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“Aprendemos a ter direitos e não vamos aceitar perdê-los”

26/08/2017 09:47

Ato da Frente Brasil Popular no Pátio do Carmo, em Recife. Foto: Ricardo Stuckert

Na noite desta sexta-feira (25), uma multidão lotou o Pátio do Carmo, local do centro de Recife (PE) onde em 1695 foi exposta a cabeça do líder quilombola Zumbi dos Palmares. Em ato da Frente Brasil Popular, Lula afirmou que não há que esmorecer e nem desanimar, e que é necessário continuar lutando para impedir a perda de direitos.

“Eu resolvi sair pelo país para tentar despertar consciência e levantar a nossa tropa. Não há que esmorecer, nem que desanimar. Porque aprendemos a ter direitos e não vamos aceitar perdê-los”, disse o ex-presidente.

Lula está no Recife como parte da viagem Lula Pelo Brasil. O ato contou com a presença da presidenta eleita Dilma Rousseff e de diversos parlamentares. O ator Irandhir Santos também esteve no ato, juntamente com artistas locais, que receberam elogios do presidente Lula pela qualidade de suas apresentações.

Para Lula, o governo ilegítimo está acabando com todas as conquistas dos últimos anos e o Palácio do Planalto se transformou em uma verdadeira imobiliária. “Estão vendendo a Casa da Moeda, a Eletrobras e vão vender a Chesf”, disse Lula.

Para o ex-presidente, o Brasil só será uma nação quando toda criança tiver direito a ter três refeições por dia, e quando todo adolescente puder estudar até chegar na Universidade. “Todo mundo aqui sonha em garantir que seus filhos possam estudar e fazer universidade, que seus filhos possam ter emprego, que o marido tenha um emprego”, disse ele.

Lula afirmou que o país esta virando novamente uma “República de bananas”, “com essa elite perversa que não se importa com pobre, com mulher, com homem, com índio, com LGBT”. “Essa turma que usurpou o poder não tem a menor noção do que é cuidar do povo brasileiro”, disse ele.

Lula lembrou que, em 13 anos, fez mais de 400 escolas técnicas. Em 100 anos, os outros governos haviam feito apenas 100. Além disso, fez 18 universidades federais enquanto o presidente “sociólogo”, não fez nenhuma. “A elite brasileira nunca gostou que pobre estudasse, porque a educação significa consciência, significa libertação”, disse.

Nordeste
"Nós tínhamos consciência de que Deus não fez o Nordeste para ser a região pobre do país”, disse Lula. O ex-presidente lembrou que os antigos governantes não tinham projeto para região. “O homem nordestino não nasceu para ser pedreiro no sul do país, e a mulher nordestina não nasceu para ser doméstica no sul do país”, disse ele.

“As mulheres querem ser médicas, os homens querem ser engenheiros”, disse. E recordou que, hoje, existem mais alunos em universidades nordestinas do que no sul do país, com 1,5 milhão de estudantes. “O Nordeste não quer tirar nada de outro estado. Só quer ter direitos”, disse. “Essa região não deve nada a ninguém em nenhum lugar do mundo.”

Lula afirmou que o programa Bolsa Família era a primeira forma para que as pessoas humildes tivessem o elementar para sobreviver. “Ainda ontem uma menina de Sergipe que fugiu com 13 anos de idade passou a receber o Bolsa Família, e se formou em assistência social e foi no ato devolver o cartão dela”, disse. “Porque ela não precisava mais do Bolsa-Família”.

Dilma
Dilma lembrou que sofreu dois golpes durante a vida, o de 1964 e agora, o de 2016, quando foi destituída de forma ilegítima da presidência da República.

“O primeiro, um golpe que durante 21 anos tirou do brasil a democracia e nos legou um período muito triste onde ocorreu torturas e prisões. E pensávamos que isso tinha sido encerrado. A gente supunha que esse país não ia assistir outra vez a um golpe de estado”, lamentou.

Para Dilma, o golpe foi para tirar os direitos que os trabalhadores e trabalhadoras conquistaram nos últimos anos.”Quero dizer que nós temos obrigação de nos levantarmos, de resistirmos. Porque só quem tem esperança é capaz de lutar para reverter esse golpe”, disse ela.

“Depois de 13 anos de conquistas sociais, em que foi possível retirar o Brasil do Mapa da Fome, tirar 36 milhões de brasileiros da miséria, fazer programas sociais como o Minha Casa, Minha Vida. Depois do Mais Médicos. Isso é imperdoável”, disse ela.

Dilma também lembrou do caráter misógino e machista do golpe que sofreu, e agradeceu o apoio e acolhimento das mulheres durante todo o processo. Para ela, o Brasil já foi respeitado internacionalmente e hoje passa vergonha diante do mundo.

Com texto e informações de Clarice Cardoso e Mariana Zoccoli, enviadas especiais ao Nordeste com a caravana Lula pelo Brasil, para a Agência PT de Notícias