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Na Inglaterra, trabalhadores denunciam prisão de Lula

07/05/2019 12:27

Foto: Reprodução/James Eaden

Nesta segunda-feira (6), a central sindical britânica Trades Union Congress (TUC) promoveu o Chesterfield May Day, no Reino Unido. O evento integra as comemorações do 1º de Maio, de homenagem a luta dos trabalhadores. A chamada do evento dizia que a situação atual da política britânica está marcada por uma crise sem precedentes, com uma “ameaça real de divisão dentro da nossa classe trabalhadora”, lembrando o processo do Brexit, ainda em curso.

Também em situação trágica, há muito não vivida, se encontra o Brasil. E sobre isso falou uma das convidadas, a brasileira Julia Felmanas. Representando a Brazil Solidarity Initiative (Iniciativa de Solidariedade ao Brasil), ela lembrou Lula, cuja trajetória se confunde com a trajetória da democracia brasileira.

Julia abriu sua fala pedindo solidariedade ao “metalúrgico, líder sindical e ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso por acusações forjadas”. E acrescentou: “Lula é um prisioneiro político”. A brasileira ainda fez um resgate histórico da vida política do ex-presidente, desde os tempos do sindicalismo. Lembrou, também, avanços conquistados pelo povo brasileiro a partir de 2002, quando Lula chegou à Presidência: “Ele acabou com a fome, aumentou os salários dos trabalhadores e melhorou os serviços sociais e de saúde. Ele defendeu um mundo multipolar e as relações Sul-Sul”.

Julia ainda lembrou que a luta pela liberdade de Lula “não é só por justiça para um camarada que tanto fez pelo Brasil”. É importante que Lula esteja solto “para nos ajudar, liderando a luta contra a extrema direita. Não apenas para lutar contra as ameaças aos direitos dos trabalhadores, mas para lutar pelo mundo, contra as políticas ambientais de Bolsonaro”.

Após a intervenção de Julia, John McDonell, membro do Parlamento britânico, se pronunciou, afirmando estar “muito orgulhoso de estar no palco com alguém defendendo Lula da Silva”. E apontou: “Que ninguém tenha dúvidas, o que está acontecendo no Brasil não foi resultado somente de questões internas”. McDonell concluiu lembrando ser urgente “lutar contra o fascismo no Brasil e no mundo”.

Além de Julia Felmanas e John McDonell, estiveram presentes na mesa Mark Serwotka, presidente da TUC, e Nita Sanghera, vice presidente do sindicato University & College Union (UCU).

Confira a fala de Julia na íntegra:

Neste May Day, peço solidariedade a um dos nossos camaradas: Metalúrgico, líder sindical e ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso por acusações forjadas. Lula é um prisioneiro político. Lula liderou todos os eventos políticos importantes no Brasil desde a década de 1970.

Como metalúrgico, ele liderou as primeiras greves por salários e condições de trabalho que fizeram a ditadura militar tremer. Depois, como líder sindical, foi fundador do Partido dos Trabalhadores, o maior partido do Brasil, com mais de 2 milhões de membros. E um dos fundadores da Central Única dos Trabalhadores, o equivalente do TUC.

Juntamente com essas organizações, ele liderou a luta por eleições livres e diretas no Brasil, finalmente derrubando a ditadura militar. Em oposição há quase 20 anos, Lula e seu partido lutaram contra o neoliberalismo, contra o desmantelamento dos direitos dos trabalhadores e a privatização das empresas estatais brasileiras.

Em 2002, ele foi finalmente eleito e se tornou o presidente mais popular do Brasil, dando início a programas sociais que foram eventualmente copiados em todo o mundo. Ele acabou com a fome, aumentou os salários dos trabalhadores e melhorou os serviços sociais e de saúde. Ele defendeu um mundo multipolar e relações Sul-Sul. Ele foi reeleito e ficou com a maior taxa de popularidade de qualquer presidente brasileiro. Ele elegeu sua sucessora, a 1ª mulher presidente do Brasil, Dilma Rousseff, que também foi reeleita e depois expulsa por um golpe.

E sabemos que foi um golpe, porque assim que o vice-presidente assumiu, todas as políticas sociais foram revertidas. Os direitos dos trabalhadores foram cortados. Os sindicatos eram restritos em suas ações. E investimento em serviços sociais, saúde e educação foram congelados por 20 anos! 20 anos! Isso significa que, mesmo que o Brasil saia da crise econômica em que se encontra, não poderá investir em políticas sociais, a menos que a constituição seja alterada. Foi um golpe porque logo depois eles colocaram o Lula na prisão.

E mais: O juiz que investigou seu caso foi o mesmo juiz que o julgou. E este mesmo juiz é agora ministro da Justiça no governo de Bolsonaro! Também o julgamento de Lula foi acelerado para que ele não fosse autorizado a participar do 2018 - mesmo assim - Lula ainda era o político mais popular do Brasil e à frente das pesquisas. Lula também foi amordaçado não autorizado a falar ou ser entrevistado durante o período eleitoral.

Por isso peço solidariedade a Lula. Queremos Lula livre! Não só por justiça para um camarada que tanto fez pelo Brasil, mas para nos ajudar, liderando a luta contra a extrema direita. Não apenas para lutar contra as ameaças aos direitos dos trabalhadores, mas para lutar pelo mundo, contra as políticas ambientais de Bolsonaro. Então pedimos que você escreva para o seu MP [parlamentar] e para o seu sindicato, pedindo a liberdade de Lula.

Obrigada.