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‘Estamos acordando da anestesia. Vem dor por aí’

09/12/2017 09:10

Celso Amorim, Lula, o reitor Ricardo Luiz Louro Berbara, Fernando Haddad e Benedita da Silva. Foto: Ricardo Stuckert

Por Clarice Cardoso, da Agência PT de Notícias, enviada especial à caravana Lula pelo Brasil 

Lula se orgulha de ser o único presidente que, no governo, se reunia todos os anos com reitores de universidades e escolas técnicas, uma prática que tem se repetido durante as caravanas que tem feito este ano. Nesta sexta-feira (8), o ex-presidente chegou com a caravana  Lula pelo Brasil ao campus de Nova Iguaçu da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro reforçando o compromisso com a educação como parte essencial de um projeto de país soberano.

“Já me pediram para se voltar, federalizar os presídios. Mas, se eu voltar, o que eu vou fazer, e já pedi para o Haddad estudar, é federalizar o Ensino Médio”, anunciou, justificando que é preciso uma solução séria e comprometida para a baixa qualidade dos cursos em todo o Brasil.

Saudando os inegáveis avanços de ampliação de acesso dos anos Lula, o reitor, professor Ricardo Luiz Louro Berbara, denunciou o desmonte covarde e deliberado que tem sido perpetrado pelo governo golpista.  A lista passa pela interrupção de obras de expansão, o sucateamento das infraestruturas universitárias e o esfacelamento das redes de pesquisa duramente construídas há anos.

Berbara classificou como “grotesco abuso de poder” o episódio da UFMG, lembrando que parece se repetir a prática do estado policial que age com ameaças de intolerância e obscurantismo. “Apenas o desprezo pela lei e a intenção política de calar as universidades, locus do pensamento crítico, pode justificar a opção do estado de violência que a cada dia ataca o que considerávamos garantido, a cláusula pétrea dos direitos humanos se tornaram letra morta.”

O caso do reitor afastado da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), professor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, que cometeu suicídio em outubro após ser acusado de ilicitudes foi lembrado como mais um caso de perseguição e arbitrariedades que tem sido cometidas nos últimos meses pelo atual governo.

Presentes na reunião estavam ainda os ex-ministros Celso Amorim e  Fernando Haddad, os deputados  Wadih Damous e  Benedita da Silva e o senador  Lindbergh Farias.

O líder senador fez questão de relembrar que o campus existe por uma decisão política tomada pelo presidente Lula. “Isso aqui começou com uma reivindicação dos movimentos sociais da Baixada Fluminense. Foram muitos anos de campanha, abaixo assinado, até que ouve uma emenda parlamentar minha, o Reuni, e o senhor tomou a decisão de fazer a universidade aqui.”

Da mesma forma, lembrou o ex-ministro da educação, Fernando Haddad, foi por iniciativa petista que as universidades passaram a ser mais inclusivas e a contemplar negros, pobres, indígenas e quilombolas. “Aquele constrangimento de não ver o Brasil representado nas salas de aula mudou, e dá gosto ter universidades que têm o Brasil dentro delas, uma experiência mais democrática, menos segregada.”

Como o presidente Lula costuma dizer e reiterar sempre que pode, nenhuma nação pode ser digna de dizer que tem um plano de desenvolvimento de país sem investir em educação e cultura. “Eu tenho segurança de que a reação ao que está acontecendo no país virá das universidades, dos cientistas, dos professores, dos estudantes”, afirmou Haddad. “Vão botar feito nesse descalabro de governo Temer. Vamos voltar a sonhar! 2018 vai ser o ano do basta!”

“Lula, se voltar a se candidatar e vencer, irá colocar para o povo a opção de um referendo popular para desfazer essas reformas golpistas”, concluiu Lindbergh.

“Estamos acordando da anestesia. Vem dor por aí”

“Acontece agora algo que talvez muita gente não tenha percebido. É como passar por uma cirurgia: o médico diz que você não vai sentir nada, você é bem tratado, recebe uma anestesia. A dor você só começa a sentir dias depois”, ilustrou o ex-presidente Lula.

“O que acontece com o Brasil é isto: eles fizeram a cirurgia, acabaram com um monte de coisa, conseguiram destruir um monte de conquistas dos trabalhadores desde 1943, que nem o FHC teve coragem de tirar. Eles constroem para deixar a sociedade entorpecida, como se anestesiada, e colocam a culpa da desgraça em alguém”, prosseguiu.

Mas, para chegar lá, tiveram de inventar uma doença, que é sempre a mesma na história política do Brasil. “É a história de desmoralizar quem está no governo com a corrupção. Foi o que Hitler fez. Foi o que os fascistas fizeram na Itália. Foi o que fizeram com Getúlia, com JK.”

“Há outros interesses nessa história, que é acabar com a política de inclusão social, com o pré-sal, com aPetrobras, com a energia brasileira, com os bancos públicos, com a nossa inteligência no setor elétrico. Esse país parece que não pode ter nada, tem que ser dependente!”

“O Temer não é presidente nem é golpista, ele é um instrumento do sistema financeiro”, denunciou. “Se preparem, porque vocês estão saindo da anestesia agora, e vai doer…”

Lula lembra que ninguém fortaleceu tanto as instituições ou criou tantos mecanismos de combate à corrupção quanto os governos democráticos e populares. Mas a Lava Jato, que poderia ter se tornado uma coisa positiva, acabou cooptada pela imprensa com um objetivo único: destruir um inimigo político.

“O erro deles foi escolher a mim, porque eu desafio todos os dias o Moro, a Polícia Federal, o Ministério Público, qualquer empresário brasileiro a dizer que alguém me deu cinco reais. Eu não faço isso. Não porque eu seja melhor do que ninguém, mas porque eu venho lá de baixo. Eu sei o que é um pobre subir!”

Lula encerrou o discurso de forma energizada e com um recado para os estudantes que se estende à toda a militância: “Aprendam a andar de cabeça erguida! Não baixem a cabeça por nada. Se forem conversar, olhem no olho. Se quiserem saber se uma pessoa é honesta, olhem no olho, porque a verdade aparece no olho da pessoa”.

“Eu fico me perguntando por que o juiz Moro só transmite na tela a imagem do réu. Por que não aparece em igualdade de condições?”, questionou.

Lula Pelo Brasil

A viagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Espírito Santo e ao Rio de Janeiro, que acontece em dezembro, é a terceira etapa do projeto que ainda deve alcançar as demais regiões do Brasil.

Em agosto e setembro, Lula pegou a estrada e percorreu os nove estados nordestinos, visitou inúmeras cidades, ouviu e conversou com o povo. Em outubro, foi a vez do estado de Minas Gerais.

O projeto Lula Pelo Brasil é uma iniciativa com o objetivo de perscrutar a realidade brasileira, no contexto das grandes transformações pelas quais o país passou nos governos democráticos e populares e o deliberado desmonte dos programas e políticas públicas de desenvolvimento e inclusão social, que vem sendo operado pelo governo golpista nos últimos dois anos.

Por Clarice Cardoso, da Agência PT de Notícias, enviada especial à caravana Lula pelo Brasil