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SAÚDE


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Governos de Lula e Dilma enfrentaram boicote de forças conservadoras e fortaleceram o SUS

Com PT, investimentos em ações e serviços de saúde cresceram 86% acima da inflação

O acesso universal à saúde pública de qualidade é um direito garantido na Constituição. Este direito é defendido e apoiado por toda a sociedade, certo? Tese defendida e apoiada por todos, mas, na verdade, não é bem assim. Em mais de um momento durante os governos Lula e Dilma, forças corporativistas e privatizantes, pautadas pela agenda neoliberal, se uniram para derrubar propostas que garantiam mais recursos e ampliavam o acesso à atenção à saúde de populações que vivem em regiões e cidades desassistidas.

Um dos casos mais notórios foi a investida da oposição, em 2013, para inviabilizar o Mais Médicos. O programa foi criado para permitir que as populações mais pobres, de áreas periféricas das grandes cidades, de áreas remotas do interior do país, e dos distritos sanitários indígenas, que têm dificuldades para contratar médicos, tivessem acesso à assistência em saúde.

Mas nem Lula nem Dilma se curvaram às pressões. Os investimentos em ações e serviços públicos de saúde cresceram 86% acima da inflação, passando, em valores corrigidos para 2021, dos R$ 73 bilhões, em 2003 (primeiro ano do governo Lula), para R$ 135 bilhões, em 2015, no último ano do governo Dilma. Além disso, o programa Mais Médicos virou realidade e beneficiou 63 milhões de brasileiros.

Mais Médicos ampliou a Estratégia Saúde da Família

Com mais de 18,2 mil profissionais, programa fortaleceu atendimento à saúde do povo

Os 18.240 profissionais contratados pelo programa Mais Médicos fortaleceram a Estratégia Saúde da Família, que melhor organiza a atenção básica no SUS, elevando para 40,3 mil o número de equipes multiprofissionais preparadas para atender e acompanhar a saúde das populações nas periferias das grandes cidades e dos municípios médios e pequenos do interior.

Apesar do sucesso do programa, ao final de 2018, após as eleições, a cooperação com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) que garantia a contratação de médicos estrangeiros foi encerrada, o que reduziu a quantidade de médicos contratados pelo Mais Médicos. Isso atingiu, principalmente, as populações das áreas mais remotas, onde existiam – e ainda existem – muitas dificuldades em atrair e fixar médicos brasileiros. Diante das críticas de Jair Bolsonaro, que indicavam um iminente encerramento do contrato do governo brasileiro com a OPAS, o governo cubano se antecipou e interrompeu a cooperação com a agência internacional, que garantia o maior número de médicos inseridos no programa. Para se ter uma ideia do impacto dessa primeira ação concreta do governo Bolsonaro antes mesmo da posse, o número de médicos no final de 2018 já havia se reduzido para pouco mais de 16 mil, e no início de 2020, antes da pandemia, chegava a pouco mais de 12 mil.

Dilma em evento de renovação do Programa Mais Médicos. | Foto: Roberto Stuckert

Dilma em evento de renovação do Programa Mais Médicos. | Foto: Roberto Stuckert

Compromisso com o investimento no SUS

Com Lula e Dilma, todas as regiões do Brasil receberam mais recursos para a saúde

Durante os governos petistas, o Ministério da Saúde aumentou as transferências de recursos para que os Estados e Municípios investissem na saúde, além de ampliar ações como a Estratégia Saúde da Família, investimentos nas redes de atenção à saúde e nos serviços de urgência e emergência, e na distribuição de medicamentos para tratar doenças crônicas, evitando agravamentos ou sequelas.

De 2003 a 2016, as ações de saúde se tornaram parte de uma estratégia de inclusão social para milhões de brasileiros em todos os cantos do país. No entanto, desde a Emenda do Teto de Gastos, que entrou em vigor no Brasil em 2017 e congelou os gastos em saúde e educação por 20 anos, o SUS perdeu - até 2022 - quase R$ 37 bilhões do orçamento federal. O desinvestimento pode chegar a centenas de bilhões de reais em 20 anos. Outra perda é a desvinculação dos recursos relativos aos royalties do petróleo, que passaram a ser utilizados para amortização da dívida pública como resultado da EC 109/2021.

Apesar da ampliação histórica nos investimentos em saúde, Brasil retrocedeu com a aplicação do Teto dos Gastos. | Foto: EBC

Apesar da ampliação histórica nos investimentos em saúde, Brasil retrocedeu com a aplicação do Teto dos Gastos. | Foto: EBC

Evolução da despesa federal no SUS

Lula e Dilma criaram maioria dos leitos de UTI do país

Foram os governos progressistas que criaram o maior número de leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do SUS no Brasil, mais do que todos os outros governos somados. Dos 22,6 mil leitos de UTI que o país tem na rede pública, 11.678 foram criados entre a posse de Lula e o golpe que tirou Dilma Rousseff da Presidência.

Pré-Sal garantiu mais investimento para a saúde

Em 2013, o Ministério da Saúde aprovou o uso de 25% dos royalties do pré-sal, ou seja, foram financiados e ampliados em 75% os investimentos para a saúde.

Brasil tem menos médicos por habitante do que Argentina e Uruguai

Antes da criação do programa Mais Médicos, o Brasil contava com apenas 1,8 médicos para cada mil habitantes. Pior: 22 estados possuíam média ainda mais baixa. No Acre, Amapá, Piauí, Pará e Maranhão, a proporção era de menos de 1 médico por cada mil habitantes. Para se ter ideia do que isso significa, na Argentina existiam 3,2 médicos por mil habitantes. Comparando com o Uruguai, com 3,7 profissionais por mil, o déficit era ainda maior. Nos últimos anos, essa diferença foi reduzida com os esforços do governo federal para expansão e descentralização dos cursos de medicina, universalização da residência médica e melhoria da qualidade da formação. Como resultado, houve um aumento significativo do número de formandos em medicina, o que aumentou o índice de médicos por mil habitantes para 2,4 em 2021.

Estrangeiros não tiram vagas de profissionais brasileiros

Os estrangeiros do Mais Médicos não tomaram o lugar dos médicos brasileiros. De 2003 a 2011, foram criadas 147 mil vagas de empregos formais para médicos no Brasil. No entanto, nesse mesmo período, somente 93 mil novos profissionais se formaram no país e entraram no mercado de trabalho. Isso porque o governo ampliou a oferta nos cursos de medicina, com a criação de 5.849 novas vagas, sendo 3.749 em instituições privadas e 2,1 mil em instituições públicas, além de 7.172 novas vagas de residências médicas, entre 2011 e 2016, totalizando 7.957 bolsas-formação ofertadas pelo Ministério da Saúde.

Estratégia do "quanto pior, melhor" deu errado

Apesar das dificuldades criadas pela turma do contra, o governo elevou os repasses para o setor. Esse esforço possibilitou aumentar a ajuda aos hospitais filantrópicos e reduzir a defasagem da tabela de procedimentos do SUS.

Procedimentos do SUS tiveram aumento de até 3.673%

A remuneração dos médicos, laboratórios e hospitais que atendem pelo SUS jamais havia aumentado tanto quanto durante o período dos governos Lula e Dilma. Em 2013, além dos aumentos na tabela de procedimentos, 11 intervenções cirúrgicas para tratamento de câncer passaram a ser cobertas pelo SUS. A última alteração dos procedimentos oncológicos da tabela do SUS havia acontecido em 1993. O número de estabelecimentos credenciados para o atendimento de oncologia cresceu de 260 para 279 unidades.

