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ʽA escravidão ainda está arraigada na cabeça da eliteʼ

20/11/2019 10:15

Em 2005, Lula visitou o “portão do nunca mais”, na ilha de Gorée, no Senegal, e pediu perdão aos negros africanos / Foto: Ricardo Stuckert

Em todos os discursos que proferiu desde que saiu da prisão, há 11 dias, Lula falou sobre a necessidade de se enfrentar o racismo estrutural presente na formação da identidade da sociedade brasileira, com políticas públicas consistentes com o tamanho do desafio necessário para uma reparação histórica.

“Aprendi algumas coisas importantes. Li muito, mais do que quando estava em liberdade. Li muito sobre a história desse país, sobre a independência, a abolição da escravidão. Posso dizer para vocês uma coisa: esse país nunca teve a sua verdadeira história contada”, afirmou.

O ex-presidente afirmou que “a sociedade ainda não se conforma de ver um negro dirigindo um carro. Só se for jogador de futebol. Ela parte do pressuposto de que um negro dirigindo um carro é ladrão. Ela não consegue ver uma menina negra que não seja empregada doméstica. Quando nós valorizamos o salário da doméstica, com décimo terceiro, carteira profissional e férias, isso foi uma afronta para a classe média que adorava chamar a empregada de secretária, sem que ela tivesse nenhum direito”, explicou.

Pesquisa do IBGE divulgada nesta semana apontou que negros são maioria nas universidades públicas do Brasil pela primeira vez. O avanço é reflexo de políticas públicas que proporcionaram o acessos da população preta e parda na rede de ensino.

“Não é todo mundo que anda pelo Parque do Ibirapuera e fica contente quando um pobre da periferia de São Paulo está andando por lá. Não é todo mundo que aceita chegar num teatro e ver um monte de gente de cor negra, ou chega no seu restaurante predileto e vê lá gente que ‘não é’ daquele ambiente que eles acreditam serem deles”, acrescentou.

Lula declarou que tem refletido sobre o que já foi feito para mudar a situação do povo negro e está convencido que, apesar das políticas de inclusão implementadas no Brasil no período democrático, há a necessidade de reafirmar publicamente que isso é uma obrigação histórica porque a dimensão do problema é imensa.

“Achei que era uma coisa que a gente ia superar com o tempo. No meu governo, a gente criou ‘n’ condições para valorizar a questão de gênero, a questão LGBT, os quilombolas e assim por diante. Criamos políticas, mecanismos e conselhos para tratar desses temas. Mas é uma coisa que está arraigada na consciência das pessoas”, analisou Lula, que ainda no início de seu primeiro mandato, instituiu a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial com o intuito de “corrigir um erro que foi cometido contra a população negra historicamente”.

Por Comitê Lula Livre