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Lula lança campanha de reeleição na Vila Euclides, seu berço político

O estádio da Vila Euclides, no coração do ABC paulista, se tornou um símbolo da luta operária no Brasil


Lula lança campanha de reeleição na Vila Euclides, seu berço político

Foto: Acervo do Sindicato dos Metalúrgicos 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dará início à sua campanha de reeleição em 16 de agosto de 2026, no Estádio 1º de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SBC), a partir das 9h.


O estádio representa o berço político de Lula e do PT, ali o presidente construiu sua trajetória como líder sindical nas décadas de 1970 e 1980, à frente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, cargo para o qual foi eleito em 1975 e reeleito em 1978. Foi também no estádio da Vila Euclides que trabalhadores se reuniram em massa durante as greves do ABC paulista durante a ditadura militar, movimento que projetou Lula nacionalmente e pavimentou a criação do próprio PT.


O lançamento da campanha terá, portanto, como palco o mesmo chão que viu a ascensão de um movimento operário que marcou a resistência à ditadura militar. 


A Grande Greve do ABC


Em março de 1979, os metalúrgicos de São Bernardo, Diadema, Santo André e São Caetano deflagraram a primeira greve geral de uma categoria no país desde 1968, reivindicando reajuste salarial de 78,1%. Com cerca de 200 mil trabalhadores mobilizados, a paralisação atingiu montadoras como Volkswagen, Ford, Mercedes-Benz e Scania, além de empresas de autopeças, transformando São Bernardo do Campo no centro político do país. Diante da adesão maciça, as assembleias migraram para o estádio da Vila Euclides, cedido pelo prefeito Tito Costa, onde Lula, então presidente do sindicato, discursava em cima de uma mesa usando megafone.



Lula discursa a metalúrgicos de cima de uma mesa no estádio de Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, em assembleia que decidiu pelo início da greve. Fernando Pereira/CPDOC do JB 



O movimento enfrentou forte repressão: a Justiça do Trabalho declarou a greve ilegal, e a polícia ocupou as ruas com tropa de choque, cavalaria e cães. No dia 23, o governo interveio nos três sindicatos do ABC, afastando Lula e a diretoria, que passaram a se reunir na casa paroquial cedida por dom Cláudio Hummes — bispo que também participou de assembleias no estádio. Mesmo sob intervenção, os dirigentes destituídos seguiram mobilizando a categoria, culminando em um grande ato de 1º de Maio que reuniu 150 mil pessoas na Vila Euclides.


Após uma trégua de 45 dias proposta por Lula, nova assembleia aprovou em maio um reajuste de 63% — abaixo da reivindicação inicial, mas a maior conquista salarial do período. A intervenção foi suspensa e a diretoria eleita retomou o sindicato. Apesar de não atingir a meta original, a greve consolidou a organização e a independência do movimento operário do ABC.


Clique aqui para saber mais sobre a primeira greve geral dos metalúrgicos - conheça o Memorial da Democracia



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