Alexandre Padilha destaca importância do Mais Médicos

Estádios da Copa 2014 x Hospitais

Recursos destinados à construção de arenas não saíram do Orçamento-Geral da União

É falso dizer que os governos Lula e Dilma deixaram de construir hospitais para construir estádios para a Copa de 2014. Isso porque não houve recurso do Orçamento-Geral da União (OGU) - que é o recurso que se usa para construir UPA, UBS e Hospitais -, para a construção de arenas. Sendo assim, o governo federal só disponibilizou para a construção dos estádios o financiamento para os entes locais que quisessem captar.

Para a construção dos estádios, o BNDES abriu a linha de financiamento "BNDES ProCopa Arenas", com o teto máximo de R$ 400 milhões por projeto, que foi oferecido à sociedade e associações com sede e administração no Brasil. O investimento total nas arenas foi de R$ 8,3 bilhões, sendo R$ 3,8 bilhões de financiamento, R$ 3,9 bilhões de recursos locais e R$ 600 milhões de recursos privados.

É preciso lembrar que os governos petistas foram os que mais investiram em saúde pública na história do Brasil. Foram os governos de Lula e Dilma que criaram mais leitos de UTI do SUS no país, mais do que todos os outros governos somados. Dos 22,6 mil leitos da rede pública que o país tem hoje, grande parte foi criada entre a posse de Lula e o golpe contra Dilma Rousseff. Neste período, foram habilitados 11.678 novos leitos de UTI em todo o Brasil - adulto, pediátrico, neonatal e Unidade Coronariana (UCO).

Atenção básica


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Governos de Lula e Dilma duplicaram investimento e ampliaram cobertura por todo o país

União, Estados e Municípios definiam, de forma conjunta, divisão de recursos

Com Lula e Dilma, o significado da expressão Atenção Básica foi levado ao pé da letra. As Unidades Básicas de Saúde (UBS), consideradas a “porta de entrada” para o sistema de saúde tornaram-se instrumentos de uma ampla política de proteção e inclusão social, com investimento maciço no atendimento às mulheres, às crianças, às pacientes com doenças crônicas e aos idosos de todas as camadas sociais, mas sobretudo os que vivem nas periferias das grandes cidades e nos médios e pequenos municípios, em especial àqueles com maior dificuldade de acesso.

Antes do governo Lula, em 2002, as transferências do Ministério da Saúde para a atenção básica nos municípios era de R$ 56,43 per capita, em valores atualizados para 2021. Em 2015, havia chegado a R$ 105,58, incluindo os valores destinados à ampliação da Estratégica de Saúde da Família, à criação de equipes de atenção básica para a população em situação de rua, às UBS fluviais e ao atendimento à população ribeirinha na Amazônia. Os critérios de divisão desses recursos eram definidos de forma negociada entre a União, os Estados e os Municípios: em 2015, apenas 4% eram de emendas parlamentares, mas esse percentual aumentou ano a ano até chegar em 27% em 2021. Ou seja, mais de ¼ do orçamento de custeio das ações e serviços de atenção básica passaram a ser alocados entre os municípios pelos parlamentares, e deixaram de seguir a pactuação entre os gestores municipais, estaduais e federal.

Unidades básicas de saúde fluviais levam atendimento para comunidades no interior da Amazônia. | Foto: Divulgação/Ministério da Saúde

Unidades básicas de saúde fluviais levam atendimento para comunidades no interior da Amazônia. | Foto: Divulgação/Ministério da Saúde

A partir de 2020, a autoria de parte das emendas parlamentares não consta do sistema de pagamentos do governo federal, o SIAFI. São as emendas de relator (RP9), que ficaram conhecidas como o orçamento secreto. Quase metade das emendas parlamentares pagas pelo MS em 2020 e 2021 são do orçamento secreto.

Saúde da Família cobriu mais de 124 milhões de habitantes

Em 2002, apenas 30,4% dos brasileiros eram atendidos pelo programa; cobertura saltou para 62,6% em 2016

Até maio de 2016, em 5.476 municípios brasileiros, os primeiros sintomas de qualquer doença colocavam para funcionar uma cadeia de cuidados, na maior parte iniciados por um dos 265 mil Agentes Comunitários de Saúde (ACS), e efetivados pela atenção das 40,3 mil equipes multiprofissionais, que contam com auxiliares de enfermagem, enfermeiros, médicos e podem contar com outros profissionais de saúde, como agentes de combate às endemias (ACE), cirurgiões dentistas e técnicos em saúde bucal.

O programa tornou-se o pilar da reorganização da Atenção Básica. Ficaram na literatura ou nas fotografias de arquivo dos jornais as imagens do passado, com crianças famintas, gravemente desnutridas e desidratadas, sem que a mãe pudesse ou soubesse o que fazer e sem ter a quem recorrer.

Quando Lula foi eleito em 2002, 30,4% dos brasileiros eram atendidos por equipes de Saúde da Família. Em 2016, depois do aumento dos investimentos federais, a cobertura subiu para 62,6% da população, tornando a Estratégia Saúde da Família uma política de estado.

O governo Bolsonaro, entretanto, vem desmontando as políticas de atenção básica: acabou com o financiamento das equipes multiprofissionais dos Núcleos Ampliados de Saúde da Família (NASF), que garantiam a presença de fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais, farmacêuticos, nutricionistas e outros profissionais nas Unidades Básicas de Saúde.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Brasil Sorridente - O maior programa gratuito de saúde bucal do mundo

Amplo investimento ampliou atenção à saúde bucal e permitiu que brasileiros sorrissem

Em 2004, 20% da população já tinha perdido todos os dentes. O resultado foi a criação de um estigma: o sorriso desdentado como símbolo da miséria, da falta de cuidados e da ausência do Poder Público.

Em 2016, 83 milhões de brasileiros passaram a ter um bom motivo para sorrir. O programa Brasil Sorridente, que investiu R$ 13,5 bilhões (em valores de 2021) nos primeiros doze anos de existência (2004 - 2015), reformulou completamente a Atenção Básica em saúde bucal e, até 2016, contou com mais de 24 mil equipes de saúde bucal trabalhando na Estratégia Saúde da Família de 5.030 municípios.

Para os casos mais complexos ou para restaurar o sorriso dos milhões de brasileiros que tiveram seus dentes arrancados – principalmente os mais idosos – foram criados 1.033 Centros de Especialidades Odontológicas (CEO). Além disso, de 2004 a 2015, foram disponibilizadas mais de 3 milhões de próteses dentárias. Elas foram entregues gratuitamente a pessoas que tiveram suas bocas mutiladas no passado.

Graças ao programa, o Brasil passou a fazer parte, em 2010, do grupo de países com baixa incidência de cárie dentária, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). E mais: com as ações de prevenção, tratamento básico, atendimentos especializados, cirurgias, tratamentos de canal e reabilitação em saúde bucal do Brasil Sorridente, cerca de 400 mil dentes a menos foram extraídos por ano!

Apesar do sucesso, o programa vem sendo sucateado desde o golpe de 2016. Falta de financiamento, perda de priorização e reduções em implantações de Centro de Especialidades Odontológicas, laboratórios de Prótese, equipes de Saúde da Família, cobertura da fluoretação de água do abastecimento público são algumas das razões que interferem no alcance do programa.

Em junho de 2019, Bolsonaro vetou a lei que garantia assistência odontológica para pacientes internados em hospitais. Em junho de 2020, exonerou a cirurgiã dentista que coordenava a saúde bucal desde junho de 2019 (a coordenação ficou vazia nos primeiros 5 meses de governo). Em seu lugar foi nomeado um especialista em eventos, exonerado um mês depois diante da repercussão.

