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Mercado de trabalho: africanos são os mais discriminados

20/06/2018 14:13

EBC

O preconceito sofrido ao tentar se inserir no mercado de trabalho é a principal dificuldade enfrentada pelos estrangeiros que buscam se instalar no Brasil. Estudos mostram que os deslocados de origem africana são os que mais sofrem discriminação ao se candidatar às vagas de emprego. Além disso, as empresas desconhecem os direitos dos cidadãos de fora e os procedimentos para sua contratação.

Quase 150 mil pessoas vivem no Brasil como refugiado ou solicitante de refúgio, segundo o relatório da Agência da ONU para Refugiados sobre 2017. O país atrai, também, imigrantes de todo o mundo — que se diferem dos refugiados pela motivação que os leva a sair de casa. Estima-se que só em São Paulo, cidade que recebe mais solicitações de refúgio em toda a América Latina, vivam hoje 380 mil estrangeiros, entre refugiados e imigrantes. 

Uma pesquisa do economista Leandro Carvalho revela a discriminação sofrida por estrangeiros a partir de entrevistas feitas com profissionais de RH de empresas em São Paulo. Os resultados mostram que a maioria deles confunde refugiado com imigrante. Enquanto os refugiados são obrigados a sair de seus países para fugir de perseguições ou conflitos e necessitam de proteção internacional, os migrantes deixam suas casas em busca de novas oportunidades ou melhores condições de vida, por vontade própria.

A diferença no tratamento recebido pelos estrangeiros a depender de seu país de origem fica escancarada: 74% dos profissionais admitem associar os africanos à sua força física; com os europeus, essa associação não passa de 10%. Ao mesmo tempo, só 10% dos africanos são reconhecidos por sua capacidade de liderança, enquanto 50% dos europeus são vistos como bons líderes. Reflexo disso é o caso do senegalês Aliou Cissé, único negro dentre todos os técnicos de seleções participantes da Copa do Mundo de 2018 e dono do menor salário.

Somado ao preconceito está o desconhecimento em relação aos direitos dos refugiados e dos imigrantes: a grande maioria dos entrevistados revelam desconhecer os procedimentos burocráticos para contratação de estrangeiros. O processo, no entanto, é idêntico ao indicado para brasileiros. Além disso, as empresas têm medo de sofrer retaliações, multas ou ser procurada pela Polícia Federal e setores de imigração caso contratem refugiados.