O Instituto Lula homenageia e relembra a trajetória de luta de seu diretor, que completa 70 anos


Paulo Okamotto no Paço Municipal de São Bernardo do Campo - Campanha Salarial de 1989. Foto: Arquivos do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
28/02/2026 02:02
Ainda estava escuro quando o metalúrgico de vinte e poucos anos entrava para seu turno na fábrica da Brastemp no ABC paulista. Deparou-se com homens oferecendo panfletos e, para a sua surpresa, um deles era o próprio presidente do sindicato, o já famoso Luiz Inácio Lula da Silva. Sem titubear, o jovem fresador Paulo Okamotto foi ver o que aquele barbudo estava distribuindo. Eram boletins diários produzidos pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que incluíam duas páginas de histórias em quadrinhos que deram origem ao personagem João Ferrador, criado por Laerte e Henfil. Desse encontro, nasceu uma amizade para a vida inteira.
Okamotto ficou órfão de pai aos sete anos de idade. Obrigado a trabalhar desde cedo, aos catorze anos já era arrimo de família. Começou sua jornada na Volks, durante o dia, enquanto as noites eram dedicadas aos estudos. Quando completou dezoito anos, a empresa propôs um regime de rodízio: quinze dias trabalhando durante o dia e quinze virando a noite na fábrica. O sindicato o orientou a não aceitar a proposta, já que seu currículo lhe permitiria conquistar um trabalho melhor. Acabou indo para a Brastemp, e dessa forma é que seu caminho se cruzou com o de Lula.
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Paulo Okamotto em 1989, no sindicato dos metalúrgicos do ABC, com a camiseta do João Ferrador: ‘Hoje não tô bom’. Foto: Reprodução
Foi durante os anos na Brastemp que sua trajetória sindical começou a tomar forma. Em 1981, integrou a diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Ocupou o cargo de diretor de finanças, além de cumprir dois mandatos como segundo secretário e um como diretor do departamento jurídico. Esse envolvimento com o sindicato foi crucial para a sua formação como dirigente político. O atual presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Moisés Selerges, relembra os dias difíceis e o aprendizado ao lado de Okamotto:
“O Okamotto é uma figura muito importante na luta sindical. Quando eu olho para ele, tenho a certeza que esse sindicato é uma fábrica de lideranças. Minhas passagens com o Okamotto foram nos momentos mais difíceis do partido, enfim, da política. Ele tem esse jeito todo pragmático, mas quando você joga uma demanda na mão dele, você tem certeza que vai ser resolvida. Quando eu, em alguns momentos, estava perdido, olhava para o Okamotto e tinha certeza que ele ia mostrar a direção que a gente tinha que seguir. Ele é um grande mestre, um professor do qual tenho muito respeito; a admiração que eu tenho por ele é muito grande. Okamotto, quando eu crescer, eu quero ser igual a você. Parabéns! Muita saúde, muita paz, muito axé, irmão.”
Moisés Selerges, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

Posse da direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em 1981. Foto: Arquivos Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
Okamotto também foi presidente do diretório estadual do PT de São Paulo (1987-1992), período em que desenvolveu diversas iniciativas de comunicação para aperfeiçoar o diálogo e a formação militante. Okamotto desde sempre foi um curioso e inconformado, características que resultaram em soluções criativas para resolver os problemas do partido. Durante sua gestão elegeu prefeitos em São Paulo, São Bernardo do Campo, Santo André, Osasco, Mauá, Guarulhos, Franco da Rocha, Embú das Artes, Carapicuíba, Cajamar, Campinas, Diadema, Santos, além de um senador, que foi Eduardo Suplicy. Também foi criada em sua gestão os dispositivos das macrorregiões para organizar o PT, ao invés da executiva da cidade de São Paulo ir até Ribeirão Preto, por exemplo, o partido passou a promover a formação de pessoas de lá que percorriam a cidade ajudando a resolver os problemas locais. Okamotto foi ainda tesoureiro da campanha presidencial de Lula em 1989. O companheiro José Dirceu relembra e celebra a trajetória de Okamotto:
“Paulo Okamotto é raiz, é história, história da luta contra a ditadura, história da nova classe trabalhadora que surgiu na década de 1970 da indústria pesada, da indústria química. Classe que não só decreta o fim da ditadura ao entrar na luta política, mas também trava a luta econômica por reivindicações salariais, assume a luta pelo direito de greve, pela liberdade sindical e por eleições para presidente. Paulo Okamotto estava com Lula em São Bernardo. E Paulo fez toda a trajetória do PT: a história do PT e a história dele se confundem. Acompanha também toda a trajetória de Lula, nossa maior liderança - a maior liderança, aliás, da história recente do Brasil e um líder mundial. Nós não podemos falar do PT e da luta contra a ditadura, e depois da construção do PT (seja campanha das Diretas, seja Constituinte, seja Fora Collor, seja os momentos decisivos das campanhas do Lula em 89, 94, 98, até a vitória em 2002) sem o Paulo Okamotto. E também dos momentos duros do impeachment, da prisão ilegal, injusta e sumária logo após o golpe parlamentar, e a luta de Paulo Okamotto por Lula Livre. Além da participação dele no Instituto Cidadania, no Instituto Lula, que produziu na verdade as principais políticas públicas que depois levamos para o governo, e por fim agora na Fundação Perseu Abramo (2023 - 2025). Vamos comemorar os 70 anos de Paulo Okamotto como comemoramos os 46 anos do PT. Paulo Okamotto, receba meu abraço fraterno de luta: estamos juntos.”
José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil
De perfil discreto e avesso aos holofotes, Paulo Okamotto assumiu a direção de administração e finanças do Sebrae, em 2003, quase obrigado por Lula. O presidente sabia o que estava fazendo. Em 2005, Okamotto assumiu a Presidência da entidade, na qual ficou até 2010. Durante sua gestão, focou em iniciativas para simplificar a burocracia fiscal e oferecer suporte às micro e pequenas empresas. Enfatizou a importância desse segmento para a criação de empregos e geração de renda, ressaltando a contribuição das pequenas empresas para o PIB do Brasil. Okamotto também foi responsável pela construção da sede do Sebrae, uma obra reconhecida por sua qualidade arquitetônica e sustentabilidade.

