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Sírios já são o maior grupo de refugiados no Brasil

10/10/2017 10:32

Da Fundação Perseu Abramo 

Um em cada cinco refugiados que chegaram ao Brasil, entre 1998 e 2014, são sírios. Com a ocorrência da Primavera Árabe, em 2013, e o aumento dos conflitos no país, o povo sírio passou a corresponder a 22,7% dos cerca de dez mil refugiados no país, um número pouco expressivo, se comparado aos países europeus.

Estes dados são resultado da recente publicação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), “Refúgio no Brasil: caracterização dos perfis sociodemográficos dos refugiados”, que analisou milhares de pedidos de refúgio concedidos pelo Brasil no período supracitado.

Nesses dezessete anos, além dos sírios (22,7%), os angolanos (14%), colombianos (10,9%), congoleses (10,4%) e libaneses (5,1%) foram as nacionalidades mais representativas nos pedidos de refúgio aceitos. Grosso modo os refugiados são homens (73%), adultos de 18 a 59 anos (80,2%) e solteiros (60,9%). Apenas 21% falavam português no momento da solicitação de refúgio. As línguas mais faladas eram árabe, inglês, francês, espanhol e lingala (bantu).

Interessante observar que cerca de 70% declararam ter vindo de forma regular ao país, mas 56% informaram que não sabiam que o Brasil seria o país de destino. Segundo explica João Lima, um dos autores da obra e pesquisador do Ipea, "isso nos parece estar fortemente correlacionado à vinda de refugiados de países africanos pela via marítima, notadamente da República Democrática do Congo e de Serra Leoa”.

A partir de 2013 as solicitações de refúgio subiram vertiginosamente. Em 2010 foram 966, já em 2014, 28.385. As cidades que mais os recebem são São Paulo, Rio de Janeiro, Guarulhos, Santos e Foz do Iguaçu, contabilizando 80% dos casos.

Geograficamente, apesar do Sudeste ser a região preferida pela maioria das nacionalidades, alguns agrupamentos de refugiados se distribuíram de forma desigual no país neste período analisado. Cerca de 88% dos congoleses e dos sírios, e 83% dos angolanos vieram para o Sudeste do país. Já os colombianos se distribuíram pelo Sudeste (41%), Norte (38%) e Nordeste (12%). Os libaneses se dirigiram principalmente para a região Sul do país (53%), mas também ao Sudeste (35%) e Nordeste (8%).

Infelizmente a publicação não avançou para 2015 e 2016. Este último ano, inclusive, foi marcado por críticas à política externa brasileira nesta temática, que com o governo Temer passou a negar mais vistos e ainda suspendeu as negociações que mantinha com a União Europeia para receber famílias desalojados pela guerra civil na Síria. Os haitianos, maiores demandantes de visto, quando não possuem a solicitação negada, acabam recebendo o “visto humanitário”, que oferece menos direitos do que um visto de refúgio.

Link da publicação completa do Ipea aqui.

Para conhecer as políticas públicas de direitos humanos dos governos Lula, visite o site Brasil da Mudança.