Lula simula atendimento odontológico, durante lançamento do programa Brasil Sorridente na cidade de Caruaru. | Foto: Ricardo Stuckert

Lula simula atendimento odontológico, durante lançamento do programa Brasil Sorridente na cidade de Caruaru. | Foto: Ricardo Stuckert

Brasil Sorridente é o maior programa de atendimento odontológico público

Mais e melhores unidades básicas de saúde em todo o Brasil

Com mais de 15 mil obras, governo federal reforçou capacidade de atendimento do SUS

O investimento na renovação das instalações físicas onde trabalham os profissionais de Saúde da Família é outro bom exemplo da estratégia dos governos petistas para a área da Saúde. Os recursos federais destinados a investimentos em construção de UBS e compras de equipamentos para os serviços de atenção básica foram de R$ 15 bilhões até 2015, aumentando a capacidade de atendimento do SUS.

Até abril de 2016, foram concluídas 15.720 obras, das quais 5.248 obras de ampliação, 4.286 de construções, 6.186 de reformas concluídas e, até o último mês do governo Dilma, estavam em funcionamento 45.256 UBS.

Até 2016, Brasil passou a contar com mais de 45,2 mil UBS. | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Até 2016, Brasil passou a contar com mais de 45,2 mil UBS. | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Saúde na Escola beneficiou 97 mil instituições em 97% dos municípios

Programa feito em conjunto entre Ministérios da Saúde e Educação atinge, até hoje, mais de 23 milhões de estudantes

Médicos, pedagogos, agentes comunitários de saúde, professores, pais de alunos e técnicos de enfermagem e enfermeiros trabalham juntos para prevenir doenças e promover a saúde de crianças, adolescentes e jovens matriculados na rede pública de ensino.

Criado em 2007, o programa Saúde na Escola envolveu, de maneira inédita, os Ministérios da Saúde e da Educação. No ambiente escolar, os profissionais fazem o diagnóstico precoce de doenças crônicas, o controle de cáries, detectam problemas de visão e identificam o estado nutricional dos alunos.

Até 2016, 70 mil escolas, pré-escolas e creches, com maioria de alunos do Bolsa Família, fizeram parte do programa, que atende crianças e jovens em 4.813 municípios. A ampliação do programa Saúde na Escola para as creches e pré-escolas integrou a ação Brasil Carinhoso, que foi concebida numa perspectiva de garantir atenção integral a crianças e jovens, reforçando políticas ligadas à saúde e à educação.

Apesar do desmonte nas políticas públicas nas áreas de educação e saúde, o programa resistiu e, em 2022, ainda atinge 97% (5.422) dos municípios brasileiros, 97.389 escolas e mais de 23 milhões de estudantes.

Saúde na Escola garantiu diagnóstico precoce de doenças crônicas, controle de cáries e identificação do estado nutricional dos alunos | Foto: Ricardo Stuckert

Saúde na Escola garantiu diagnóstico precoce de doenças crônicas, controle de cáries e identificação do estado nutricional dos alunos | Foto: Ricardo Stuckert

Saiba como funciona o Programa Saúde na Escola

Saúde Mental - Atenção psicossocial e integração à família se tornaram prioridade a partir do governo Lula

Nos governos petistas, saúde mental tornou-se prioridade e orçamento destinado à área saltou mais de 800%

Em 2001, um ano antes da eleição de Lula, a lei da reforma psiquiátrica acabou com os antigos hospitais psiquiátricos - aqueles dos quais os pacientes saíam (quando saíam) com sequelas piores que a própria doença que entraram para tratar.

Coube aos governos Lula e Dilma investirem em uma nova política de atenção à saúde mental para atender as pessoas com sofrimento ou transtornos mentais de maneira humanizada e acolhedora, com a finalidade de integrá-los à família e à sociedade.

Durante os 13 anos dos governos petistas, o orçamento destinado à saúde mental aumentou mais de 800%, saltando de R$ 191 milhões, em 2003, para R$ 1,8 bilhão em 2015 (valores corrigidos para 2021). A reforma psiquiátrica foi efetivada no governo Lula com a expansão do modelo de atenção à saúde mental baseado nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). O número de CAPS chegou a 2.743 unidades em maio de 2016. Criados no início dos anos 1990, os CAPS contam com equipes multiprofissionais e envolvem a comunidade e a família no tratamento de pessoas com sofrimento ou transtornos mentais.

Outro programa criado do governo Lula foi o De Volta Para Casa, um auxílio reabilitação psicossocial pago mensalmente para pessoas que perma em longas internações psiquiátricas. O programa faz parte do resgate da cidadania das pessoas submetidas à privação da liberdade nos hospitais psiquiátricos brasileiros.

Importante lembrar que, em 2019, no primeiro ano do governo Bolsonaro, foi publicada uma nota técnica do Ministério da Saúde incentivando a utilização de eletroconvulsoterapia e financiando a compra de aparelhos. Mas a reação da comunidade foi imediata e a pasta desistiu de levar adiante mais esse retrocesso. Também incentivou o retorno à hospitalização, retirando o protagonismo da política de redução de danos e adotando o modelo de tratamento em comunidades terapêuticas, o que significa a volta do modelo manicomial que havia sido superado com a reforma psiquiátrica.

Com fim dos hospitais psiquiátricos, Lula e Dilma investiram em nova política de saúde mental. | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Com fim dos hospitais psiquiátricos, Lula e Dilma investiram em nova política de saúde mental. | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Melhoria de condições sanitárias reduziu mortalidade de bebês indígenas

Mortalidade infantil passou de 74,6 mortes por 1 mil nascidos vivos, em 2000, para 33,2, em 2016

A saúde indígena deixou de ser mais uma das ações desenvolvidas pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para ser o foco exclusivo de uma secretaria criada pelo Ministério da Saúde, em 2010. O principal objetivo foi o de atendimento dos índios brasileiros pelo SUS de maneira integral. Os governos de Lula e Dilma investiram principalmente na melhoria das condições sanitárias, no manejo de lixo e no abastecimento d’água das aldeias.

Em consequência desses esforços, a mortalidade infantil entre os bebês indígenas caiu continuamente. A taxa passou de 74,6 mortes por 1.000 nascidos vivos no ano 2000 para 33,2, em 2016.

Em 2019, porém, após o fim da execução do programa Mais Médicos, a mortalidade de bebês indígenas voltou a subir no Brasil: foram 530 bebês indígenas, com até um ano de idade, mortos no período de janeiro a setembro daquele ano.

Apesar dos avanços conquistados e redução da mortalidade, fim do Mais Médicos fez aumentar mortes entre bebês indígenas. | Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Apesar dos avanços conquistados e redução da mortalidade, fim do Mais Médicos fez aumentar mortes entre bebês indígenas. | Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Atendimento de urgência


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SAMU agilizou atendimento, salvou vidas e ofereceu cobertura em situações de emergência a 76% da população

Criado em 2004, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência passou a beneficiar mais de 157 milhões de pessoas

Parecia óbvio que, num país com tantas metrópoles e com tantas comunidades em lugares isolados, não existisse um sistema de atendimento de emergência capaz de socorrer pessoas de maneira rápida e eficaz.

Era uma necessidade óbvia, mas até 2004 o Brasil não possuía nada semelhante ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Até então, um atendimento de emergência, independentemente da gravidade, dependia sempre do apoio do Corpo de Bombeiros.

Antes do SAMU, muitas pessoas eram socorridas em vans transformadas em precárias ambulâncias ou em carros de parentes, quando não dependiam da solidariedade de terceiros.

