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Partidos de esquerda lançam documento em defesa de soberania e direito

04/07/2018 10:55

Foto: Ricardo Stuckert

Da Rede Brasil Atual 

Fundações de cinco partidos de esquerda – PT, PSB, PCdoB, PDT e Psol – lançaram hoje (3), no Congresso Nacional, um manifesto de compromisso com a reconstrução e o desenvolvimento do Brasil. A iniciativa, conforme afirmaram representantes destas legendas, é voltada para os parlamentares, com o intuito de renovar o Congresso brasileiro na próxima legislatura e fazer com que deputados e senadores sejam mais comprometidos com questões que resgatem direitos perdidos nos últimos anos, além de impedirem ações que levem ao desmonte do Estado, como tem acontecido.

“Todos reclamam do Congresso Nacional e, de fato, se estamos vendo um descontrole no país, sabemos que isso se deve ao Congresso”, afirmou a presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR).

“Cabe a nós, portanto, por meio do debate com a população e os movimentos sociais, nos comprometermos com as ideias aqui apresentadas para que tenhamos, além de um governo de esquerda, um número suficiente de parlamentares que assumam o compromisso de defender e lutar por estes temas”, ressaltou.

De acordo com o presidente da Fundação Perseu Abramo, do PT, o economista Marcio Pochmann, o trabalho busca a construção, na base da unidade e convergência política voltada para os parlamentares, de pilares para o desenvolvimento do país nos mesmos moldes do manifesto lançado ano passado, intitulado “Para Reconstruir o Brasil”.

Comprometimento de todos

“O país, infelizmente, segue contaminado pela lógica de curtíssimo prazo”, disse Pochmann. Segundo o economista, o trabalho não consiste em um documento de apoio eleitoral ou partidário, mas sim voltado para a união das bancadas em torno de determinados temas, como evitar o desmonte do Estado, defender o patrimônio nacional, evitar a perda de direitos sociais e se posicionar contra propostas do governo voltadas para estas questões.

“Pretendemos, a partir disso, fornecer subsídios nestas campanhas para tornar possível um debate com conteúdo e propostas que possam organizar melhor o voto dos brasileiros. E, em consequência, conseguir bancadas, a partir de 2019, ampliadas em relação a estes cinco partidos, para resgatar o papel nacional do Legislativo”, destacou Pochmann.

A presidenta nacional do PCdoB, deputada Luciana Santos (PE), considerou urgente a necessidade do Brasil retomar itens destacados no documento, como a industrialização e a reinserção do país no mercado internacional.

“Nosso desafio é grande. Estamos vivendo uma crise provocada pela interrupção de um projeto nacional e popular de país e as consequências dessa interrupção têm sido nefastas, como estamos vendo”, disse Luciana.

“Ao longo desse governo, além da falta de respeito às instituições, ao Estado democrático de Direito, vimos diversas formas de arbitrariedade, como na prisão injusta do ex-presidente Lula. Avançar na reforma do Judiciário, dos meios de comunicação, numa reforma tributária progressiva que taxe os mais ricos e fortalecer o Plano Nacional de Educação são alguns destes itens que precisamos retomar”, acrescentou.

O presidente do PSB, Carlos Siqueira, também ressaltou que a legenda dá apoio integral aos compromissos assumidos no manifesto. “São ideias que nos unem contra o retrocesso das políticas ultraliberais implantadas no governo Temer e que mostram como é indispensável a união das forças populares e de esquerda, não apenas dos partidos, como também dos movimentos sociais”.

“Nosso desejo é para que essa frente possa, independente das disputas eleitorais, estar no segundo turno para ser ampliada partidariamente, de forma a garantir que o próximo Congresso Nacional possa ser capaz de atuar de maneira transformadora”, frisou Siqueira.

Contra o sucateamento

O líder do PDT na Câmara, deputado André Figueiredo (PDT-CE), destacou que a união das legendas é importante e a sua força já pode ser vista por pequenas vitórias observadas pelas bancadas de esquerda nos últimos tempos, mesmo em meio às ações de desmonte por parte do Executivo com o apoio de sua base aliada.

Ele citou como exemplo o projeto de reforma da previdência, que está parado, e o projeto de privatização da Eletrobras, que sofre atrasos em sua tramitação em função dos oposicionistas e demais parlamentares contrários à privatização da estatal.

Falando em nome da liderança do PT na Câmara, o deputado Carlos Zarattini (SP) afirmou que o manifesto é, ainda, um gesto de resistência. Ele acrescentou que é preciso se preparar para que a próxima legislatura esteja pronta para revogar o que foi modificado nos últimos anos.

“Vamos nos unir para revogar estas medidas, retomar o projeto de desenvolvimento que vínhamos adotando até a entrada deste governo e aprofundar esse projeto. O Brasil não pode continuar sendo o país que vemos hoje, que retrocedeu dez anos em dois, um país em que as 10 famílias mais ricas possuem uma renda igual à de 60 milhões de famílias”, observou.

Participaram do manifesto, além da fundação Perseu Abramo, as fundações Lauro Campos (do Psol), Maurício Grabois (do PCdoB), João Mangabeira (do PSB) e Leonel Brizola-Alberto Pasqualini (do PDT).

Dentre as propostas destacadas estão a construção de uma reforma tributária progressiva, retomada de políticas sociais para redução das desigualdades, inserção do país no mercado internacional, retomada da industrialização, combate às privatizações e combate às medidas de entrega do patrimônio nacional ao capital estrangeiro.

Também fazem parte da lista a revogação da Emenda Constitucional que congelou os gastos públicos por 20 anos, de políticas de privatização já aprovadas e da reforma trabalhista. Bem como o fortalecimento do Plano Nacional de Educação (PNE) e do Sistema Único de Saúde (SUS).