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Vagner Freitas: Liberdade de Lula unifica 1º de Maio

02/05/2018 09:37

Trabalhadores no 1º de Maio da resistência em Fortaleza (CE). Reprodução CUT/CE

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Da Rede Brasil Atual 

A crise econômica e social, com retirada de direitos dos trabalhadores, somada à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além do crescimento da violência política no país serviram para unificar os os trabalhadores em atos do 1º de Maio neste ano. Segundo o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, "é urgente libertar Lula, hoje um preso político do golpe."

Em artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo nesta terça-feira (1º), Freitas destaca a "escandalosa" taxa de desemprego, que atingiu 13,1% no primeiro trimestre de 2018, o que equivale a 13,7 milhões de pessoas sem ocupação no país. Enquanto o desemprego segue crescendo, os 10% mais ricos se apropriaram de 43% da renda total do país, aponta o presidente da CUT, enquanto os 10% mais pobres ficaram com 0,8% da renda nacional. 

Segundo ele, esses dados oferecem um "triste retrato" do Brasil "dirigido por um governo ilegítimo que deu um golpe parlamentar, com amplo apoio da mídia, dos empresários, do capital financeiro e de parte do Judiciário", que tem justamente o intuito de retirar direitos da classe trabalhadora, rebaixar os salários e aumentar a lucratividade dos empresários, aos custos do aumento da desigualdade e da exclusão. 

"É preciso reafirmar e resgatar a capacidade de resistência e de luta da classe trabalhadora, que impediu a reforma da Previdência, e construir uma agenda em torno da recuperação da democracia e dos direitos sociais e trabalhistas", afirma o dirigente.

Confira o artigo na íntegra

Pela sua liberdade, Lula unifica o 1º de Maio da resistência

Três fatos unificam as sete maiores centrais sindicais do Brasil neste 1º de Maio: a crise econômica, política e social que tomou conta do país desde o golpe de Estado; a prisão do ex-presidente Lula, em mais uma tentativa de o tornar inelegível e impedir sua vitória nas urnas nas eleições deste ano; e a violência, estimulada pelas crises econômica e política. Os fatos mostram isso.

A taxa de desemprego alcançou escandalosos 13,1% no primeiro trimestre de 2018, o que equivale a 13,7 milhões de homens e mulheres sem recursos nem sequer para as despesas básicas. Em 2017, 12,3 milhões de lares usaram lenha ou carvão para cozinhar —1,2 milhão deixaram de usar gás de cozinha só no ano passado por causa dos reajustes do botijão, que acumula alta de mais de 16% no ano, descontada a inflação.

Por outro lado, os 10% mais ricos se apropriaram de 43% da renda total do país, enquanto que os 10% mais pobres ficaram com míseros 0,8% da renda nacional.

Esses dados, divulgados no mês de abril pelo IBGE, um instituto público da administração federal, refletem o triste retrato do nosso país, dirigido por um governo ilegítimo que deu um golpe parlamentar, com amplo apoio da mídia, dos empresários, do capital financeiro e de parte do Judiciário.

Um golpe que tinha exatamente esse objetivo: retirar os direitos da CLT, acabar com a Previdência Social, aumentar a exclusão social, criar um exército de desempregados, rebaixar salários e acabar com as políticas públicas que possibilitaram crescimento e desenvolvimento sustentável com distribuição de renda e justiça social. Além de atentar contra a soberania nacional, entregando o patrimônio público das estatais para as grandes multinacionais.

Mais do que lamentar o retrocesso dos últimos dois anos, é preciso reafirmar e resgatar a capacidade de resistência e de luta da classe trabalhadora, que impediu a reforma da Previdência, e construir uma agenda em torno da recuperação da democracia e dos direitos sociais e trabalhistas.

Essa agenda passa pela valorização dos salários; pela ampliação das políticas sociais e da economia solidária; por uma reforma tributária que desonere trabalhadores e classe média e taxe os mais ricos e o capital especulativo; pela retomada da capacidade de investimento do Estado em tecnologia, educação e saúde; reforma agrária; e pela agricultura familiar, em especial a agroecologia, para garantir alimentos mais baratos a toda população.

Destaco, ainda, a criação de um pacto nacional pela paz e contra a violência, com intervenção social nas comunidades e resgate da nossa juventude.

Essa agenda está associada também à defesa da democracia e do restabelecimento do Estado de Direito. Por isso, defendemos e nos solidarizamos com o ex-presidente Lula, que foi preso injustamente porque tem compromisso com a retomada desse programa que inclui a grande maioria do povo brasileiro e é a única liderança política com capacidade de implementá-lo, colocando o Brasil em um outro patamar de desenvolvimento.

É exatamente porque ele tem esse compromisso com o povo e lidera todas as pesquisas de intenção de votos para as eleições presidenciais que querem impedi-lo de disputar, mesmo que tenham de desrespeitar a Constituição, que assegura a presunção da inocência e que ninguém pode ser preso antes que todos os recursos sejam julgados.

Vamos mobilizar nossas bases para debater essa agenda, defender a inocência de Lula, seu direito de concorrer e também para eleger parlamentares comprometidos com os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras e com o desenvolvimento com inclusão e justiça social.

E o 1º de Maio unificado é só um dos passos. Atos de violência e tiros não nos intimidarão.