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Primeira vítima da ditadura foi oficial legalista

27/03/2019 15:09

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Demorou mais de meio século para que a Justiça Federal reconhecesse a primeira vítima da ditadura militar brasileira. O tenente-coronel da Aeronáutica Alfeu de Alcântara Monteiro foi executado na sala do comandante do Quartel-General da 5ª Zona Aérea, em Canoas. Em sua decisão, o juiz federal Fabio Hassen Ismael descreveu o a morte do militar como "um ato de exceção" em "contexto de violação a direitos humanos, por motivações político-ideológicas decorrentes do regime militar instaurado", cita a Folha de S.Paulo em reportagem desta quarta-feira, dia 27.

Gaúcho de Itaqui, Monteiro estava na aeronáutica há 22 anos e estava a um posto da graduação de oficial-general. Ainda segundo a Folha, "Monteiro não era bem visto pelo lado golpista porque, em 1961, segundo testemunhas, havia se recusado a participar do bombardeio do Palácio Piratini, em Porto Alegre (RS), onde o então governador Leonel Brizola organizava uma resistência para garantir a posse de Goulart, então vice-presidente, após a renúncia de Jânio Quadros".

Na noite de 4 de abril de 1964, Monteiro foi chamado ao gabinete do comandante interventor do Quartel-General da 5ª Zona Aérea em Canoas, o brigadeiro Nélson Freire Lavanere-Wanderley, que assumiu naquele dia e prendeu vários militares. Na sala também estava o sobrinho do general-presidente Castello Branco, o coronel Roberto Hipólito da Costa. Durante anos prevaleceu a versão do inquérito controlado pela Aeronáutica sob intervenção da ditadura, de que o tenente-coronel teria se recusado a aceitar a prisão e teria sacado seu revólver durante discussão com o brigadeiro. Para defender o comandante, Costa teria então disparado vários tiros contra Monteiro.

No entanto, exames e testemunhos de militares que estavam na base no dia do crime mostraram que Monteiro foi abatido antes de disparar contra o superior, e que só atirou quando já estava caído.

Em depoimento reproduzido pela Folha de S.Paulo, air Krischke, do Movimento Justiça e Direitos Humanos explicou que "Monteiro não era de esquerda, era um legalista. Tinha simpatia pelo [então governador] Leonel Brizola, nada além disso. Esse é um exemplo de que havia, na época do golpe, uma ala nas Forças Armadas que queria só o cumprimento da Constituição, ou seja, João Goulart não poderia ter sido derrubado daquela forma".

Leia a matéria completa na Folha de S.Paulo (restrita a assinantes) .

Veja um trecho do filme "Militares pela Democracia":