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Livro “Querido Lula”: artistas darão voz a cartas em lançamento

24/05/2022 14:49

Um evento emblemático de cunho artístico e cultural, no qual Lula é esperado, marca o lançamento, no próximo dia 31, em São Paulo, do livro Querido Lula: cartas a um presidente na prisão, que sai pela Boitempo.

A apresentação, em formato de teatro e com música ao vivo, tem como roteiro as cartas que brasileiros de todo o país e também do exterior enviaram ao presidente no ano e meio em que ele esteve detido. Assim, as cartas serão lidas por Zélia Duncan, Maria Ribeiro, Cleo Pires, Monica Iozzi, Celso Frateschi, Grace Passô, Erika Hilton, Deborah Duboc, Leandro Santos (Mussum Alive), Camila Pitanga, Denise Fraga, Cida Moreira, Tulipa Ruiz, Cassia Damasceno, Preta Ferreira, Clara Bastos e Ana Rodrigues, entre outros artistas. Alguns missivistas estarão presentes e lerão as próprias cartas. 

Ao evento, dirigido pelo brasileiro Márcio Abreu e o francês Thomas Quillardet, são esperados ainda políticos ligados a Lula, como o pré-candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad.

As cartas, em grande parte escritas por gente pobre, algumas vezes ditadas e assinadas apenas com digitais, são recheadas de comoventes histórias de vida, agradecimentos por conquistas obtidas nos governos do petista, promessas de luta, manifestações de carinho e solidariedade, análises da situação política. 

“Não há, até onde sabemos, nenhum movimento equivalente na história, ao menos na mesma escala”, diz a organizadora da obra, a historiadora e brasilianista francesa Maud Chirio, que é professora e pesquisadora na Universidade Gustave Eiffel, França, onde Querido Lula foi publicado este ano. “O que se registra aqui é um movimento inverso em relação às tradicionais cartas do cárcere, escritas por líderes encarcerados para o público”. Ela pontua ainda que as cartas a Lula diferem das enviadas, por exemplo, a Getúlio Vargas em diferentes ocasiões, por não conterem pedidos, mas, ao contrário, agradecimento, solidariedade e palavras de estímulo.

Para o mundo

Da França, ainda em 2018, Maud Chirio lançou um olhar de historiadora sobre as imagens do espantoso volume de cartas acumulado em sacos, sacolas, caixas no Instituto Lula e, preocupada com sua preservação, voluntariou-se para ajudar a catalogá-las e digitalizá-las. Montou uma equipe de sete profissionais, seis deles historiadores e historiadoras, que decidiu dar projeção àquelas vozes. Para a pesquisadora, as cartas têm valor histórico “excepcional” por expressarem vozes que não costumam ser ouvidas. Ao mesmo tempo que se unificam pela necessidade de expressar apoio ao presidente, perpassam a história recente do Brasil, desde o enfrentamento à ditadura militar instituída em 1964, e testemunham uma “sólida consciência política das camadas populares”. 

A coletânea Querido Lula procura representar a imensa diversidade contida nas cartas, contemplando autores de diferentes origens sociais e regiões do país, com histórias de vida, tons e abordagens variadas.

O livro é o quarto projeto liderado por Maud para fazer ecoar essas vozes. A pesquisadora e equipe organizaram uma exposição virtual multilingue, disponível em www.linhasdeluta.org. Em 2019, promoveram uma apresentação teatral, Abril / Abril, também dirigida por Thomas Quillardet, que reuniu mais de 500 pessoas em um teatro de Paris, com presenças ilustres, como Chico Buarque e a atriz portuguesa Maria de Medeiros. Também criaram uma série de podcasts veiculada pela emissora de rádio Universidade Nacional General Sarmiento (Argentina).

Serviço

Lançamento-espetáculo

Querido Lula: cartas a um presidente na prisão

Dia 31 de maio, das 19h às 21h

Teatro Tuca (Rua Monte Alegre, 1024, São Paulo SP)

Os ingressos serão distribuídos de forma gratuita pela plataforma Sympla.