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Nos EUA, Bolsonaro admite: brasileiro não é prioridade

18/03/2019 15:34

Isac Nóbrega/PR

“O Brasil não é um terreno aberto onde nós pretendemos construir coisas para o povo. Nós precisamos desconstruir muita coisa, desfazer muita coisa”, disse Jair Bolsonaro (PSL), que não se conteve nos Estados Unidos. Seu discurso, em um jantar com a extrema-direita estadunidense, é provavelmente a fala mais sincera que ele disse desde que assumiu a Presidência da República.

Além de revelar que seu desgoverno não fará nada para o trabalhador brasileiro, Bolsonaro deixou claro que sua missão é atender os interesses de Donald Trump e do capital estrangeiro. Tanto é que o entreguismo de Jair  ficou ainda mais evidente na semana passada, quando foi divulgado que o Brasil vai ceder a Base de Alcântara aos militares dos EUA. Bolsonaro também vai liberar a entrada de estadunidenses no país sem a necessidade de visto, mas o contrário não será permitido.

Durante anos os EUA tentaram se apropriar da base por sua localização estratégia. Em 2017, a Carta Capital levantou 10 pontos importantes sobre a base e em um deles relembra que “o objetivo principal é ter uma base militar em território brasileiro na qual exerçam sua soberania, fora do alcance das leis e da vigilância das autoridades brasileiras, inclusive militares, onde possam desenvolver todo tipo de atividade militar”.

Entreguista

O entreguismo de Bolsonaro não é de hoje. Ao longo das Eleições 2018, ele bateu continência para a bandeira dos EUA. Já eleito, ele bateu continência para um assessor de Trump. E há anos já falava em entregar a Amazôniabrasileira aos estadunidenses. Agora, com a Base de Alcântara e a não exigência de visto isso pode se tornar uma realidade.

Ainda durante a visita aos EUA, Bolsonaro visitou a CIA, agência de inteligência estadunidense. É válido lembrar que, em 2009, um documento interno do governo de Washington, vazado pelo Wikileaks, mostra que os EUA mostram treinaram agentes judiciais brasileiros.

O documento pedia a instalação de um treinamento aprofundado em Curitiba. O Wikileaks revelou o informe enviado ao Departamento de Estado dos EUA do seminário de cooperação, realizado em outubro daquele ano, com a presença de membros seletos da Polícia Federal, JudiciárioMinistério Público, e autoridades estadunidenses. O caso mais grave, entretanto, ocorreu em 2013, por ocasião da espionagem feita no gabinete da ex-presidenta Dilma Rousseff, no avião presidencial e na Petrobras.

Alinhamento automático e os prejuízos econômicos

Para além de colocar em risco a soberania nacional, o alinhamento automático de Bolsonaro à Trump também prejudica a economia brasileira. A “parceria” da dupla tem intuito de favorecer um único país: os EUA. Isso porque Jair, orientando pelo presidente estadunidense, tem feito declarações hostis aos atuais parceiros econômicos do Brasil, o que tem prejudicado a diplomacia e as relações bilaterais.

Tanto é que a China, alvo das trapalhadas de Bolsonaro, negocia um acordo comercial de US$ 30 bilhões com os estadunidenses, o equivalente a praticamente todas as exportações agropecuárias do Brasil ao país asiático em 2018, que foi de US$ 35 bilhões. O CEO da Aliança Agro Ásia-Brasil, Marcos Jank, em entrevista ao Globo Rural, lembrou que o valor poderia ter sido investido no Brasil.

“Se o valor for esse mesmo, não tem como acontecer esse acordo a não ser em detrimento do Brasil. E o primeiro produto em que eles recuperariam share é a soja. Depois vem o milho, um produto que o Brasil não exporta para a China, mas poderia estar exportando”, destacou Jank.

Outra desastrosa decisão de Jair ocorreu em relação à embaixada brasileira em Israel. Bolsonaro decidiu seguir Trump e mudar a representação diplomática brasileira de Tel Aviv para Jerusalém. Ocorre que a troca de cidade é mal vista por conta do conflito árabe-israelense, que trata a cidade sagrada como ponto chave na disputa. Por isso, a Arábia Saudita, responsável pela importação de 14% da carne de frango do Brasil em 2018, desabilitou cinco frigoríficos da lista dos exportadores brasileiros para o país árabe.

Eram 30 frigoríficos que estavam habilitados a comercializar com o país, número que acaba de ser reduzido para 25. Entre as unidades descredenciadas. O Brasil exporta para 57 países islâmicos, sendo 22 países árabes, o que resulta em mais de dois milhões de toneladas de carne por ano. Em 2018, estima-se que a economia de carna hala, uma técnica sagrada de abate para os árabes, tenha movimentado US$ 6,4 trilhões.

Da Redação da Agência PT de Notícias