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Em 84, ditadura usou tanques para ameaçar Brasília

09/08/2021 18:23

Imagem: Reprodução Memorial da Democracia

Nesta segunda-feira (9), uma colunista do UOL publicou que o presidente Jair Bolsonaro deve usar um desfile de tanques pelas ruas de Brasília numa tentativa de demonstrar força em meio à crise que atinge seu governo. A iniciativa faz lembrar outros episódios da história mundial e nacional, especialmente um em 1984, quando a ditadura, já acuada e em seus últimos dias, decidiu pressionar o congresso na votação das Diretas. Relatos daquele dia dão conta de que o general Newton Cruz, nome da chamada "linha dura" desfilou na Esplanada dos Ministérios montado sobre um cavalo branco, à frente de 6 mil militares e 116 tanques e carros de combate. 

Apesar da intimidação, no dia seguinte, a população de Brasília promoveria um buzinaço e o general reagiria chutando e chicoteando automóveis que passavam pela avenida. “Buzina agora seu filho da...” Apesar do general, as buzinas tcaram até a madrugada do dia 25, data da votação. Das janelas dos prédios, os moradores batiam panelas.

O Congresso Nacional foi cercado por policiais militares na véspera da sessão, mas isso não impediu que na manhã do dia 25 milhares de estudantes ocupassem o gramado em frente ao edifício. Deitados sobre a grama, escreveram com seus corpos a palavra de ordem Diretas-Já. Dentro do prédio, a votação se prolongou até as 2h da madrugada do dia 26, sem que o país pudesse acompanhar os discursos e os votos pelo rádio ou pela TV. As informações saíam do prédio apenas por telefone e por telex para as sedes de sindicatos e outras entidades em diversos pontos do país.

A emenda precisava de 320 votos (dois terços dos deputados) para ser aprovada. Alcançou 298, incluindo votos de 54 deputados do PDS. Houve 112 ausências, quase todas de parlamentares do partido do governo que tinham vergonha de votar contra as Diretas. Apenas 25 votaram “não”.

Mesmo derrotada, a campanha das Diretas determinou o completo isolamento político e social da ditadura militar que completara 20 anos naquele mês de abril de 1984. As oposições e os movimentos populares mostraram sua força. O partido oficial estava dividido. O regime se aproximava do fim, mas ainda apostava numa negociação política da transição.

Essa história, com fotos, músicas, vídeos e documentos está contada em uma das páginas do Memorial da Democracia , o museu virtual dedicado às lutas democráticas do povo brasileiro.