A situação começou a mudar em 2004, com a decisão do presidente Lula de criar o SAMU. Ao fim de seu primeiro mandato, em 2006, o SAMU já operava com 885 ambulâncias básicas e 238 UTI móveis, em 903 municípios, com 112 centrais de regulação.

Até 2016, ano do golpe, 3.049 municípios de todos os estados brasileiros já haviam recebido 2.525 ambulâncias básicas, 583 UTIs móveis e 185 centrais de regulação, cobrindo nada menos que 76% da população brasileira - ou 157 milhões de pessoas.

SAMU deu cobertura em situações de emergência a 75% da população do país. | Foto: Ricardo Stuckert

SAMU deu cobertura em situações de emergência a 75% da população do país. | Foto: Ricardo Stuckert

Entre 2011 e 2015, o Ministério da Saúde aumentou em 82% os recursos repassados aos estados e municípios para a operação do SAMU. Em valores corrigidos para 2021, o valor saltou de R$ 753 milhões anuais para R$ 1,37 bilhão.

SAMU e as motocicletas que salvam vidas

Hospitais de emergência receberam recursos para comprar equipamentos

S.O.S foi criado para melhorar a gestão hospitalar e também qualificar atendimento

Em 2011, o governo Dilma tomou a iniciativa de estabelecer parceria com estados e municípios para enfrentar as causas da superlotação e lentidão no atendimento de pronto-socorros e hospitais de emergência. Cada estabelecimento participante podia receber R$ 4,3 milhões ao ano para custeio (manutenção, treinamento de profissionais e pagamento de salários) e mais R$ 1,3 milhão para reforma ou aquisição de novos equipamentos.

O S.O.S Emergências teve início com 11 hospitais, mas até 2016 contou com 31 hospitais beneficiados. Naquele mesmo ano, havia 3.211 leitos de retaguarda para a emergência desses hospitais, com incentivos de custeio que podem alcançar até 200% na diária da tabela do SUS.

O Programa S.O.S. Emergências buscava implementar estratégias concretas de defesa e valorização da vida de pessoas que estão em situação de fragilidade e necessidade de cuidados em saúde. Era uma proposta de mudança do modelo de gestão da atenção à saúde nas emergências que pudesse ser usado como modelo para a rede de urgência e emergência.

UPA 24h - Unidades de Pronto Atendimento melhoraram assistência e desafogaram hospitais

Até 2016, governos Lula e Dilma construíram 449 UPA

Não era apenas um serviço de atendimento de urgências que faltava ao Brasil em 2002. Não havia um serviço intermediário entre os cuidados básicos nas Unidades Básicas de Saúde e as emergências dos grandes hospitais, que sofriam com a superlotação e filas intermináveis. As Unidades de Pronto Atendimento (UPA) foram criadas no governo Lula para preencher essa lacuna.

Cada UPA é equipada e formada por equipes profissionais capazes de atender pessoas com crises de hipertensão, febre alta, cortes profundos, fraturas, infartos e derrame (AVC). A transferência para um hospital ocorre apenas em casos mais graves e após a estabilização do paciente.

Até 2016, estavam em funcionamento 449 UPA, responsáveis por 117,9 mil atendimentos diários ou 3,5 milhões mensais.

A UPA 24h de Horizonte, no Ceará, foi uma das unidades inauguradas em 2013 pela presidenta Dilma. | Foto: Roberto Stuckert

A UPA 24h de Horizonte, no Ceará, foi uma das unidades inauguradas em 2013 pela presidenta Dilma. | Foto: Roberto Stuckert

Doação de órgãos


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Até 2016, SUS realizava 95% dos transplantes no país

Governos Lula e Dilma promoveram todo ano campanha de estímulo à doação de órgãos e tecidos para aumentar adesão da sociedade

Entrar na fila para o transplante de um órgão significava iniciar uma terrível luta contra a doença e contra o tempo. Muitas vezes a morte chegava antes. A espera ainda é angustiante, mas já é bem menor do que em 2002. A fila para receber uma córnea é um símbolo dessa mudança positiva: em seis estados brasileiros (Paraná, Pernambuco, São Paulo, Rio Grande do Sul, Acre e Minas Gerais) e no Distrito Federal já não há mais espera. Outros sete estados devem seguir a tendência.

Até 2016, 95% dos procedimentos foram realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sendo o maior sistema público de transplantes do mundo. Em 2003, foram realizados 12.722 transplantes. Em 2015, o número chegou a 24.390, um aumento de 92%. As transferências federais para estados e municípios foram de R$ 1,2 bilhão em 2015, em valores corrigidos para 2021, valor quatro vezes maior que o de 2002. A mudança na cultura dos brasileiros, com a gradativa quebra de preconceito de potenciais doadores, também foi decisiva para a expansão da captação de órgões e do número de transplantes: a recusa para doação caiu para 43%, em 2016. Essa taxa foi de 80%, em 2003.

Outro dado que reforça essa mudança de comportamento é a de que o Brasil levou 23 anos (1987 a 2010) para chegar a 9,9 doadores por milhão de pessoas, enquanto, em 2016, esse índice cresceu para 14,6 (PMP), totalizando 2.981 doadores efetivos de órgãos.

O Brasil ainda tem o maior sistema público de transplante de órgãos do mundo e hoje realiza cerca de 96% dos procedimentos por meio do SUS - aumento de 1 ponto percentual se comparado aos governos Lula e Dilma. Em 2021, o SUS realizou 23,9 mil transplantes, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, redução de 5,2% em comparação com 2016, quando foi de 25,3 mil.

Transplante de órgãos
Campanha de doação de órgãos de 2013. | Foto: Reprodução/Ministério da Saúde

Campanha de doação de órgãos de 2013. | Foto: Reprodução/Ministério da Saúde

Rede integrada de serviços de transplantes

Até 2016, o Brasil contava com uma rede integrada de serviços de transplantes em 26 estados e no Distrito Federal (DF), sendo 27 Centrais de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos, além de câmaras técnicas nacionais, 481 Centros de Transplantes, 1.180 equipes de Transplantes e 67 Organizações de Procura de Órgãos (OPOs).

Saúde da mãe e da criança


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Atenção integral reduziu mortalidade infantil e materna em todo o país

Incentivo ao parto normal, ao aleitamento materno e acompanhamento vacinal foram ampliados

Entre a parcela da população considerada mais vulnerável, dois grupos são ainda mais vulneráveis às consequências da pobreza: as crianças e as mulheres.

Para governos que colocaram os mais pobres no centro de suas prioridades, era inevitável construir e executar políticas públicas específicas para as mães e seus filhos. Foi isso que Lula fez. E Dilma continuou a fazer.

Para as crianças e as mulheres, a atenção à saúde passou a ser integral, começando antes do nascimento e prosseguindo por toda a infância.

Para isso, a atenção básica foi ampliada e reorganizada para o correto atendimento do pré-natal, com incentivo ao parto normal, ao aleitamento materno e com o acompanhamento do calendário das vacinas.

A Rede Cegonha e a modernização das maternidades fizeram do Brasil um lugar mais saudável para gestar, nascer e crescer.

Grávidas e puérperas foram beneficiadas por políticas públicas específicas para mães e filhos nos governos do PT. | Foto: Arquivo/Agência Brasil

Grávidas e puérperas foram beneficiadas por políticas públicas específicas para mães e filhos nos governos do PT. | Foto: Arquivo/Agência Brasil

Outro indicador menos conhecido do público, a mortalidade neonatal, ou seja, a morte de bebês com menos de 27 dias de vida, também caiu durante os governos Lula e Dima: de 15,4 mortes por 1000 nascidos vivos, em 2002, para 11,1, em 2010.

