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Boletim explica sucesso do e-commerce chinês

14/06/2022 19:57

Divulgação

Experiência das Vilas Taobao, na China, demonstra importância da educação, desenvolvimento tecnológico e infraestrutura estimuladas e planejadas pelo governo

As Vilas Taobao são realmente uma esperança de alternativa para reduzir a desigualdade entre a área rural e a urbana que historicamente caracteriza a China? Para debater o assunto, o grupo de pesquisa Fronteira Digital, o front-D, do Instituto Lula realizou nesta terça-feira (14) uma mesa redonda com base no boletim online “O estudo de caso das Vilas Taobao ”.

O pesquisador Cheng Li, mediador do debate, explicou que a mesa redonda e o segundo boletim produzido pelo front-D sobre o assunto aprofundam a análise do desenvolvimento do comércio eletrônico rural na China, a partir da experiência prática dessas vilas de comércio eletrônico. Taobao é um site chinês de compras online e plataforma de comércio eletrônico, semelhante ao Mercado Livre no Brasil. Abaixo, assista ao vídeo com a mesa redonda do front-D.


Leia o boletim


A mesa redonda

 “Em 2009, havia apenas três vilarejos na China no sistema Taobao. Em 2021, já havia 7.023 vilas. Normalmente, dentro de uma vila Taobao, há uma cadeia industrial completa e serviços de apoio”, relata o Cheng Li.

Vivendo na China desde 2008 e responsável por negócios no continente asiático, André Quemé avalia a importância da pesquisa feita pelo front-D. “Acho esse estudo muito valioso. Somos uma sociedade universal e tem coisas que a gente compartilha, pode aprender e ensinar, nessa relação entre o Brasil e a China”, disse, lembrando que foi ao país para estudar cinema e as relações com a produção brasileira. “O desenvolvimento de uma sociedade não é unilateral.”

Quemé explica que o Taobao é uma plataforma em contínua inovação e com diversidade muito grande. “Desde que vim para cá evoluiu muito, muita coisa foi adicionada, funcionalidades. Por exemplo, é possível usar reconhecimento de foto para encontrar o produto.”

Segundo ele, isso é parte da educação, desenvolvimento tecnológico e infraestrutura estimuladas e planejadas pelo governo chinês. “Um caso muito claro no Brasil é o MST oferecendo para o mercado interno produtos diferentes da agricultura familiar. Poderiam usar esse tipo de modelo Taobao. Mas não depende apenas de uma organização, de uma pessoa, de um empresário. Mas um esforço de governo, de civilização”, diz Quemé, lembrando o Luz Para Todos, programa público do governo Lula. “Isso estimula outras partes da economia. Aqui na China o governo estimula áreas rurais e isso está relacionado às Vilas Taobao.”

Desenvolvimento rural

A jornalista Camila Marins, mestranda em políticas públicas em direitos humanos pela UFRJ, lembra que o Brasil vive um momento de desindustrialização muito grande. “Diante dessa crise, a industrialização no campo traria um desenvolvimento fundamental”, destaca. “Para isso, a educação digital no campo é fundamental e um sistema de banda larga que chegue, como uma política pública de infraestrutura."

Camila lembra o exemplo do processo de privatização em relação aos Correios. “É o nosso sistema público de entrega principalmente nas áreas rurais, e essa privatização não favorecerá um modelo como esse”, critica, reforçando a importância do papel do Estado no desenvolvimento de estruturas como as Vilas Taobao. “O orçamento público vem caindo e isso precisa ser repensado.”

A jornalista criticou também a monocultura do agronegócio que devasta o meio ambiente. “O saber ancestral não pode ser substituído”, afirmou. Camila mencionou a importância da atuação em cooperativas, da organização dos trabalhadores, da agroecologia e da agricultura familiar. E assim como Quemé mencionou a atuação do Movimento Sem Terra. “O MST tem uma produção super importante e uma das principais dificuldades é o escoamento da produção, diante da falta infraestrutura.” Para ela, aliar esse debate às universidades é fundamental, assim como está sendo feito pelo trabalho do Instituto Lula.



Sobre o front-D

O projeto do Instituto Lula chamado "Novas e velhas desigualdades na era digital no Brasil da terceira década do século 21" conta com o núcleo de pesquisa front-D, dedicado ao mapeamento da fronteira digital, ou seja, o grupo investiga como a tecnologia impacta o cotidiano das pessoas na cidade, na cultura, na saúde, na economia, nas dinâmicas de trabalho e na organização política. O front-D produziu uma série de boletins online apresentando os resultados das pesquisas.

O núcleo publica dois boletins para cada um dos seguintes temas

1. Políticas de cuidado

2. Vida nas cidades

3. Cultura na era digital

4. Pequenos agricultores e plataformas digitais

5. Nova cartografia digital

6. Financeirização e tecnologias digitais no ensino superior

Nos links abaixo, leia e baixe todos os boletins publicados pelo front-D.

Parte 1

1 - O cuidado na agenda política, o cuidado em disputa

2 - Cidades Inteligentes: soluções e desafios para cidades menos desiguais

3 - Cultura e Tecnologia no Brasil recente

4 - Quando os agricultores são impulsionados pela internet na China

5 - A Amazônia entre a terra e as techs nas novas fronteiras digitais

6 - Economia política das tecnologias digitais no Ensino Superior

Parte 2

1 - O cuidado na era digital

2 - Monitorando a Cidade Inteligente: câmeras de vigilância, monitoramento inteligentee racismo tecnológico

3 - Tecnologias Digitais, Cultura e Pandemia: fronteiras e desigualdades

4 - O estudo de caso das Vilas Taobao

5. O ambiente entre as tecnologias digitais acionadas por governo e sociedade

6 - Tecnologias digitais no ensino superior: desafios de uma sociedade desigual