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Presidente argentino diz que democracia no país não corre risco

09/09/2020 21:42

Policiais de uniforme e com viaturas cercam a casa presidencial em Buenos Aires. Eles recusaram tentativa de diálogo com o presidente. - Télam

Presidente já havia feito concessões e acusa movimento de motivação política

Por Fernanda Paixão 
Para o Brasil de Fato, em Buenos Aires (Argentina)

Nesta quarta-feira (9), o protesto da força policial de Buenos Aires se intensificou na residência presidencial argentina de Olivos. O principal dos 14 pontos das exigências dos policiais é o aumento salarial.

Policiais de uniforme e viaturas com as sirenes cercavam o local no início da noite e o clima era de conflito e preocupação.

Nesta tarde, uma tentativa de diálogo foi rejeitada pelos policiais. O secretário geral da presidência, Julio Vitobello, propôs que uma comissão dos manifestantes entrasse na casa presidencial, porém, os policiais exigiram que o presidente Alberto Fernández (Frente de Todos) e o governador da província, Axel Kicilof (Frente de Todos), saíssem para negociar com todos.

O governo anunciou na segunda-feira concessões: 2.200 novas viaturas, melhor equipamento, e aumento salarial, que será decretado até a próxima sexta-feira, atendendo a pedidos da lista de exigências dos manifestantes. Porém, os protestos aumentaram. Policiais dizem que não deixarão de protestar até ter o aumento concretizado. Esta madrugada, um homem foi detido por jogar um coquetel molotov na casa presidencial.

O presidente Alberto Fernández, que se pronunciará sobre o caso ainda nesta quarta, acusa uma articulação política para desestabilizar o governo: "acordos se fazem frontalmente, não escondidos dentro de viaturas, tocando sirenes", disse ele.

Porta-vozes das manifestações policiais alegam que o ato não tem caráter político. Porém, um porta-voz da polícia de Buenos Aires, Mariano Alderete, em entrevista ao canal C5N, afirmou que, além das condições trabalhistas, "é revoltante que soltem a Báez".

O policial se referia à prisão domiciliar concedida na semana passada a Lázaro Báez, um ex-funcionário kirchnerista apontado como peça-chave nos supostos esquemas de corrupção durante o governo de Cristina Kirchner. Protestos anti-kirchneristas impediram a entrada de Báez em seu condomínio.

O tweet do bloco União Cívica Radical, partido direitista que se opõe ao peronismo, representado pelo governo atual de Fernández, tuitou e depois apagou uma mensagem em apoio aos protestos policiais. O tweet, do perfil @diputadosUCR, dizia: "A UCR pede uma resposta imediata ao Governo aos pedidos da polícia".

Outro ponto que chamou a atenção foi uma antecipação do protesto feita Florencia Arietto, ex-assessora do Ministério de Segurança do macrismo. Ela anunciou as manifestações um dia antes que acontecessem, em um programa do canal TN.

"Sei que há uma reunião, estão vendo de fazer algum tipo de mobilização para pedir melhoras salariais e o respaldo que não possuem. Porque há um discurso anti-polícia, então temos um problema grave", afirmou.

Durante governo do macrismo, com a governadora da província de Buenos Aires, Maria Eugenia Vidal (PRO), a queda dos salários dos policiais foi de 30%. Não havia equipamentos adequados, faltavam computadores e as horas extras estavam congeladas em $ 40 pesos (menos de R$ 3). Mas durante os 4 anos de macrismo, não houve protestos policiais.

O presidente Alberto Fernández agradeceu o apoio por Twitter, e ressaltou aos que querem ir a Olivos protestar a seu favor que "não esqueçam que estamos em uma pandemia. Não potencializemos os riscos".


Tweet de Alberto Fernández / Reprodução

Edição: Rodrigo Durão Coelho (BdF)