Rede Cegonha garantiu assistência à mãe e ao bebê na gravidez e no parto

Com programa, mulheres tiveram atendimento e acolhimento garantidos

Para brasileiras de várias gerações, engravidar era iniciar uma aventura com desfecho imprevisível. A Rede Cegonha foi criada para que mães e bebês fossem prioridade absoluta antes, durante e logo após o parto. Até 2016, em 5.488 municípios, o programa garantiu a qualidade e a humanização do parto para mais de 2,8 milhões de gestantes, desde o pré-natal até a criança completar dois anos de idade. Até 2015, a Rede Cegonha investiu mais de R$ 4 bilhões (em valores corrigidos para 2021) para ampliação e qualificação de leitos de UTI neonatais, leitos de gestação de alto risco, partos, novas maternidades, Centro de Parto Normal (CPN), Casa de Gestante, Bebe e Puérperas (CGBP), distribuição de testes rápidos e exames de pré-natal.

Em 2012, primeiro ano de funcionamento pleno da Rede Cegonha, foram realizadas 20,8 milhões consultas pré-natal. Em 2015, foram 26,5 milhões de consultas.

Em 2022, o governo de Jair Bolsonaro publicou a Portaria nº 715, que desmonta a Rede Cegonha e institui a Rede de Atenção Materna e Infantil (Rami). Como a maioria das decisões tomadas por esta gestão, esta sequer foi discutida com profissionais da área. No caso desta portaria foi ainda pior: foi publicada sem pactuação com os representantes das secretários estaduais de saúde, o CONASS, e das secretarias municipais, o CONASEMS.

O novo programa do governo, segundo o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), altera a lógica do cuidado, trazendo novamente a centralidade na figura do médico obstetra, e desmontando a assistência integral, além de acabar com os Centros de Parto Normal, desconsiderando a formação e as competências das enfermeiras obstétricas.

Importante ressaltar que a Enfermagem Obstétrica é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como primordial na atuação multidisciplinar e com especialistas na retaguarda.

Somente em 2015, Rede Cegonha realizou mais de 26 milhões de consultas. | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Somente em 2015, Rede Cegonha realizou mais de 26 milhões de consultas. | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Aumento do número de mulheres que fizeram o pré-natal completo

Em 2000, 46% dos bebês nasciam de mães com pré-natal completo; percentual saltou para 66,9%, em 2015

Realizar acompanhamento com médico, enfermeira, e outros profissionais de saúde, ultrassonografia e todos os exames necessários passou a ser uma realidade para a maioria das mulheres brasileiras grávidas.

Para que o pré-natal fosse iniciado logo nas primeiras semanas, nos governos Lula e Dilma foram distribuídos gratuitamente testes rápidos de gravidez.

Com a gestação comprovada, as futuras mães tiveram acesso também a exames de sífilis e HIV.

O resultado foi que, se no ano 2000, menos da metade dos bebês (46,0%) nasceram de mulheres que tiveram acesso ao pré-natal completo (o mínimo de sete consultas, segundo a Organização Mundial de Saúde), em 2010, esse percentual foi de 61,1%, e em 2015 chegou a 66,9%.

Mulheres passaram a ter mais acesso às informações e a realizar mais consultas de pré-natal com incentivo do governo. | Foto: Ministério da Saúde

Mulheres passaram a ter mais acesso às informações e a realizar mais consultas de pré-natal com incentivo do governo. | Foto: Ministério da Saúde

SUS incentivou parto normal

Com estrutura e profissionais, 100 Centros de Parto Normal reforçaram partos naturais no Brasil

Em todo o Sistema Único de Saúde, a gestante é quem deve tomar as decisões relativas ao parto. Nos governos Lula e Dilma, os recursos foram investidos para garantir à mulher as condições para decidir em paz, livre de pressões.

Uma inovação foi a criação dos Centros de Parto Normal (CPN), onde as mães podem ter seus filhos de forma natural, com apoio de um acompanhante e contando com banheiras e massagens. Até 2016, foram 100 centros conveniados: 8 para construção, 57 para ampliação e 35 para reforma.

Em Centros de Parto Normal, mulheres passaram a ser protagonistas nos nascimentos dos bebês. | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em Centros de Parto Normal, mulheres passaram a ser protagonistas nos nascimentos dos bebês. | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Mais estrutura para atender gestantes de alto risco

Além disso, Lula e Dilma também garantiram mais recursos para maternidades com foco em gestação de alto risco

Os investimentos em ampliação e modernização de maternidades e UTI neonatais e pediátricas garantiram para um número cada vez maior de pequenos brasileiros o mais básico dos direitos: nascer em segurança.

De 2011 a março de 2016, foram ampliados e qualificados 9.980 leitos para gestantes de alto risco, UTI e UCI neonatal, garantindo que mulheres e bebês tivessem o cuidado adequado na hora do parto. Para Lula e Dilma, a qualificação foi além das obras de engenharia e da aquisição de tecnologia: as maternidades passaram a receber mais recursos por cada procedimento clínico ou cirúrgico em gestantes de alto risco.

Governos petistas ampliaram e qualificaram quase 10 mil leitos para grávidas de alto risco. | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Governos petistas ampliaram e qualificaram quase 10 mil leitos para grávidas de alto risco. | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Vacinação atingiu 95% das crianças

Desde 2015, no entanto, taxa de imunização infantil segue em queda no Brasil

Proteger a saúde da criança exige mais do que atendimento médico. Para reforçar a prevenção de dezenas de doenças que podem ser fatais, no período de 2003 a 2016, novas vacinas foram incorporadas pelo SUS ao calendário oficial de imunização em praticamente todos os anos.

As novidades começaram a ser introduzidas já em 2003. Em 2012, a vacina injetável de poliomelite passou a complementar as tradicionais campanhas da “gotinha”. Em 2013, as crianças passaram a ser protegidas também contra a varicela e, no ano seguinte, contra a hepatite A. Tão importante quanto a oferta de vacinas é o alcance da cobertura, que chegou a 95% das crianças em 35 mil postos de saúde.

Desde 2015, no entanto, há queda das coberturas vacinais, que voltaram ao patamar dos anos 1980. Grupos antivacina, que nunca vingaram no Brasil, tentam conseguir espaço nas mídias e nas redes sociais na esteira do bolsonarismo. Com a pandemia da Covid-19, a desqualificação da vacina por meio de fakenews tornou-se uma prática do governo.

Plano Nacional de Imunização tornou-se exemplo para o mundo. | Foto: Ricardo Stuckert

Plano Nacional de Imunização tornou-se exemplo para o mundo. | Foto: Ricardo Stuckert

Reforço em exames e medicamentos na luta contra o câncer de mama

Mortalidade feminina caiu 12% em 10 anos. Apesar disso, número de mamografias foi reduzido após o golpe

Os cuidados integrais com a saúde da mulher não ficaram limitados à gestação e à maternidade. A atenção às doenças do coração, vasculares e ao câncer – principalmente de mama e de colo de útero – reduziu em 12% a mortalidade feminina entre 2000 e 2010. Os recursos destinados ao diagnóstico, tratamento e prevenção do câncer tiveram crescimento de 37,3%, passando de R$ 1,9 bilhão, em 2010, para R$ 2,8 bilhões, em 2013.

Além de disponibilizar no SUS um dos medicamentos mais eficazes contra o câncer de mama – o Trastuzumabe – e ampliar os serviços de radioterapia, os governos petistas reforçaram os serviços de mamografia para diagnóstico precoce do câncer de mama. Em 2015, 4,5 milhões de mamografias foram realizadas, principalmente em mulheres de 50 a 69 anos. No entanto, este número vem caindo desde 2017. Em 2019, ano anterior à pandemia, já tinha caído para 4,1 milhões, 7,5% menos que em 2015. O quadro piorou ainda mais em 2020, com a pandemia, quando apenas 2,5 milhões de mamografias foram realizadas pelo SUS, 43,8% a menos do que em 2015. Em 2021, foram 3,5 milhões, patamar ainda bem inferior (-23,3%) em comparação com 2015.

