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Livro detalha, em imagens, política externa ativa e altiva do governo Lula

23/08/2022 00:05

Divulgação

Com 747 fotos de Ricardo Stuckert, "O Brasil no Mundo" é uma publicação do Instituto Lula e pode ser baixado gratuitamente

Pelas lentes do fotógrafo Ricardo Stuckert, o livro O Brasil no Mundo relata, em imagens, os oito anos da política externa brasileira do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Encontros do ex-presidente com líderes mundiais, como Nelson Mandela, Pepe Mujica, Hugo Chávez, Barack Obama, George W. Bush, Fidel Castro, Angela Merkel, entre muitos outros, foram registrados entre 2003 e 2010 pelo fotógrafo oficial de Lula durante os dois mandados como presidente da República, e que o acompanha até hoje.

Com a participação de ex-ministros de Estado e do ex-governador paulista Geraldo Alckmin, o lançamento na noite desta segunda-feira (22) reuniu cerca de mil convidados no Auditório Simón Bolívar. Um lugar emblemático das relações construídas pelo Brasil com países de todo o mundo na gestão do líder petista.

O livro, com 747 fotos e mais de 800 páginas, é uma publicação do Instituto Lula e pode ser baixado gratuitamente aqui (livro em alta resolução, o download pode demorar alguns minutos). 

Organizadora da obra, a pesquisadora Daisy Barreta falou sobre as imagens que retratam destacados encontros realizados com chefes de Estado e governos sobre os grandes temais globais, regionais e de interesse ao Brasil. “É uma obra de memória de um ciclo notável de reconhecimento internacional. E é também de renovação, esperança. O livro aponta o futuro e os rumos de um novo tempo.”

Ao microfone, Ricardo Stuckert, fotógrafo oficial do presidente Lula desde 2003, comentou sobre a estranheza de estar desse “outro lado”. E o ex-presidente arrancou risos da plateia ao se oferecer para segurar a máquina fotográfica dessa vez. “Muito estranho e muito gratificante. Quando a gente vê a importância que a fotografia tem. Não existe futuro sem passado. Essas fotos ajudam a lembrar que fomos muito felizes nesses anos que o senhor foi presidente”, destacou. “Fizemos 139 viagens, visitamos mais de 80 países. Nessas fotos a gente pode ver um Brasil que pode voltar a ser feliz.”

Registro fantástico

Foi uma noite alegre, de boas lembranças, tributos e muita emoção. Dois mestres da política externa brasileira, já falecidos, Marco Aurélio Garcia e Paulo Cesar de Oliveira Campos, foram homenageados e lembrados por seu protagonismo na política externa brasileira.

Arthur Henrique da Silva, presidente da Fundação Perseu Abramo, do PT, comentou o protagonismo do presidente Lula e dos ministros na “bonita história do Brasil no mundo”. Alexandre Navarro, da Fundação João Mangabeira, do PSB, comemorou o “registro iconográfico fantástico”.

Ministra-chefe da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial no governo Lula, Matilde Ribeiro falou sobre o trabalho voltado ao continente africano. “Tive oportunidade de acompanhá-los a 21 países africanos”, disse, lembrando emocionada a visita ao entreposto na ilha de Gore de onde saíam os africanos tornados escravos.

Matilde, hoje, é professora na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), no Ceará, lembrada pelo ex-ministro Fernando Haddad, como um dos resultados da política externa brasileira sob o governo Lula. “Tocou todos os quadrantes do planeta. Não apenas com a intenção de patrocinar maior intercâmbio comercial, era uma exposição da nossa cultura, nosso jeito de ser, de nos integrarmos soberanamente ao mundo”, descreveu Haddad. “Trazer e levar progresso. A postura de Lula sempre me chamou atenção: nem baixava a cabeça nem empinava o nariz. Conversava de igual pra igual, com quem quer que fosse.”

Haddad saudou Stuckert e sua obra. “Registro reportagem da vida do maior político brasileiro e um legado para as futuras gerações. Espero que ajude a acender as consciências sobre o mundo que está em jogo.”

Determinação e coragem

Com 80 anos de idade e 60 deles atuando na política externa brasileira, o ex-ministro das Relações Exteriores de Lula, Celso Amorim foi categórico: Lula conduziu a pasta com determinação e coragem nunca vistas. “Significou a autoestima do povo brasileiro. O povo brasileiro tinha sido eleito presidente da República. Sem medo de ser ativo e altivo”, ressaltou. “Podíamos nos recusar a uma agenda como a Alca (a Área de Livre Comércio das Américas), que não representava nossos interesses, e ao mesmo tempo ter capacidade de reunir latino-americanos e africanos, sem medo da própria sombra. O Brasil atingiu outra estatura e essas fotografias mostram isso. Ativa, altiva, universalista e solidária. Enche de inspiração, justifica uma vida.”

O ex-presidente Lula fechou a noite com deliciosos relatos sobre a maneira como construiu essas relações e sobre sua própria relação com seus ex-ministros e os líderes internacionais com quem dividiu os anos de governo.

“Uma força superior faz as coisas acontecerem no momento que têm de acontecer”, disse, sobre o lançamento do livro nesta segunda-feira. “Está acontecendo num  momento excepcional com um público excepcional. Se fosse em outro lugar não poderia trazer a quantidade e diversidade de gente que está aqui.”

Xereta e dedicado

Lula afirmou estar muito feliz com o resultado da obra. “É um livro cultural, com o essencial escrito, para que as pessoas mais humildes possam ter acesso pela internet e saber o que é possível um país fazer quando os governantes têm decisões políticas a ser tomadas.”

Com o olhar atento sobre a plateia, Lula agradeceu presenças importantes como dos companheiros dos movimentos sindical e social, de Frei Betto, do seu irmão Frei Chico, e do seu intérprete Sergio Ferreira. “Poucos presidentes tiveram um com tanta capacidade. Antes de eu terminar de falar já estavam batendo palma pra ele”, brincou. 

Sobre o fotógrafo que o acompanha já há quase 20 anos, Lula qualificou: metido intrometido e xereta, mas com uma competência e dedicação ímpares. “Xingo ele todo dia. Vocês não tem noção o que é ser perseguido pela máquina dele”, disse, arrancando gargalhadas do público.

O ex-presidente revelou, ainda, que uma outra obra está sendo gestada. “O Mundo no Brasil” trará retratos das pessoas que visitaram o Brasil.

Nada de sonhar pequeno

Lula lamentou o empobrecimento da política externa no país. “Ninguém será grande se sonhar pequeno. Não existe politica pública ativa e altiva se não tiver governo ativo e altivo.”

Também contou com alegria a escolha do então embaixador Celso Amorim. “Conheci muita gente, ministros de outros países. No tempo que eu governava, Celso era o melhor do mundo. Não tinha ninguém com a competência de articular política como ele. Foi até na Faixa de Gaza. Foi ao Irã duas vezes articular reuniões”, lembrou. “Essa política permitiu eleger José Graziano diretor-geral da FAU (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), o presidente da OMC (Organização Mundial do Comércio), trouxe para o Brasil as Olimpíadas”, contou orgulhoso sobre a disputa com Estados Unidos, Japão, Espanha. “Jamais o Brasil conquistou a respeitabilidade e admiração que tinha no nosso governo. E porque a gente era muito verdadeiro.”

Lula se emocionou ao lembrar ter sido considerado o primeiro presidente negro do Brasil pelo chanceler senegalês, Cheikh Tidiane Gadio, diante da relação construída por seu governo com a África. “Não temos como pagar os 350 anos de escravidão, não tem como mensurar essa dívida.”

E definiu sua política externa como um ganha-ganha. “E o Brasil, com sua grandeza, tem de jogar esse papel. Temos de crescer juntos e o Brasil tem de ser o indutor disso. Quem é maior, quem tem mais força é que tem de ser generoso, tratar de igual pra igual e se fazer respeitar.”

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Abaixo, assista ao vídeo com o lançamento do livro no Memorial da América Latina