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Após 8 dias, #LulaPorMinasGerais encerra caravana

31/10/2017 13:05

Ato de encerramento em BH. Foto: Ricardo Stuckert

Por Clarice Cardoso e Mariana Zoccoli
Da Agência PT de Notícias 

Oito dias de estrada. 21 cidades percorridas. Muita esperança por todo o caminho. Assim pode ser resumida a caravana do Lula pelo Brasil, etapa Minas Gerais. A viagem e o reencontro do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o povo mineiro começou no dia 23 de outubro, em Ipatinga, cidade reconhecida pela história da luta sindical e fundação do Partido dos Trabalhadores, e terminou nesta segunda-feira (30), em Belo Horizonte.

Durante uma semana, Lula passou, além de Ipatinga e BH, por Teófilo Otoni, Governador Valadares, Periquito – no acampamento Alegria, do viveiro de mudas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST,  Catuji, Padre Paraíso, Ponto dos Volantes, Itaobim, Itinga, Araçuaí, Coronel Murta, Salinas, Rubelita, Francisco Sá, Bocaiúva, Olhos D’Água, Couto de Magalhães, Diamantina e Cordisburgo.

A caravana por Minas Gerais mostrou, assim como a viagem do ex-presidente ao Nordeste, que não dá para calar o Brasil e nem esconder o amor do povo por Lula. O ato final da caravana em Belo Horizonte contou com homenagens de bordadeiras e diversas apresentações culturais, incluindo o cantor Flávio Renegado e a cantora Aline Calixto.

Foto: Ricardo Stuckert

Ao iniciar a fala para milhares de pessoas que lotaram a Praça da Estação, na capital mineira, Lula lembrou que, toda vez que a direita tenta usurpar o poder, ela tenta “destruir moralmente os seus adversários”.

“Foi assim com Juscelino Kubitschek. Depois, essa gente não deixou João Goulart tomar posse. Eu sou mais paciente do que o Getúlio. Mais paciente que o Goulart. E talvez eu seja paciente tanto quanto o JK. Porque diziam que ele não poderia ser candidato, nem ganhar, nem tomar posse, e que se ele tomasse posse, tirariam. Os golpistas nesse país que fizeram a desgraça que disseram que era culpa da Dilma e do PT, tiraram a Dilma e agora o que estamos percebendo é que ele levaram o país a uma situação de deteriorização”.

O ex-presidente voltou a defender que gasto em educação é investimento e condenou o atraso que a sociedade brasileira sofreu com os governos anteriores em relação à área educacional. “A elite política desse país era a mais perversa desse continente porque nunca se preocupou em educar o povo brasileiro. É a única explicação que eu tenho”.

Ele disse ter orgulho do que fez, durante seu governo, e do que foi feito, durante o governo Dilma Rousseff, pela educação em Minas Gerais e no restante do Brasil. “Vocês têm que levantar a cabeça para saber o que está acontecendo no Brasil. Quando criaram PEC que proíbe gastos em saúde e educação, quando querem a privatização da Petrobras e acabar com a indústria de óleo e gás, eles praticam um aborto nesse país. Vão tirar o royalties do pré-sal para a educação”.


Foto: Ricardo Stuckert

“Nós temos que levantar a cabeça, porque eles estão prejudicando a possibilidade dos netos, filhos e bisnetos terem a chance que vocês tiveram nos governos do PT. A educação não é tarefa de um partido. É uma tarefa da sociedade levantar a cabeça. Aqueles que já tiveram a oportunidade de ir a uma universidade, precisam levantar a cabeça para que esse país não sofra no século XXI o mesmo atraso que sofreu no século XX”.

Além disso, Lula afirmou estar preocupado porque estão “destruindo” o Brasil e todas as conquistas que o povo conquistou nos últimos anos. E, aos gritos do povo, afirmou que pode ser, sim, candidato em 2018. “Se o PT não tiver alternativa, se a esquerda não tiver alternativa, eu posso ser candidato. Isso porque eu já provei uma vez, e quero provar pela segunda vez, que esse país ele só dará certo, a economia só dará certo, o dia que a gente tiver consciência de que nós temos que incluir os pobres no centro da economia”.

“Esse país pode ser desenvolvido, exportador, respeitado pelo mundo, mas só será respeitado se a gente recuperar a nossa autoestima. Temos que gostar do Brasil e temos que assumir a responsabilidade que o Brasil será o País que a gente quiser, e não o que o Temer quiser, não o que o Meirelles quiser”, pediu Lula.

O ex-presidente voltou a cobrar um pedido de desculpas por parte da Polícia Federal e da Operação Lava Jato. “Eu quero que eles peçam desculpa para mim, ao povo brasileiro. Quero que eles digam o que que eles encontraram na minha casa, quando invadiram a minha casa. Eles encontraram foi excesso de vergonha na cara de Lula e de Marisa. Eu não posso aceitar a PF subordinada à Globo. O MPF subordinado à Globo”.


Ato de encerramento da Caravana de Minas Gerais. Foto: Ricardo Stuckert

Ao povo, Lula garantiu: se ganhar as eleições, vai convocar um referendo revogatório para revogar todos os retrocessos que o governo golpista tem promovido no Brasil. ‘Porque eles destruiram a legislação trabalhista. Quer resolver o problema da Previdência? Primeiro, caia fora, Temer”.

Além do referendo revogatório, ele disse ser preciso promover a democratização da mídia. “A gente foi muito condescendente com os meios de comunicação. A gente não quer fazer censura. Quem faz censura é o expectador. A gente não pode continuar permitindo que apenas nove famílias comandem a comunicação nesse País de forma ideológica e inventando mentira”.

Ao se despedir do povo, Lula pediu que os brasileiros andem de cabeça erguida. “Toda vez que vocês tiverem dúvida, lembrem-se que nesse país tem um cidadão que nasceu em Garanhuns, comeu pão pela primeira vez aos oito anos e aprendeu a andar de cabeça erguida. Vamos andar de cabeça erguida. Tenham certeza de uma coisa: eu aprendi a não desistir. É nessa força que nós vamos trazer de volta a democracia desse país”.

A presidenta eleita Dilma Rousseff exaltou a importância das caravanas do ex-presidente para a reconstrução e fortalecimento da democracia brasileira.


Lula, Dilma e Fernando Pimentel. Foto: Ricardo Stuckert

“Nossas caravanas são formas de discussão de combate de resistência e de luta. O encontro do Lula com os mineiros. Esse encontro está mostrando uma realidade muito importante. De um lado, há clara consciência e percepção, e a gente vê isso nas ruas e nas pessoas, mas também nas pesquisas. Lula crescendo com o apoio da população, porque essa população tem memória, Sabe também da importância da democracia, porque sempre que nós tivemos democracia nós avançamos”, disse.

“Vão tentar nos amendrontar. Colocar na pauta que nós podemos ter um impedimento à candidatura de Lula. Mas o que está ficando claro é que nós não temos o menor medo deles. E essa caravana, esse ato em Belo Horizonte, são uma demonstração de coragem das mineiras e dos mineiros”, completou a presidenta.

“Minas estava com saudade de você, presidente Lula”. O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT-MG), fez um relato emocionado sobre o amor do povo mineiro pelo ex-presidente Lula.

“Ele é movido a povo, a gente. É por isso que ele está na estrada de novo fazendo as caravana como ele fez lá atrás, há 20 anos, era presidente e fazia. E continuou abraçando cada brasileiro e brasileira. No coração de cada um aqui e de cada uma, tem o retrato do Lula, cravado lá no fundo”.

Lindbergh Farias, líder do PT no Senado, também lembrou a história de Juscelino Kubitschek e de Getúlio Vargas. “Parece que agora a história se repete”, disse, ao falar sobre a perseguição jurídica e midiática promovida contra Lula e criticar o senador Aécio Neves (PSDB-MG). “Eu quero falar para esse senador: nós vamos dizer em alto e bom som que esse impeachment tem de ser anulado”.

Veja como foi o ato:

Lula pelo Brasil

A viagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Minas Gerais, que aconteceu em outubro, foi a segunda etapa do projeto que ainda deve alcançar as demais regiões do Brasil.

Em agosto e setembro, Lula pegou a estrada e percorreu os nove estados nordestinos, visitou inúmeras cidades, ouviu e conversou com o povo.


Por Clarice Cardoso e Mariana Zoccoli, enviadas especiais à Minas Gerais para a caravana Lula pelo Brasil, para a Agência PT de Notícias