Prevenção


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Restrições ao consumo de cigarro e álcool se tornaram políticas de Estado

Com articulações e legislação antifumo, número de fumantes caiu 40% em 12 anos

Promover uma vida saudável requer mudar hábitos arraigados, transformar costumes e enfrentar preconceitos.

Os programas dos governos de Lula e Dilma contribuíram bastante para isso, mas é preciso uma ação permanente articulada com o Poder Legislativo e a sociedade. Desde 2003, a prevenção passou a ser uma política de Estado.

Como resultado de uma articulação entre governo federal e Congresso Nacional, a legislação antifumo tornou-se ainda mais rigorosa. Hoje é proibido fumar em qualquer local fechado, privado ou público. Entre 2006 e 2018, a quantidade de fumantes no Brasil caiu 40% e atingiu seu menor índice, pois apenas 9,3% dos brasileiros consultados declararam ser fumantes. Os dados são da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2018) realizada anualmente pelo Ministério da Saúde.

O levantamento é um importante instrumento para desenvolver políticas de saúde preventiva. Segundo a última pesquisa, a prevalência de fumantes é mais alta entre os homens (12,1%) do que entre as mulheres (6,9%).

Poucas transformações, porém, foram tão bem assimiladas pela população quanto aquelas relativas à saúde sexual: a distribuição de preservativo passou a fazer parte do cotidiano da população, bem como as campanhas publicitárias que abordam diretamente o assunto e foram apontadas pela OMS como exemplares.

Anvisa alerta os fumantes dos perigos do consumo do cigarro. | Foto: Divulgação

Anvisa alerta os fumantes dos perigos do consumo do cigarro. | Foto: Divulgação

Lei Seca reduziu acidentes e mortes no trânsito

Operação tornou-se rotina nas ruas do Brasil e ajuda reduzir acidentes e mortes causadas por embriaguez no trânsito

Também em parceria com o Congresso Nacional, foi aprovada, em junho de 2008, a chamada Lei Seca, que reduziu o limite de álcool permitido na corrente sanguínea dos motoristas e previa o uso do bafômetro para comprovar a embriaguez. Só no primeiro ano de aplicação da lei, a taxa de mortes por acidentes caiu em 7,4%.

Em 2011, a Organização Mundial da Saúde lançou proposta mundial de redução de 50% no índice de mortalidade nas ruas e estradas até 2020. No Brasil, o governo Dilma lançou o PARADA – Pacto Nacional pela Redução de Acidentes – Um Pacto pela Vida, que promoveu campanhas de conscientização, ações de mobilização e educativas com o objetivo de diminuir o número de mortes e outros danos causados por acidentes de trânsito.

Em 2012 e 2013, a Lei Seca tornou-se ainda mais rigorosa, permitindo o uso de outros meios para comprovar o estado de embriaguez ao volante, e reduziu o limite máximo de álcool para 0,05 miligramas por litro de ar expelido. Segundo um estudo do Centro de Pesquisa e Economia do Seguro (CPES), entre 2008 e 2016 a Lei Seca teria evitado a morte de quase 41 mil pessoas.

Como de costume, Bolsonaro decidiu mexer no que estava dando certo e, em 21 de outubro de 2021, sancionou a lei que altera o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). As mudanças só não foram mais drásticas no sentido de amenizar o rigor no trânsito porque o Congresso Nacional alterou pontos importantes da lei - como o absurdo de desobrigar o uso da cadeirinha para bebês e crianças no banco de trás dos veículos.

Em um ano de legislação, taxa de mortes por acidentes caiu no Brasil. | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Em um ano de legislação, taxa de mortes por acidentes caiu no Brasil. | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Academias da Saúde estimularam exercícios em espaços públicos

Instalados em locais de fácil acesso, uso de equipamentos tornou-se parte da rotina da população

A mudança do estilo de vida nas grandes cidades, os novos hábitos alimentares e a escassez de espaços para lazer e esportes em muitas cidades do interior mudaram a silhueta dos brasileiros de todas as regiões, classes sociais e gênero. Em 2012, a proporção de pessoas com sobrepeso ou obesas alcançou 49%, quase metade da população. As Academias da Saúde foram criadas para facilitar o acesso da população aos exercícios físicos e reduzir a ameaça da diabetes, da hipertensão arterial e de outras doenças crônicas que podem matar.

As academias foram instaladas em locais de fácil acesso para a comunidade, com equipamentos esportivos e espaço para receber orientações de professores de educação física e nutricionistas. De 2011 a 2015, foram habilitadas mais de 3,8 mil propostas para construção de polo do Programa Academia da Saúde e 450 projetos locais reconhecidos como similares, ultrapassando 4,2 mil implantações do programa em todas as regiões do País. Até 2016, dos 3,8 mil habilitados para construção, mais de 1,6 mil polos foram finalizados.

Até 2016, quase 4 mil polos do Programa Academia da Saúde foram habilitados para construção. | Foto: Geovanna Albuquerque/Agência Brasília

Até 2016, quase 4 mil polos do Programa Academia da Saúde foram habilitados para construção. | Foto: Geovanna Albuquerque/Agência Brasília

Menos sódio e mais alimentação saudável

Além de acordo com indústrias de produtos alimentícios para reduzir sódio, Brasil fez Pacto Nacional pela Alimentação Saudável

Comer mais do que cinco gramas de sal por dia pode causar hipertensão, doenças cardiovasculares, problemas renais e alguns tipo de câncer. E o brasileiro come muito sal. Pior: come sem saber, pois o sal está presente na composição da maior parte dos alimentos industrializados. Em 2011, o governo deu o primeiro passo para tornar a vida no Brasil mais saudável, ao assinar um acordo com as indústrias que produzem massas instantâneas, pães, biscoitos, mistura para bolos e maioneses, para que elas retirassem até 30% do sódio dos seus produtos.

Em 2012, foi assinado outro acordo – nesse caso, com os fabricantes de temperos, caldos prontos e margarinas, com o objetivo de reduzir o sódio das mercadorias que produzem. Finalmente, um terceiro acordo foi fechado em novembro de 2013 com as indústrias processadoras de requeijão, mortadelas, linguiças, queijos e presuntos, para se adequarem aos padrões estabelecidos, auxiliando na queda do consumo de sódio, o principal componente do sal. Entre 2011 e 2016, segundo balanço divulgado pela Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia), 17 mil toneladas de sódio foram retirados dos alimentos e deixaram de ser consumidos.

Em 2015, Dilma Rousseff assinou também o decreto que instituiu o Pacto Nacional pela Alimentação Saudável. O documento previu a ampliação das condições de oferta e disponibilidade de alimentos saudáveis para combater o sobrepeso, a obesidade e as doenças decorrentes da má alimentação da população brasileira.

Em cinco anos, 17 mil toneladas de sódio deixaram de ser consumidas pela população no Brasil. | Foto: Seduc/AM

Em cinco anos, 17 mil toneladas de sódio deixaram de ser consumidas pela população no Brasil. | Foto: Seduc/AM

Mais remédios e vacinas


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Acesso a medicamentos foi política prioritária nos governos Lula e Dilma

Programa passou a distribuir gratuitamente remédios para doenças crônicas comuns entre brasileiros

De que adiantaria sair da consulta com o médico sem dinheiro para comprar o remédio, mesmo sabendo que é preciso começar o tratamento imediatamente? Para milhões de brasileiros, o direito à saúde era limitado ao atendimento por um clínico ou especialistas, mas não vinha acompanhado de outro direito básico: o acesso aos bens capazes de garantir uma vida saudável.

