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Petrobras se apequenou no governo Bolsonaro, diz Gabrielli

23/03/2022 13:56

A escalada no preço da gasolina é sentida no bolso do povo brasileiro de forma mais pesada a cada novo aumento. Com o petróleo internacionalmente caro, é normal prever uma alta no valor de seus derivados em economias importadoras. Agora, em países onde se produz e há capacidade de refino do petróleo — como é o caso do Brasil —, espera-se que o mercado doméstico consiga resistir às variações internacionais, reduzindo os impactos sobre sua população.

Assim Sergio Gabrielli contextualiza a crise atual do preço nas bombas de postos de combustíveis Brasil afora. O ex-presidente da Petrobras foi o convidado da última edição do Gate Papo, o programa de entrevistas do Instituto Lula, realizado nesta terça-feira (22). Participaram do encontro os economistas Flavia Vinhaes, Emilio Chernavsky e Adhemar Mineiro, membros do Grupo de Acompanhamento de Temas Estratégicos (Gate) do Instituto Lula. 

Isso a que Gabrielli chama “abandono da soberania energética” caracteriza o cenário nacional pós-golpe de 2016. O Brasil, que com Lula e Dilma Rousseff alavancou de forma inédita sua indústria petrolífera, vê crescer a dependência das importações, como se fosse um país sem capacidade de refino. “Grandes empresas petrolíferas tendem a ser integradas desde a produção, o refino e a distribuição até o varejo”, explica Gabrielli. O que se vê hoje, porém, é a Petrobras se transformando numa mera exportadora de óleo cru, focada no pré-sal da Bacia de Campos. Segundo o especialista, isso faz da Petrobras uma empresa pequena para os parâmetros atuais da indústria de óleo. 

O desmonte por partes

Sergio Gabrielli vê um cenário de desmonte “difícil de reverter”. Ele explica seu pessimismo desenhando o processo de fatiamento ao qual os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro submeteram a Petrobras nos últimos anos: a parte da distribuição foi abandonada com a privatização da BR Distribuidora e da Liquigás. Com a diminuição da Transpetro, a Petrobras também está deixando o setor de logística. Já em relação ao refino, muitas refinarias já foram vendidas e outras estão em processo de venda. Isso sem mencionar o abandono da exploração de petróleo em terra ou da produção de fertilizantes pela empresa.     

Sem crescimento econômico é normal que os impactos desse desmonte estejam minimizados. Agora, quando o país voltar a crescer, teremos um cenário dramático. Retomar o papel estratégico da Petrobras, garantindo assim a segurança energética do país, é tão urgente quanto desafiador, entende Gabrielli. Para isso, é fundamental expandir a capacidade de refino no Brasil, defende. 

Minimizando danos

As cifras da Petrobras são “extraordinárias”, nas palavras de Sergio Gabrielli. O problema é que os lucros da empresa não têm sido usados para reinvestimento na produção doméstica de derivados do petróleo — o que reduziria o impacto do aumento do preço internacional do petróleo no bolso do povo brasileiro. No lugar disso, se tem priorizado a distribuição de dividendos entre acionistas. 

É possível fazer diferente? Gabrielli afirma que sim. E explica: hoje, o custo de tirar o óleo do poço e trazê-lo para a plataforma é de aproximadamente US$ 4. Somado às outras etapas envolvidas no processo, o custo total de produção do barril chega a 28 ou 29 dólares. Com o preço de venda entre 95 e 100 dólares, há uma imensa faixa de lucro. Ou seja, há margem para ajustes que a direção da empresa poderia fazer, que reduziria os lucros sem chegar perto de dar prejuízo aos acionistas. Os impactos no mercado interno seriam, assim, minimizados. O povo sairia ganhando. 

Isso tudo, porém, passa por um entendimento do papel estratégico da Petrobras muito distinto do praticado pelo atual governo.

Assista ao Gate Papo completo: