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Lula na ONU: ‘O Brasil não cabe no quintal de ninguém’

Presidente rejeita interferência estrangeira nas eleições, cobra cooperação contra o crime organizado e afirma que o país não vai terceirizar a proteção de sua população


Lula na ONU: ‘O Brasil não cabe no quintal de ninguém’

Foto: Ricardo Stuckert 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (22), durante a abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, que o Brasil seguirá defendendo sua soberania e não aceitará interferências externas em suas decisões: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”. 


Em um discurso marcado pela defesa do multilateralismo e da democracia, Lula apresentou as escolhas que, segundo ele, estão colocadas para o mundo diante dos avanços do unilateralismo, do extremismo e das disputas por influência. “Somos chamados a optar entre: multilateralismo ou unilateralismo; democracia ou extremismo; soberania ou subordinação”, declarou.


Para o presidente, essas escolhas exigem coragem, vontade política e clareza de objetivos. “Isso é o que se espera de um Estadista”, disse Lula, que defendeu ainda a construção de parcerias. “Precisamos de parceiros com uma agenda positiva, que fomente o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para maior integração entre vizinhos”, completou.


 


Defesa da soberania 

Lula relacionou a defesa da soberania ao direito dos povos de decidir livremente seus destinos e alertou para o retorno de práticas de ingerência externa que ameaçam a democracia. “Percorremos um longo caminho para restaurar a vontade popular. A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos”. 


Lula afirmou ainda que os pilares do multilateralismo vêm sendo corroídos e criticou o enfraquecimento de instituições internacionais. Ao citar a Organização Mundial do Comércio, disse que a OMC “respira por aparelhos” e condenou o uso de tarifas como instrumentos de coerção e chantagem. 


O presidente também denunciou o avanço do negacionismo e defendeu a retomada da cooperação internacional para enfrentar os desafios, dando como exemplo a pandemia. “Nunca esqueceremos das milhões de vidas perdidas pelo descaso no enfrentamento da Covid-19. Campanhas contra vacinas estão trazendo de volta doenças que julgávamos erradicadas.  Enfraquecer a Organização Mundial da Saúde torna a todos mais vulneráveis. É hora de retomar a ofensiva e impor uma derrota ao negacionismo”, frisou.


Ao aproximar o debate internacional da realidade brasileira, Lula afirmou que a defesa da soberania passa também pela proteção da vontade popular e pela garantia de eleições livres de interferências externas. O presidente afirmou que milhões de brasileiros irão às urnas em 4 de outubro para decidir os rumos do país. “Não vão apenas eleger o presidente da República, governadores e representantes do Poder Legislativo. Vão decidir entre democracia e negacionismo. Se o Brasil vai avançar rumo a um futuro de mais oportunidades ou regressar a um passado de exclusão”. 


Lula defendeu a legitimidade do processo eleitoral brasileiro e afirmou que o pleito será transparente e competitivo, com liberdade de expressão para todos os candidatos. Ao mesmo tempo, alertou que o exercício dessa liberdade não pode servir de instrumento para interesses contrários ao país ou para a desinformação que busca distorcer o debate público. “Sabemos que alguns abusam dessa liberdade para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país. Não subestimamos o desafio das redes de desinformação que pretendem desvirtuar o debate público durante a campanha”, analisou.


Diante desses desafios, o presidente reafirmou a confiança na estrutura eleitoral brasileira como garantia de que a decisão sobre o futuro do país permanecerá nas mãos da população. “Possuímos um sistema eleitoral moderno e robusto. Sob o olhar atento de uma cidadania plural e de uma imprensa livre, não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular”, declarou.


Ao encerrar o discurso, Lula reafirmou que a democracia brasileira não está subordinada a interesses estrangeiros e que o destino do país deve ser definido por seus próprios cidadãos. “A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano. Ninguém nos afastará desse caminho”, concluiu.


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