Os governos de Lula e Dilma ampliaram os subsídios aos medicamentos, inovaram ao criar uma rede de distribuição desses remédios, a Farmácia Popular, que passou também a distribuir gratuitamente remédios para as doenças crônicas mais comuns entre os brasileiros de todas as classes sociais, faixas etária e regiões.

Os maiores beneficiados, contudo, foram os idosos, que antes conviviam com o fardo de ter a qualidade de vida irremediavelmente comprometida pelo peso dos medicamentos no orçamento doméstico.

Farmácias Populares deram desconto de 90% em remédios para colesterol, osteoporose, Parkinson e também contraceptivos. | Foto: Ministério da Saúde

Farmácias Populares deram desconto de 90% em remédios para colesterol, osteoporose, Parkinson e também contraceptivos. | Foto: Ministério da Saúde

Com Lula e Dilma, remédios para doenças crônicas foram distribuídos gratuitamente

Estabelecimentos conveniados à rede Farmácia Popular ofereceram gratuitamente medicamentos

Diabetes e hipertensão são doenças crônicas, controláveis e bastante conhecidas de toda a população. Mesmo assim, são as principais causas de morte no país e no mundo. Essas doenças estão relacionadas a cerca de 71% das mortes no mundo e, em 2015, representavam cerca de 75% das mortes com causas conhecidas no Brasil. Esses fatos evidenciam a emergência de ações de prevenção e de controle medicamentoso.

Com o Saúde Não Tem Preço, criado em 2011, no escopo do Programa Farmácia Popular do Brasil, por meio da Portaria GM/MS n° 184/2011, o número de beneficiados passou de 1,2 milhão, em 2011, para mais de 31 milhões de pessoas em 2015: 20,5 milhões de pessoas com hipertensão; 8,7 milhões de pessoas com diabetes ; e 2,7 milhões de pessoas com asma. A ampliação do acesso a medicamentos pelo Farmácia Popular para tratamento da hipertensão e da diabetes reduz em média 27,6% ao ano as internações hospitalares e em 8,0% as mortes causadas por essas doenças.

Em 2012, três remédios contra a asma, doença que é uma das principais causas de internações de crianças, também começaram a ser distribuídos de graça. Até 2015, 2,7 milhões de pessoas retiraram esses tipos de medicamentos. O resultado foi percebido imediatamente: o número de crianças internadas com asma caiu 16% somente no primeiro ano da distribuição.

Até abril de 2015, mais de 31 milhões de pessoas retiraram medicamentos de graça ou com até 90% de desconto.

Saúde não tem preço

Farmácia Popular alcançou mais de 35 mil pontos de venda em todo o Brasil

Apesar do sucesso no programa, farmácias foram fechadas após o golpe contra Dilma

Parecia algo natural e inevitável: os brasileiros que não podiam pagar o preço dos remédios enfrentavam filas imensas, de horas ou mesmo dias, para receber os medicamentos a que tinham direito. A Farmácia Popular, criada em 2003 pelo governo Lula, mudou esse quadro.

Em qualquer um dos 35 mil pontos de venda do programa, as pessoas passaram a comprar remédios com até 90% de desconto para colesterol, osteoporose, doença de Parkinson, glaucoma, rinite e dislipidemia, contraceptivos e até fraldas geriátricas. A partir de 2011, os medicamentos gratuitos para diabetes, hipertensão e asma passaram a ser retirados nos balcões da rede – a maioria em farmácias particulares cadastradas pelo Ministério da Saúde.

Até 2015, o programa atuou com 533 unidades próprias e 34,7 mil drogarias e farmácias credenciadas, presentes em 4,4 mil municípios. Infelizmente, o programa foi atingido pelo desmonte das políticas públicas após o golpe contra Dilma Rousseff. As farmácias próprias da rede foram todas fechadas em 2017, e o ritmo de inclusão de novas unidades privadas é mínimo. Em 2019, apenas uma farmácia havia sido credenciada até agosto.

Em plena pandemia, Bolsonaro decide reduzir Farmácia Popular

Programa sofre com políticas de retrocesso e cortes constantes em orçamento

Mesmo diante do avanço da pandemia do novo coronavírus, Bolsonaro decidiu reduzir a distribuição de remédios justamente para pessoas com doenças crônicas e pertencentes ao grupo de risco.

A cobertura de 2020, primeiro ano da pandemia, foi a menor desde 2014, com 20,1 milhões de beneficiários, uma redução de 1,2 milhão de pessoas. O orçamento do programa em 2021, de R$ 2,5 milhões, é 40,4% inferior ao de 2015, quando foi de R$ 4,2 bilhões em valores corrigidos pela inflação. Mesmo em valores correntes, o orçamento de 2015 (R$ 3,1 bilhões) foi 24% maior que o de 2021.

No período de 2013 a 2015, com o 'Saúde Não Tem Preço', 2,7 milhões de pessoas foram atendidas com receitas dos profissionais do Mais Médicos.

Com Lula e Dilma, lista de medicamentos aumentou

Número aumentou de 352 remédios disponíveis para 900 em 14 anos

Nos governos petistas, a relação de medicamentos fornecidos de graça pelo Sistema Único de Saúde para os brasileiros que não têm como pagar pelo tratamento aumentou a cada dois anos, a partir da atualização da listagem feita pelo Ministério da Saúde.

Em uma década, o número de remédios cresceu 140%. Em 2002, eram 352 remédios à disposição da população, em 2014 foram 844, todos comprovadamente eficazes. Assim, a lista chegou a, pelo menos, 900 remédios em 2016. Na lista de beneficiados, estão pacientes de doenças como hepatite tipo C, câncer de mama, artrite reumatóide, hipertensão arterial pulmonar, linfoma não-Hodgkin do tipo folicular, HIV, câncer de pulmão e infecções respiratórias.

Com mais medicamentos, mais alternativas são oferecidas para pacientes que não tiveram resposta com os tratamentos disponíveis, além da possibilidade de tratamento para doenças raras.

Fabricação de hemoderivados no Brasil

Criada por Lula, Hemobras produz medicamentos que pessoas com câncer, cirrose, Aids, entre outras doenças

As dificuldades criadas pela dependência crônica dos laboratórios estrangeiros impulsionaram uma decisão inovadora: o Brasil passou a ter uma empresa estatal exclusivamente para pesquisar, desenvolver e produzir medicamentos derivados do sangue.

A Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia, a Hemobras, é responsável pelo recolhimento, transporte e armazenamento das bolsas de plasma captadas nos centros fornecedores nacionais para fins de fracionamento industrial, e de todas as demais atividades envolvidas no fracionamento do plasma e na produção de hemoderivados.

Entre 2008 e 2015, foram disponibilizados 836,6 mil litros de plasma excedente para a indústria, sendo, em 2015, aproximadamente 117 mil litros de plasma. Os medicamentos produzidos ajudam a garantir a vida de hemofílicos e de pessoas com imunodeficiência genética, câncer, cirrose, Aids e queimaduras graves em tratamento no SUS.

Vacinação foi estendida a idosos e adolescentes

Com Lula e Dilma, SUS passou a ofertar todas as vacinas recomendadas pela OMS

O calendário oficial de vacinação no Brasil alcançava apenas as crianças. Em 2004, a proteção foi estendida por meio da Portaria nº 597 a adolescentes, adultos e idosos, que passaram a contar com seus respectivos calendários de imunização contra doenças como febre amarela, tétano e hepatite B, entre outras.

