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Há 55 anos, anistia a militares enfurecia generais

28/03/2019 16:35

Marinheiros saúdam soldados do Exército destacados para prendê-los no Sindicato dos Metalúrgicos. Fundo Última Hora/Apesp

Anistia a rebelados desafia hierarquia militar e aumenta isolamento de Jango

No dia 26 de março de 1964, cerca de 2 mil marinheiros se reuniram na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro para comemorar o segundo aniversário da fundação da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil. O ato contou com a presença de sindicalistas, líderes estudantis, de Leonel Brizola e do marinheiro João Cândido, líder da Revolta da Chibata de 1910. A entidade era considerada ilegal pela Marinha.

O ministro Silvio Mota enviou um contingente de fuzileiros para prender os marujos reunidos na sede do sindicato, mas o tiro saiu pela culatra. Os fuzileiros aderiram à manifestação. O movimento só foi sufocado quando tropas do Exército cercaram o prédio e prenderam os rebelados.

No dia 28 de março, Jango substituiu o ministro e mandou libertar os marinheiros. A rebelião e a posterior anistia foram recebidas por boa parte da oficialidade da Marinha como quebras da disciplina e da hierarquia, o que fortaleceu os setores golpistas das Forças Armadas e contribuiu para o isolamento de Jango. Três dias depois, o general  Olímpio Mourão Filho, comandante da 4ª Divisão de Infantaria, sediada em Juiz de Fora (MG), mandaria sua tropa marchar em direção ao Rio, precipitando o golpe que vinha sendo articulado por generais, empresários e governadores de oposição ao governo Jango com apoio dos Estados Unidos. 

Dois anos depois, no maior julgamento realizado no país até então, 283 marinheiros e fuzileiros navais acusados de rebelião em março de 1964 foram condenados a penas que somavam mais de 1.280 anos de prisão. A Revolta dos Marinheiros, que exigiam liberdade de organização e dignidade no serviço, e foi o estopim da crise militar que levou ao golpe era enfim punida. A anistia concedida aos rebeldes pelo governo Jango fora considerada uma afronta à hierarquia militar.

No julgamento de 1966, a pena maior, de 10 anos e 8 meses, coube a um dos líderes da revolta, José Anselmo dos Santos. O Cabo Anselmo, como ficaria conhecido, alguns anos mais tarde se revelaria um agente da repressão infiltrado na organização Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).

Veja esse trecho da história contado no filme "Militares da Democracia", de Sílvio Tendler.

Esse texto é um resultado do Memorial da Democracia, o museu virtual dedicado às lutas democráticas do povo brasileiro.