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Violência contra quilombolas dispara em 2017

10/10/2017 13:46

Dados de 2011 a 2016 são do Departamento de Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos. Dado de 2017 é da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).

Do Instituto Socioambiental 

O número de quilombolas assassinados no Brasil, em 2017, chegou a 14, de acordo com levantamento da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq). Levando em conta os dados disponíveis, desde o início da década, este pode ser o ano mais violento para os quilombolas. Lideranças e especialistas ouvidos pelo ISA apontam que o aumento da violência tem ligação com o cenário político atual, que potencializaria as consequências dos conflitos de terras.

De acordo com dados do Departamento de Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos (MDH), entre 2011 e 2015 foram registrados dois assassinatos. Somente em 2016, porém, o número foi de oito mortos.

Lideranças não descartam a possibilidade de que o número em 2017 ainda aumente. Ainda não há certeza sobre a ligação das mortes registradas em 2017 com o conflito agrário, mas pelo menos seis dos assassinados eram lideranças que estavam à frente da luta pela terra.

Dos 14 assassinatos em 2017, dez aconteceram na Bahia, mais de 70% do total. José Ramos de Freitas, presidente da Associação de Marisqueiros e Remanescentes Quilombolas da Ilha de Porto do Campo, em Camamu (BA), lembra a morte de Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, o Binho do Quilombo, de 36 anos, vitimado pela onda crescente de violência. Ele foi assassinado na manhã de 19 de setembro em frente à Escola Municipal Nova Esperança, na comunidade quilombola de Pitanga dos Palmares, município de Simões Filho (BA).

O crime ocorreu logo após Binho deixar o filho na escola. Quando estava dentro do carro, estacionado, outro veículo parou junto ao seu, um homem desceu e atirou mais de dez vezes contra o quilombola, que morreu no local. Os criminosos fugiram e, até o fechamento da reportagem, ninguém havia sido preso.

“Estamos muito preocupados. Ontem foi Binho, amanhã nós não sabemos quem pode ser. Chega de nós perdermos nossas lideranças sem saber o porquê! Será que nós não podemos ter segurança?”, protesta Freitas.

Para ler a matéria completa, acesse o site do Instituto Socioambiental.