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IL e Pátria discutem alternativas aos bancos internacionais

30/09/2022 18:30

Reprodução

Uma aula sobre o papel dos bancos de desenvolvimento e as mudanças, ao longo do tempo, na arquitetura do Sistema Monetário Financeiro Internacional (SMFI). “Formalmente as instituições estão aí, mas não desempenham o mesmo papel do pós-guerra”, disse o professor titular do Instituto de Economia da Unicamp Ricardo Carneiro (foto). Ex-diretor executivo pelo Brasil no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington, Carneiro ministrou, ao lado da socióloga argentina Maria Haro Sly a segunda aula do curso “Rumo a uma ordem mundial com paz e justiça social” , promovido em parceria entre os institutos Lula, do Brasil, e Patria , da Argentina.

“A globalização financeira, por exemplo, mudou de forma muito radical o papel do Fundo Monetário Internacional (FMI)”, explicou o professor durante a aula que teve como tema uma nova arquitetura global de financiamento para o desenvolvimento. “A integração financeira e as reservas dos países com assimetrias muito diferenciadas tornaram o FMI uma instituição especializada em certos grupos de países. Desde os anos 1990, vários países, mesmo da periferia, não recorrem mais o Fundo Monetário”, lembrando que esses países conseguiram acessar o mercado de capitais. “Isso foi muito importante.”

Para falar sobre uma ordem alternativa a essa do SMFI, Carneiro lembrou que durante os governos do Partido dos Trabalhadores foi feito um acúmulo de reservas de 350 bilhões de dólares contra a opinião dos setores ortodoxos. A despeito disso, de criar um seguro contra uma crise aguda, o país tem de ser submeter ao ciclo de liquidez internacional, a partir da economia norte-americana. Daí a importância de imaginar uma ordem alternativa sobretudo em relação ao domínio do dólar. “E essa dominação financeira saiu da dimensão puramente econômica para a geopolítica, o que chamamos de bomba dólar. O que torna o sistema menos confiável”, afirmou, sobre os riscos para o país que tem alguma disputa geopolítica com países do G8.

Ricardo Carneiro avalia que o Brasil deve se aproximar, além dos Estados Unidos, do sistema chinês para tentar se beneficiar na construção dessas alternativas. E também avançar na integração da América do Sul.

Assista à aula


O curso

As aulas serão ministradas por pesquisadores brasileiros e argentinos sempre às quartas-feiras (20 e 27 de setembro, 4 e 11 de outubro), entre 18h e 20h.

No dia 20, a socióloga, escritora e pesquisadora Maria Cecilia Miguez e o professor de relações internacionais Anselmo Otavio , da Universidade Federal de São Paulo (EPPEN/UNIFESP), falaram sobre “As limitações dos organismos multilaterais do pós-guerra na atualidade: FMI, Conselho de Segurança da ONU e OMC”

Em 4 de outubro, “O fortalecimento do Estado e a política externa soberana” será o tema da aula o sociólogo, jornalista e doutor em economia Jorge Elbaum, e pelo professor de relações internacionais Fábio Maldonado, da Universidade Paulista (Unip), especialista em integração da América Latina.

No dia 11, o tema “Política fiscal na região: para uma maior e melhor distribuição” será tratado na aula do tributarista e professor argentino Alejandro Otero e da professora Esther Dweck, doutora em Economia da Indústria e da Tecnologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.