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Sustentabilidade ambiental é incompatível com a fome

11/03/2022 16:59

Na primeira aula do curso "Crise climática e política", pesquisadores apresentaram o Novo Acordo Verde (Nave), que propõe políticas ambientais junto de políticas sociais para o Brasil

"Os países ricos defendem 'descarbonizar a economia', mas as questões de desigualdade, saúde pública e componentes fundamentais como acesso a educação pública de qualidade ficam para segundo plano. O que o Nave acredita é que só pode haver uma sustentabilidade ambiental junto da sustentabilidade humana. Você não pode 'descarbonizar a economia' enquanto há pessoas na fila do osso, enquanto as pessoas estão desempregadas, enquanto o jovem não tem oportunidade e quando o nível de violência na sociedade são altíssimos". A fala é do professor Pedro Henrique de Cristo, coordenador do Nave, o Novo Acordo Verde.

Mestre em políticas públicas pela Universidade de Harvard, ele dividiu a aula inaugural do curso Crise climática e política, do Instituto Lula. O curso é organizado por Tiago Amaral Ciarallo, mestre em Políticas Públicas e Economia Internacional pela Universidade Columbia e assessor para Transição Sócio-Ecológica na Comissão de Meio Ambiente do Senado. A aula inaugural foi mediada por Isabel dos Anjos Leandro, doutora em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, e teve a participação de Márcio Pochmann, presidente do Instituto Lula.

"Nós estamos vivendo uma apartheid climático. 98% dos desastres naturais relacionados à crise climática acontecem na América Latina, África e sul da Ásia (...). Se hoje 1 a cada 7 pessoas são habitantes de favelas, até 2050 será 1 a cada 3. Imaginem esse problema de falta de infraestrutura, ondas extremas de calor, falta de água e outras questões que vamos enfrentar nesse contexto", disse Cristo.

A live de abertura do novo curso de verão do Instituto Lula aconteceu nesta quinta-feira (10) no canal do YouTube do Instituto Lula. Na primeira aula, os professores mostraram uma introdução para estudantes e público geral sobre a crise climática, além de apresentar algumas possíveis soluções pensadas no Novo Acordo Verde (NAVE), projeto de políticas públicas desenvolvido pelos pesquisadores. Gostou da proposta? Para ter acesso a todas as aulas, basta se inscrever aqui.

O curso é organizado por Tiago Amaral Ciarallo, mestre em Políticas Públicas e Economia Internacional pela Universidade Columbia e assessor para Transição Sócio-Ecológica na Comissão de Meio Ambiente do Senado. A aula inaugural foi mediada por Isabel dos Anjos Leandro, doutora em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, e teve a participação de Pedro Henrique de Cristo, mestre em Políticas Públicas pela Universidade de Harvard e Coordenador do Nave, além de Márcio Pochmann, presidente do Instituto Lula.

Assista a primeira aula abaixo:


Em sua primeira fala, Pochmann relacionou a crise climática como um dos pontos que contribuem para o avanço de novas pandemias “A ideia do curso é oferecer um panorama mais aprofundado da realidade ambiental”, disse.

Tiago Amaral Ciarallo lembrou da importância do curso para o momento atual. Ele citou o exemplo da aprovação em regime de urgência na Câmara dos Deputados do projeto de lei que pretende liberar a mineração em terras indígenas, além de lembrar a manifestação contra a PL liderada por Caetano Veloso e artistas, em Brasília.

“Segundo o último relatório do clima, estima-se que mais de 3,3 bilhões de pessoas estão vivendo em situação vulnerável ao clima e podemos perceber isso pelas enchentes na Turquia, Alemanha, China, os tufões em Miami, as queimadas na Grécia e o que vimos no Brasil com a virada das chuvas que vem em maior agressividade em períodos menores”, afirmou Ciarallo.

“Estamos em uma conjuntura na qual a janela de ação do Brasil e do mundo diminui a cada dia. Os problemas de alimentação e nutrição vão piorar. Para não soar alarmista, a gente ainda tem o que fazer. Precisamos parar o que vivemos no Brasil como o aumento do desmatamento que corresponde a 46% da emissão de gases estufa.  Já a agricultura  corresponde a outros 26%. O Congresso está tentando liberar mineração em terras indígenas, que são as áreas mais protegidas”, disse. Ciarallo mostrou ponto a ponto que serão debatidos no curso. Você pode conferir abaixo na descrição “sobre o curso”.


No final da apresentação, Isabel dos Anjos fez as perguntas enviadas no chat da live para os pesquisadores. 

Sobre o curso

O curso está construído em 11 módulos temáticos, contabilizando 16 aulas no total:

1. Introdução à Crise Climática

2. História dos Acordos Internacionais e Movimentos Sociais de Clima

3. Defesa do Meio Ambiente e Participação Social

4. Principal Legislação Ambiental e Climática no Brasil

5. A Resposta Climática Global 6. Financiamento Verde

7. Economia de Baixo Carbono 1

8. Economia de Baixo Carbono 2

9. Transição Justa e Empregos Verdes

10. A fome, a saúde frágil e a dignidade do emprego: mobilização climática

11. O papel do Brasil no cenário internacional

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