a idade. Onde está o maior recurso, a maior concentração de dinheiro do país em termos dos recursos à disposição, está na previdência, por conta da contribuição de todo mundo. Um processo muito bom para transformar a previdência pública em privada é desmoralizar a previdência pública. É dar de mão o dinheiro previdenciário”.

“Aí vem o problema que eles não tem candidato, porque o PSDB golpista e o PMDB golpista hoje não tem votos nesse país. Aí eles criaram o monstro da extrema direita, para estarrecimento nacional e internacional, ao votar meu impeachment defendeu o torturador e a tortura, crime inafiançável em qualquer país do mundo”.

“Como eles não tem candidato possível e as pesquisas apontavam que o povo brasileiro lembra quem é o grande governante popular da nossa história, é o presidente Lula. E o Lula que foi submetido a mais vergonhosa campanha midiática de desconstrução de uma pessoa, o presidente chegou a ter 60 horas de Jornal Nacional dizendo que ele é criminoso”.

Ricardo Stuckert

Ato em São Leopoldo encerra a passagem da Caravana Lula pelo Brasil pelo estado do Rio Grande do Sul

“O golpe em mim foi para destruir o PT e suas lideranças. Dai os pixulecos, os patos amarelos, os manifestoches. O presidente Lula crescia nas pesquisas e a rejeição dele descia. Aí então decidiram que ele não podia ser candidato e montaram o lawfare e fizeram a mais covarde e indigna campanha, usando da lei e dos processos legais para destruí-lo.

“Não é a destruição física da guerra, é um destruição que usa a lei e um aparente processo legal para destruir civilmente uma pessoa”.

“Lula é inocente é é uma perseguição política. Nós sabemos porque esse golpe foi dado. Quatro vezes ganhamos a eleição e eles viram que pela democracia não ganhavam, então deram o golpe no povo”.

“Vamos resistir, ampliar a democracia, vamos lutar de forma pacífica, tranquila, respeitando opiniões, mas vamos denunciar a violência, a intolerância e o preconceito. Vamos resistir e lutar porque nosso caminho é a democracia”.

Lula pelo Brasil

A viagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos estados do Sul do país, em março, é a quarta etapa de um projeto que deve alcançar todas as regiões do país nos meses seguintes. No segundo semestre de 2017, Lula percorreu todos os estados do nordeste, o norte de Minas Gerais, o Espírito Santo e o Rio de Janeiro.

O projeto Lula Pelo Brasil é uma iniciativa com o objetivo de perscrutar a realidade brasileira, no contexto das grandes transformações pelas quais o país passou nos governos populares e o deliberado desmonte dos programas e políticas públicas de desenvolvimento e inclusão social, que vem sendo operado pelo governo golpista.

Da Redação da Agência PT de Notícias, enviada especial ao RS