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Atentado na Nigéria explicita urgência do combate à fome

18/06/2019 11:57

Foto: STR/AFP

Ao menos 30 nigerianos morreram e cerca de 40 ficaram feridos neste domingo (16), depois de um atentado reivindicado pelo grupo fundamentalista islâmico Boko Haram. 

Na aldeia de Konduga, na região Norte da Nigéria, três “homens bomba” detonaram os explosivos junto à plateia de um jogo de futebol. A prática do esporte é condenada pelo grupo, que a qualifica como uma “influência negativa do Ocidente”.

Ao longo de mais de quinze anos de atividades, sobretudo na região mais pobre do país, o Boko Haram, fundado em 2002, já teria causado mais de 27 mil mortes e levado quase dois milhões de nigerianos a fugirem de suas casas. Sua ação mais hedionda ocorreu em abril de 2014, quando sequestrou mais de 200 meninas entre 14 e 16 anos de uma escola.

A Nigéria é o país mais populoso da África, com cerca de 200 milhões de habitantes. Também é o terceiro colocado no relatório da ONU apresentado nesta segunda-feira (17) que prevê o crescimento populacional no mundo, ficando atrás apenas da China e da Índia. 

O atentado de domingo ocorre num momento em que o novo presidente, Muhammudi Buhari, anuncia uma grande campanha para diminuir a fome e a miséria no país. Sua meta é tirar 100 milhões de nigerianos desta situação até 2030.

BRASIL E NIGÉRIA TENTARAM UNIÃO CONTRA A FOME

Há seis anos, em julho de 2013, o então presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan propôs ao ex-presidente Lula a formação de um comitê de trabalho internacional composto pelos dois líderes, o diretor-geral da FAO/ONU, José Graziano, e Melinda Gates, presidenta da Bill & Melinda Gates Foundation, com o objetivo de empreender ações na área da agricultura para erradicar a fome no Norte do país. 

O combate à miséria era visto pelo ministro nigeriano como a única solução para impedir o crescimento das ações do Boko Haram, que já aterrorizavam o mundo com suas ações de grande impacto.

A reunião foi coordenada pelo então ministro da Agricultura da Nigéria, Akinwumi Adesina, e contou com a presença de Lula, de José Graziano e de diretores da Fundação Gates.

Adesina era um entusiasta dos programas sociais brasileiros, em especial o Programa de Aquisição de Alimentos, o PAA, e o Bolsa Família. Já havia visitado nosso país diversas vezes e afirmava ser essencial para os nigerianos o conhecimento das iniciativas desenvolvidas durante o governo Lula.

O encontro ocorreu numa das salas da sede da União Africana, durante a programação da conferência “Rumo à Renascença Africana: Parcerias Renovadas numa Abordagem Unificada para Acabar com a Fome na África em 2025 com o Sistema do CAADP”.  Nos dias 29 e 30 de junho e 01 de julho, a cúpula de alto nível sobre segurança alimentar foi promovida em Adis Abeba, na Etiópia, pelo Instituto Lula, pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e pela União Africana .

Durante três dias, a conferência reuniu mais de 400 especialistas. Entre eles, quinze chefes de estado de países africanos, a presidenta da União Africana, Dlamini Zuma, ex-presidentes, ministros de quase todos os países africanos, acadêmicos e membros da sociedade civil africana e de outros países. 

Passados seis anos, a fome e a miséria continuam a crescer na África e a dar espaço para o crescimento do Boko Haram e de outros grupos terroristas que atuam em especial na região do Sahel (Mauritânia, Mali, Burkina Faso, Níger e Chade). Só ali, a França, a ONU e países africanos mantêm um contingente com cerca de 25 mil homens para ajudar os exércitos locais no combate aos extremistas.

O comitê de líderes proposto em 2013 jamais foi formado.

Em 2019 o Brasil voltará a integrar o “Mapa da Fome”, da FAO/ONU, de onde havia sido excluído em setembro de 2014, durante o governo Dilma Rousseff.

O ex-presidente Lula está preso há um ano e meio.

* Celso Marcondes, membro do Conselho do Instituto Lula