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Brasil e Congo: conexões históricas e caminhos para uma cooperação solidária

No nono encontro da série Diálogos sobre África, especialistas destacam o papel do jornalismo negro e a necessidade de ampliar a cooperação entre Brasil e República Democrática do Congo


Brasil e Congo: conexões históricas e caminhos para uma cooperação solidária

O Instituto Lula promoveu mais uma edição do ciclo 'Diálogos sobre África', desenvolvido pela Iniciativa África e dedicado a aproximar pesquisadores, lideranças sociais e especialistas sobre questões africanas. O debate destacou as relações históricas e políticas entre Brasil e República Democrática do Congo (RDC), a importância do jornalismo negro na defesa dos direitos humanos e os desafios para uma cooperação mais equilibrada entre os dois países.


Participou da mesa o jornalista Pedro Borges, cofundador da Alma Preta Jornalismo, que ressaltou como o vínculo entre Brasil e Congo é profundo e anterior à formação dos Estados nacionais. Ele lembrou que “a conexão entre Brasil e Congo não começa agora: ela vem de séculos, desde quando pessoas escravizadas da região do Congo chegaram ao Brasil e deixaram marcas culturais e linguísticas que permanecem até hoje”.


Segundo Borges, reconhecer essa história é fundamental para superar visões estereotipadas sobre a África e construir políticas externas mais humanas. O jornalista destacou que “o jornalismo negro tem um papel central na reconstrução dessas narrativas, porque dá visibilidade às experiências e às vozes que historicamente foram silenciadas”, reforçando também que “é fundamental ampliar pesquisas e parcerias entre os dois países, fortalecendo o papel da sociedade civil e das universidades nesse processo”.


A discussão também contou com Prosper Dinganga, coordenador do Coletivo A Voz do Congo, que chamou atenção para a gravidade da crise humanitária enfrentada pela RDC. O conflito armado, que se estende há mais de 30 anos, já provocou milhões de mortes e deslocamentos internos, mas segue com baixa cobertura da mídia internacional. Dinganga reforçou que o Brasil, pela sua posição estratégica e seu histórico de relações com países do Sul Global, pode desempenhar papel mais ativo na busca por soluções pacíficas e no acolhimento digno da população congolesa que chega ao país.


Para ele, é urgente ampliar políticas públicas destinadas à população imigrante, especialmente aos congoleses que enfrentam no Brasil situações de racismo, precarização do trabalho e dificuldades de acesso a serviços básicos. “Precisamos de um Estado que olhe para essa comunidade e reconheça seu protagonismo”, afirmou.


Para os convidados presentes no encontro, esse é um ponto central: fortalecer relações internacionais baseadas em solidariedade, respeito mútuo e desenvolvimento social, afastando perspectivas neocoloniais que ainda permeiam parte da política externa global.


Ao final do debate, reforçou-se que aproximar Brasil e Congo passa, necessariamente, pela disputa de narrativas. A cobertura ainda limitada sobre o continente africano nos meios de comunicação brasileiros — muitas vezes restrita a estereótipos — dificulta que a população reconheça as conexões históricas profundas entre as duas regiões. Para os participantes, o jornalismo negro e as iniciativas de educação crítica têm papel decisivo na construção de uma sociedade mais informada, capaz de compreender a complexidade do continente africano e de atuar de forma solidária diante de seus desafios.


O ciclo Diálogos sobre África reune pesquisadores, diplomatas, jornalistas e lideranças das diásporas africanas no Brasil, com o objetivo de fortalecer a cooperação entre os países e promover uma compreensão mais ampla e justa do continente.


Assista abaixo ao debate completo: 




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