Em 1990, juntamente com Lula e outras lideranças políticas e intelectuais, participou da fundação do Instituto Cidadania. Mais tarde, em 2011, a entidade viria a se tornar o Instituto Lula. Okamotto foi presidente do Instituto Lula de 2011 a 2020, quando assumiu a direção de operações e finanças, cargo que ocupa até os dias atuais. Paralelamente, entre 2023 e 2025, ele assumiu a presidência da Fundação Perseu Abramo.
“Caro Paulo, tua vida tem sido uma trincheira de dignidade, cuja trajetória comprova que a democracia se constrói todos os dias, com organização, consciência e luta. Parabéns por mais um ano de vida e de coerência: que nunca lhe faltem força, lucidez e compromisso com a democracia e com os trabalhadores. Abraço fraterno e solidário.”
Marcio Pochmann, presidente do IBGE
Marcio Pochmann foi presidente do Instituto Lula entre 2020 e 2023, quando assumiu o cargo Ivone Silva, que também celebra os 70 anos do companheiro:
“Paulo Okamotto é um militante forjado no movimento sindical e partidário, um companheiro de luta. Sempre colocou o bem-estar e a mudança da sociedade em primeiro lugar, visando uma sociedade mais igualitária e justa. Conviver com o Paulo é aprender todos os dias.”
Ivone Silva, presidenta do Instituto Lula
Os anos que se seguiram ao golpe parlamentar sofrido pela presidenta Dilma e a campanha judicial e midiática movida contra o presidente Lula atingiram também o Instituto Lula. Quando a sobrevivência do IL esteve ameaçada, a dedicação, força e disciplina de Okamotto foram imprescindíveis para a instituição resistir à tormenta e seguir firme em suas atividades. Da China, onde preside o Novo Banco de Desenvolvimento, Dilma mandou sua mensagem de carinho a Okamotto.
Querido Paulo Okamotto, muitas felicidades, muita saúde e muito sucesso para todos nós e para você em especial. Um grande abraço, aqui da China, e muita saudade!
Dilma Rousseff, presidenta Banco do Brics
Paulo Okamotto desempenhou um papel central na campanha Lula Livre, atuando como um dos principais articuladores políticos e logísticos em defesa da libertação do presidente Lula enquanto este esteve preso em Curitiba.
“O Paulo Okamotto é um dirigente formidável. Eu me sinto muito honrada de compartilhar com ele ombro a ombro essa fase atual da luta política. Ele é um construtor desse projeto político que tem transformado o Brasil junto ao presidente Lula. Eles fizeram história tanto no sindicalismo, no combate à ditadura, como principalmente nas últimas transformações sociais. Ele também foi um farol na resistência quando o presidente Lula estava preso injustamente. Okamotto nos ensina muito e ensina, sobretudo, sobre termos valores, ética e a pensarmos coletivamente.”
Ana Flávia Marques, diretora do Instituto Lula

Paulo Okamotto na Vigília Lula Livre. Foto: Ricardo Stuckert
Ao celebrar os 70 anos de Paulo Okamotto, homenageia-se a dedicação e o envolvimento de toda uma vida. Este militante que começou muito jovem numa fábrica em Diadema, no ABCD paulista; que ajudou a dar vida e pulso ao Fundo de Greve dos metalúrgicos daquela região nos anos 1980; que assumiu tantas responsabilidades no sindicato, no PT, no Sebrae, no Instituto Lula e na Fundação Perseu Abramo, com certeza vai continuar batalhando para garantir o Tetra do Presidente Lula. Parabéns, Paulo.
Clara Ant, assessora especial do Gabinete Pessoal do Presidente da República
O Instituto Lula deixa aqui seu agradecimento por tantos anos de luta e dedicação, e celebra sua jornada - um exemplo para todos nós!
Obrigado, Paulo Okamotto.