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Acordo entre blocos deve desfavorecer Mercosul, diz Amorim

01/07/2019 10:18

“O diabo mora nos detalhes”, diz Celso Amorim / Foto: Agência Brasil

Na última sexta-feira (28), após vinte anos de negociação, o Mercosul e a União Europeia selaram um acordo de livre comércio entre os dois blocos. Para Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores, o acordo foi firmado “no pior momento possível em termos da capacidade negociadora do Mercosul, porque os dois principais negociadores, Brasil e Argentina, estão fragilizados política e economicamente”, disse em entrevista concedida a BBC News Brasil. 

O ex-chanceler teme que os termos nos quais o acordo foi fechado gerem condições mais favoráveis ao bloco europeu do que aos países sul-americanos. “Acho que a União Europeia teve pressa porque sabe que estamos em uma situação muito frágil. E quando se está em uma situação frágil, se negocia qualquer coisa.” Amorim ainda afirmou: “O diabo mora nos detalhes. E, dada a situação de fragilidade política e econômica dos dois maiores parceiros do Mercosul, a grande probabilidade — quase certeza — é que os detalhes não sejam favoráveis para nós.”

Ao Instituto Lula, Celso Amorim resgatou o histórico de negociações entre os blocos: “A origem da ideia de um acordo entre Mercosul e União Europeia (à época Comunidade Europeia) nasceu à época do Governo Itamar, quando Jacques Delors era o presidente da Comissão Europeia. O conceito básico era servir de equilíbrio à proposta da ALCA, que parecia então (1994) uma inevitabilidade. Era, obviamente, uma negociação difícil é muito abrangente.

O governo Lula não rechaçou a ideia e empenhou-se por uma conclusão que atendesse a nossos interesses, o que se revelou inviável. A própria indústria brasileira reagiu desfavoravelmente, com razão em 2004, quando parecia possível um avanço. Depois disso, todos os principais parceiros comerciais, inclusive a própria UE, voltaram suas prioridades para a OMC, cujas negociações acabaram paralisadas em 2008.”