Instituto Lula

Doe agora
Menu

Institutos Lula e Patria debatem cooperação Brasil/Argentina

06/07/2022 19:16

Divulgação

Encontro entre representantes das duas instituições aponta saídas política e econômica para refazer relações destruídas pelo governo Bolsonaro

A cooperação econômica que tantos bons frutos rendeu aos países da América do Sul ficou no passado. Principalmente entre Brasil e Argentina. Apesar de o país ser um dos principais parceiros comerciais do Brasil, nunca houve sequer um encontro político entre os presidentes Jair Bolsonaro e Alberto Fernández.

Foi para debater esse quadro e saídas para essa crise que o Instituto Lula e o Instituto Patria  promoveram na quinta-feira (7) o debate “Cooperação para um Desenvolvimento Justo e Sustentável”. Esse foi o segundo encontro entre quatro programados.

Fruto da parceria firmada em 2021 entre as organizações lideradas pelos ex-presidentes do Brasil e da Argentina, Lula e Cristina Kirchner, o evento teve como convidados a ex-ministra da Economia da Argentina Felisa Miceli e o ex-diretor de Assuntos Econômicos da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) entre 2015 e 2018, o economista Pedro Silva Barros. O encontro, presencial, ocorreu na Casa Pátria de Buenos Aires, na Argentina, com convidados online de fora da cidade portenha.

Integração política

A ex-ministra falou sobre a importância da integração entre os países  e lembrou que ela não pode ser somente econômica, tem de ser política. Felisa Miceli citou a Alca como exemplo do tipo de integração meramente econômica que não dá certo. “Funciona melhor quando os governos têm proximidade, estão alinhados”, afirmou.

A argentina elogiou, ainda, instituições fortalecidas nos governos anteriores, como o Mercosul, que apesar de todos os esforços de desmonte empreendidos recentemente pelos governos neoliberais, não conseguem acabar. 

Agenda de reestruturação

O economista Pedro Barros apresentou estratégias para retomar uma agenda positiva de reestruturação e fortalecimento das relações entre Argentina e Brasil. “A simples retomada das atividades anteriores entre os dois países não é suficiente. Faz-se necessário estruturar uma nova agenda”, reforçou. “A eventual diminuição da Tarifa Externa Comum (TEC), deve ser acompanhada de compensações de governança”, exemplificou.

O ex-diretor da Unasul ressaltou ainda a importância da estruturação de um mercado sul-americano de energia integrado, com o intuito garantir mais segurança, eficiência e estabilidade energética e de fortalecimento da infraestrutura logística. “Construiremos uma rede interoceânica composta por vários corredores bioceânicos complementares e uma agenda ambiental que permita gerar crescimento no pós covid-19. São caminhos para desenvolver-se de maneira justa e sustentável.”

Outros ações apontadas por Pedro Barros incluem a cooperação para a melhor inserção extrarregional conjunta nos setores agropecuário, alimentar e florestal, fortalecendo as cadeias produtivas. Além disso, estimular a integração do Mercosul com a Aliança do Pacífico como elemento fundamental para o redesenho de uma estratégia regional de desenvolvimento e de inserção internacional autônoma. “Temos de reforçar os espaços institucionais de diálogo bilateral necessários para o tratamento de temas estratégicos, incluindo a convergência macroeconômica.”