Além disso, as pessoas com mais de 60 anos eram vacinadas contra gripe em campanhas periódicas que atingiram, em média, 87% da população prevista, ou seja, em torno de 18,3 milhões de idosos imunizados contra a gripe em suas formas mais graves. Por meio do SUS, todas as vacinas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) passaram a ser ofertadas, um total de 20 vacinas no Calendário Nacional de Vacinação.

A proteção a novas faixas da população aconteceu simultaneamente à incorporação de novas e mais eficazes vacinas para proteger as crianças. Uma delas, a pentavalente, que evita cinco doenças (difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e contra a bactéria haemophilus influenza tipo b, que causa diversas doenças, entre as quais a meningite), passou a ser oferecida em 2012.

Já as três doses da vacina contra o HPV - produzida no Brasil – tem custo elevado em clínicas particulares, mas desde 2014 são oferecidas gratuitamente às meninas e aos meninos brasileiros.

Desde 2004, milhões de idosos recebem gratuitamente por ano a vacina contra o vírus Influenza | Foto: Agência Brasil

Desde 2004, milhões de idosos recebem gratuitamente por ano a vacina contra o vírus Influenza | Foto: Agência Brasil

O que os governos Lula e Dilma fizeram para acabar com as filas nos hospitais de emergência?

O governo trabalhou em duas das principais causas das filas nas emergências: a falta de estrutura de muitas unidades de urgência e a ausência de uma rede auxiliar de atendimento que desafogue os grandes hospitais. Para o primeiro caso, o governo criou um programa de apoio aos maiores hospitais municipais e estaduais de emergência do País, o SOS Emergências.

Vinte e dois hospitais receberam apoio financeiro: cada um recebe 3,6 milhões para serem usados no custeio (manutenção, treinamento de profissionais e pagamento de salários) e mais R$ 3 milhões para compra de novos equipamentos. Esse é um programa inédito na história da gestão da saúde brasileira. No segundo caso, o governo federal apoiou a construção de centenas de UPAS 24h por todo o país para atender casos que requerem apoio imediato como crises de hipertensão, febre alta, cortes profundos, fraturas, infartos e derrames. 303 já estavam em funcionamento em fevereiro. A previsão era concluir 877 até o final de 2014.

Por que o Brasil precisa recorrer a médicos estrangeiros para atender sua população? Eles tiraram o emprego dos médicos brasileiros?

Havia no Brasil, em junho de 2013, 1,8 médicos para cada mil habitantes. Na Argentina existem 3,2 médicos por mil. Comparado ao Uruguai (3,7 profissionais por mil) o déficit é ainda maior. Mesmo o país tendo aumentado em mais de 60% as vagas de medicina no ensino superior, a conta não fechava: de 2003 a 2011, foram criadas 147 mil vagas de emprego formais para médicos no Brasil.

Nesse mesmo período, 93 mil novos profissionais entraram no mercado de trabalho. E a demanda não parou de crescer. Com os novos postos de saúde, hospitais e UPAs 24h em construção, a previsão era abrir 35 mil postos de trabalho para médicos em todo o país. Há vagas para todos, médicos brasileiros e estrangeiros. E quem ganhou com isso foi a população que, antes do Mais Médicos, não tinha acesso a este atendimento.

Por que o orçamento do Ministério da Saúde é tão grande e ainda falta dinheiro para resolver os problemas da Saúde?

O financiamento do SUS sofreu um grande abalo no final de 2007, quando a oposição ao governo Lula derrubou a CPMF, imposto de 0,38% sobre o cheque, cujos recursos eram aplicados na saúde. De uma hora para outra foram retirados R$ 40 bilhões anuais do sistema. O objetivo da oposição era atingir o presidente Lula, mas quem pagou a conta foi o povo.

O detalhe é que o imposto havia sido criado quando a oposição estava no governo. Apesar dessa manobra, os governos Lula e Dilma trabalharam continuamente para aumentar as transferências para a saúde. Assim, em dez anos, o orçamento do setor saltou de R$ 28,3 bilhões, em 2002, para pouco mais de R$ 100 bilhões, 253,36% a mais, em 2012. E a melhor notícia é que, com 25% dos royalties do pré-sal sendo aplicados no setor, a estimativa é de que a verba da saúde chegasse a R$ 84 bi em 2014 e avançasse até R$ 147 bi em 2018.

Muitos hospitais filantrópicos, tradicionais e que atendem à população há décadas, estão sempre em dificuldades. Por que o governo não os ajuda?

As Santas Casas e os hospitais pertencentes a instituições filantrópicas, por várias razões, acumularam dívidas superiores a R$ 15 bilhões em Imposto de Renda, FGTS e contribuições à previdência. Em 2013, o governo decidiu que esses hospitais poderiam tomar empréstimos junto à Caixa Econômica Federal para refinanciar suas dívidas em até 15 anos a partir de janeiro de 2014.

O Ministério da Saúde também aumentou de 26% para 50% o incentivo para exames e cirurgias de média ou alta complexidade nestas unidades. Para ter direito a essas condições, os hospitais filantrópicos teriam de ampliar em 5% a quantidade de pacientes atendidos pelo SUS e manter em dia o pagamento dos impostos do ano em curso. As instituições saem ganhando e a população também.

O que o governo fez para melhorar a oferta de medicamentos para a população e reduzir o tempo de espera por um remédio nos postos de saúde?

Os governos Lula e Dilma sempre entenderam que o acesso aos medicamentos é um direito fundamental. Por isso criaram o programa Farmácia Popular e a política de subsídios a remédios que pesam muito no bolso de parte mais vulnerável da sociedade, como os idosos. Com isso, 11 medicamentos de hipertensão e diabetes e 3 de asma passaram a ser distribuídos gratuitamente nas mais de 30,1 mil farmácias que eram credenciadas ao programa. Outras dezenas de remédios passaram a ser vendidos com descontos de até 90%.

No caso dos medicamentos que eram disponibilizados nos postos de saúde, para garantir a regularização dos estoques, o governo decidiu reduzir a dependência às empresas multinacionais produzindo estes medicamentos aqui mesmo no Brasil. Para isso, foram assinadas parcerias com 72 laboratórios públicos e privados para desenvolver e fabricar 66 medicamentos. As drogas podem garantir o tratamento para doenças como câncer, leucemias, artrite reumatóide, diabetes, distúrbios de crescimento, doenças degenerativas, alergias, HIV/Aids, psicoses e febre amarela.

A mortalidade infantil no Brasil ainda é uma das maiores do mundo?

Não, isso é coisa do passado. Pelo contrário: os resultados alcançados pelo Brasil nos últimos anos levaram as Nações Unidas a considerarem a política brasileira de atenção integral à criança e à família como uma referência internacional. A ampliação da Estratégia Saúde da Família (novo nome do Programa Saúde da Família) está diretamente ligada à redução da taxa de mortalidade infantil, em 68,8% - em 22 anos (de 46,8 mortes por 1000 bebês nascidos vivos em 1990 para 14,6 mortes, em 2012).

Entre 2010 e 2012, a redução da taxa de mortalidade infantil foi de 8,8%, passando de 16 óbitos por mil nascidos vivos para 14,6% óbitos. A relação entre a consolidação das equipes de Saúde da Família e a redução das mortes de bebês foi constatada pelo programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Pnud, que divulgou: a cada 10% de ampliação de coberturas das equipes de Saúde da Família, a mortalidade infantil é reduzida em até 4,5%. No governo Lula, a cobertura de equipes cresceu 90%.